RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Escassez de crédito rural ameaça produção e estabilidade do agronegócio brasileiro

Publicados

AGRONEGÓCIO

Setor agropecuário enfrenta momento decisivo no Brasil

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), José Zeferino Pedrozo, destacou em artigo recente que a agricultura brasileira vive um momento crítico e decisivo, marcado por uma combinação de fatores que expõem a vulnerabilidade estrutural do setor.

Segundo Pedrozo, o campo enfrenta um cenário em que qualquer instabilidade — seja climática, cambial, de mercado ou política — se transforma rapidamente em risco. O resultado é um ambiente de apreensão crescente entre os produtores rurais, de todos os portes.

O número recorde de agricultores que recorrem à recuperação judicial (RJ) é, segundo ele, um dos sinais mais claros de que há um problema sistêmico em curso.

Custos elevados e endividamento pressionam o campo

Pedrozo aponta que, em todas as cadeias produtivas, os custos de produção dispararam, com insumos dolarizados, energia, sementes e mão de obra mais caros. As margens de lucro estão comprimidas, inviabilizando muitos negócios e levando diversas atividades a operarem no vermelho.

Além disso, o aumento da taxa Selic elevou o custo do crédito e das dívidas, ampliando o endividamento rural e reduzindo a capacidade de investimento dos produtores.

Crédito rural insuficiente agrava o cenário

A escassez de recursos para o crédito rural é hoje um dos principais entraves para a continuidade da produção, alerta Pedrozo. Segundo ele, as linhas de custeio e investimento, que deveriam garantir estabilidade e planejamento, chegam atrasadas, em volume insuficiente — ou simplesmente não chegam.

“Essa é uma questão que exige resposta imediata do Governo Federal. A falta de crédito ameaça paralisar o campo e colocar em risco a segurança alimentar do país”, ressalta.

Consequências: menor produção e alimentos mais caros

O dirigente adverte que a falta de crédito tende a gerar uma reação em cadeia: menor produção, safras menores, redução da oferta e aumento dos preços ao consumidor. Ele lembra que o Brasil já passou por momentos semelhantes no passado, com impactos diretos na inflação.

Leia Também:  Brasil e China avançam em cooperação agrícola com criação de Força-Tarefa de Financiamento

“Repetir esse erro agora seria imperdoável”, afirmou Pedrozo, alertando que o desequilíbrio financeiro do setor pode ter efeitos severos sobre toda a economia nacional.

Recuperações judiciais disparam e revelam falhas na política agrícola

De acordo com dados mencionados no artigo, os pedidos de recuperação judicial somaram 2.273 apenas em 2024, representando um aumento de 62% em relação ao ano anterior, e a tendência de alta continua em 2025.

Pedrozo reconhece que a RJ é um instrumento legítimo, mas reforça que não pode se tornar regra. “Quando milhares de produtores recorrem à recuperação judicial, o que está em crise não é apenas a capacidade de pagamento — é a política agrícola do País”, enfatiza.

“O crédito rural não é um privilégio, é uma necessidade”, afirma Pedrozo

O presidente da Faesc ressalta que os extremos climáticos, a volatilidade das commodities, a retração do crédito e a instabilidade econômica formaram uma “tempestade perfeita” para o agronegócio.

Ele defende que ampliar o volume de recursos subsidiados para o crédito rural é uma questão de Estado, e não de escolha política.

“O crédito rural não é um favor nem um privilégio: é uma política pública essencial que sustenta a produção, o abastecimento e a estabilidade econômica. Sem ele, não há agricultura forte, não há interior vivo, não há futuro”, reforça Pedrozo.

Campo pede socorro: ação imediata é vital

Encerrando seu alerta, José Zeferino Pedrozo faz um apelo para que o governo federal reaja antes que a crise se torne irreversível.

“O campo pede socorro — e ignorar esse pedido é comprometer não apenas o presente da produção, mas o futuro de toda a nação”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia Também:  Região Sul domina produção nacional de trigo enquanto Argentina amplia exportações e mercado ajusta paridades

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

Por

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Região Sul domina produção nacional de trigo enquanto Argentina amplia exportações e mercado ajusta paridades

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Cafés especiais do Brasil podem gerar US$ 252 milhões em negócios na Europa e ampliam presença no mercado internacional

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA