AGRONEGÓCIO
Mercado do açúcar oscila com produção indiana em alta e recuo nas cotações internacionais; etanol mantém avanço no Brasil
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Os preços do açúcar registram ligeira valorização nesta quarta-feira (3), mantendo o movimento positivo observado desde o início da semana. Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures), o contrato março/26 é cotado a 15,07 cents de dólar por libra-peso (+0,60%), o maio/26 a 14,57 cents (+0,69%) e o julho/26 a 14,51 cents (+0,76%). Em Londres, o açúcar branco para março/26 é negociado a US$ 431,50 por tonelada (+0,49%).
O impulso nas cotações é sustentado, principalmente, pela expectativa de menor produção na Europa. Durante a conferência anual de produtores de cana e beterraba, realizada em Londres, especialistas destacaram que os agricultores europeus devem reduzir em cerca de 10% a área cultivada com beterraba sacarina na safra 2026/27 — repetindo o corte já observado em 2025/26. Essa retração tende a limitar a oferta do adoçante no continente e reforça o viés altista para o mercado global.
Avanço da produção indiana limita ganhos mais expressivos
Apesar do suporte europeu, o mercado internacional segue atento às informações vindas da Índia, um dos maiores produtores mundiais. Na última sexta-feira, os preços atingiram o maior patamar em seis semanas devido às preocupações com a oferta global, mas voltaram a cair após a divulgação de dados positivos da produção indiana.
Segundo a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA), o país produziu 4,11 milhões de toneladas de açúcar entre outubro e novembro — um avanço de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. O aumento se deve às melhores taxas de recuperação e ao ritmo acelerado de moagem nos principais estados produtores.
Em Maharashtra, principal região açucareira, a produção mais que triplicou, chegando a 1,7 milhão de toneladas. Em Uttar Pradesh, o crescimento foi de 9%, somando 1,4 milhão de toneladas, enquanto em Karnataka, no sul, houve recuo para 774 mil toneladas devido a protestos de produtores que reivindicam preços mais altos para a cana-de-açúcar.
Mercado externo mostra sinais de correção
Mesmo com o otimismo pontual, o açúcar bruto voltou a perder força no exterior e encerrou a semana anterior abaixo dos US¢ 15 por libra-peso. De acordo com a StoneX, o contrato mais líquido do NY11 (SBH6) ficou cotado a US¢ 14,78/lb, queda semanal de 18 pontos (-1,2%). O movimento é visto como uma correção após a forte alta registrada anteriormente, quando o mercado reagiu às expectativas de encerramento da moagem no Centro-Sul brasileiro e a possíveis ajustes no mix açucareiro das usinas.
O cenário internacional, no entanto, segue relativamente confortável. Estoques elevados, clima favorável em grandes origens produtoras e uma oferta global robusta continuam limitando o avanço dos preços. Assim, o açúcar permanece pressionado, com o mercado adotando uma postura mais cautelosa e defensiva.
Etanol hidratado avança com estoques menores e demanda aquecida
Enquanto o açúcar perdeu fôlego, o etanol hidratado seguiu em alta no mercado brasileiro. Segundo dados da StoneX, o biocombustível encerrou a última sexta-feira cotado a R$ 3,49 por litro (com impostos), na base Ribeirão Preto (SP). A valorização de dois centavos reflete fatores como a redução dos estoques, o ritmo mais lento de moagem típico deste período e o aumento das chuvas no Centro-Sul, que impacta a operação das usinas.
Com a demanda interna ainda aquecida e o mercado ajustado, analistas avaliam que há pouca margem para quedas nos preços do etanol no curto prazo, reforçando o cenário de equilíbrio entre oferta e procura no setor sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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