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Raça Girolando terá estudo pioneiro de benchmarking para aprimorar pecuária leiteira no Brasil

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Responsável por cerca de 80% do leite produzido no Brasil, a raça Girolando será tema de um estudo inédito de benchmarking em projetos de pecuária leiteira. A iniciativa busca mapear e difundir práticas de destaque entre criadores, contribuindo para o melhoramento dos rebanhos em todo o país.

Parceria entre UFMG, Embrapa e Associação de Girolando

A pesquisa está sendo conduzida pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em Zootecnia, Fábio Toral, em parceria com a Embrapa Gado de Leite e a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. O projeto utilizará dados do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG) para analisar práticas de gestão de recursos genéticos em fazendas participantes.

O que é benchmarking aplicado à pecuária

Muito utilizado no meio empresarial, o benchmarking consiste na análise e comparação de práticas, processos e resultados de referência no mercado, com o objetivo de aprimorar a eficiência. No caso da pecuária leiteira, a metodologia permitirá estabelecer indicadores médios para características de maior impacto econômico, além de formar grupos de fazendas conforme o desempenho.

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Definição de indicadores estratégicos para a raça

Segundo Fábio Toral, o estudo mostrará quais indicadores são mais relevantes para a raça Girolando. Entre eles, podem estar o percentual de animais produzidos por fertilização in vitro (FIV), a participação de vacas em lactação na reposição genética e a composição racial média dos rebanhos. “O resultado permitirá entender as práticas usadas nos rebanhos de referência e, em seguida, disseminar esse conhecimento entre os produtores em todo o país”, explica o pesquisador.

Resultados serão apresentados no Congresso Internacional de Girolando

As conclusões do estudo serão divulgadas durante o 3º Congresso Internacional de Girolando, que acontece de 12 a 14 de novembro, em Uberlândia (MG). No dia 13, às 16h15, o professor Fábio Toral apresentará a palestra “Benchmarking em projetos de pecuária leiteira: lições dos melhores criadores”, dentro do painel “Inovações tecnológicas para a moderna pecuária leiteira”.

Programação com foco em tecnologia e sustentabilidade

Além do benchmarking, o painel contará com debates sobre inteligência artificial, gestão financeira, mercado global do leite, sucessão familiar, neutralidade de carbono e sustentabilidade. Já no dia 14, a programação incluirá temas como edição gênica, seleção genômica para eficiência alimentar, avaliação multirracial e bem-estar animal.

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Inscrições abertas para o Congresso Internacional de Girolando

Com expectativa de reunir participantes de toda a América Latina, o Congresso está com inscrições abertas no site oficial do evento: congresso.girolando.com.br. A plataforma também disponibiliza a programação completa e outras informações para os interessados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

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A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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