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Exportações de café não torrado crescem em faturamento e preço médio, enquanto café torrado recua na 1ª semana de dezembro

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As exportações brasileiras de café não torrado começaram dezembro de 2025 com desempenho positivo. Dados divulgados nesta segunda-feira (8) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o faturamento total do produto nos cinco primeiros dias úteis do mês atingiu US$ 382,45 milhões, frente a US$ 1,004 bilhão registrado durante todo o mês de dezembro de 2024.

A média diária de faturamento apresentou alta de 60%, passando de US$ 47,81 milhões em dezembro de 2024 para US$ 76,49 milhões neste início de mês. O volume exportado também cresceu: a média diária embarcada foi de 10,09 mil toneladas, alta de 5% em relação à média de dezembro do ano anterior, que foi de 9,61 mil toneladas.

No total, o Brasil embarcou 50,45 mil toneladas de café não torrado na primeira semana de dezembro, contra 201,85 mil toneladas registradas ao longo de todo o mês de dezembro de 2024.

Preço médio das exportações sobe mais de 50%

O preço médio do café não torrado exportado apresentou forte valorização. Até a primeira semana de dezembro de 2025, o grão foi negociado a US$ 7.581,10 por tonelada, o que representa um avanço de 52,4% em relação ao preço médio de dezembro do ano passado, de US$ 4.974,50.

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Café torrado e derivados registram queda no volume e no faturamento

Enquanto o café verde apresentou crescimento, o segmento de café torrado, extratos, essências e concentrados teve desempenho mais tímido no início de dezembro. O faturamento total desses produtos alcançou US$ 25,04 milhões na primeira semana de 2025, frente a US$ 116,23 milhões obtidos durante todo o mês de dezembro de 2024.

A média diária das exportações do café torrado foi de US$ 5,01 milhões, uma queda de 9,5% em comparação à média de US$ 5,54 milhões registrada no mesmo mês do ano anterior.

Em volume, os embarques caíram 13,1%, somando 423 toneladas diárias na primeira semana de dezembro de 2025, frente às 487 toneladas diárias de dezembro de 2024. No acumulado dos cinco primeiros dias úteis do mês, foram 2,12 mil toneladas, contra 10,24 mil toneladas embarcadas ao longo de dezembro do ano passado.

Preço do café torrado tem leve valorização

Apesar da redução nas exportações, o preço médio do café torrado apresentou leve alta. Nos primeiros cinco dias úteis de dezembro, o produto foi negociado a US$ 11.820,60 por tonelada, o que representa alta de 4,1% em relação à média de US$ 11.353,40 registrada em dezembro de 2024.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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