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Biotecnologia impulsiona produtividade do trigo no Sul do Brasil

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No Sul do Brasil, região tradicionalmente conhecida pela produção de trigo, produtores enfrentam um cenário de clima instável, manejo mais exigente e aumento dos custos de produção. Para reduzir perdas e fortalecer o solo, as biotecnologias vêm ganhando espaço na triticultura, oferecendo soluções que aumentam a produtividade e melhoram a qualidade dos grãos.

Desde 2016, a Superbac realiza ensaios na região, com resultados que indicam aumento médio de 1,5 saca por hectare, desenvolvimento radicular mais robusto e melhor aproveitamento dos nutrientes.

Paraná e Rio Grande do Sul lideram produção nacional

O Paraná e o Rio Grande do Sul concentram cerca de 85% da produção nacional de trigo, segundo dados do IBGE. Nessas áreas, os fatores naturais — como inverno frio ou ameno, boa disponibilidade hídrica e solos férteis — historicamente favorecem a cultura.

Apesar disso, os produtores enfrentam desafios crescentes, como maior pressão de patógenos, presença de plantas daninhas resistentes e a necessidade de manejo nutricional preciso para manter altas produtividades.

Bioinsumos transformam o manejo do trigo

De acordo com Victor Augusto Zanellato de Souza, engenheiro agrônomo da Superbac, a adoção de bioinsumos, como fertilizantes biotecnológicos e biodefensivos, tem ajudado os produtores a enfrentar essas dificuldades.

“Os fertilizantes biotecnológicos aumentam a eficiência da nutrição e promovem a formação de raízes mais profundas. Já os biodefensivos atuam no controle biológico de nematoides e patógenos, reduzindo a pressão de doenças nos momentos críticos do ciclo”, explica Souza.

Além dos ganhos produtivos, a utilização dessas tecnologias melhora a estrutura do solo, aumenta a atividade microbiana e reduz a dependência de insumos químicos tradicionais.

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Mercado de biodefensivos em expansão

O mercado brasileiro de biodefensivos cresce rapidamente, com estimativa de movimentar cerca de R$ 3,8 bilhões e expansão anual de 15%. Para os produtores de trigo do Sul, isso representa maior estabilidade do solo e oportunidades de elevar a produtividade mesmo em condições adversas.

Resultados dos ensaios da Superbac

Nos 79 ensaios conduzidos pela Superbac, os efeitos das soluções biológicas foram evidentes: plantas com sistema radicular mais desenvolvido, maior vigor desde o início da cultura e melhor aproveitamento de nutrientes. O resultado médio observado foi de 1,5 saca/ha a mais em produtividade.

“Os benefícios são perceptíveis já na primeira safra, principalmente na fase inicial, quando o estabelecimento radicular é determinante. O uso contínuo potencializa os efeitos devido ao acúmulo de atividade biológica no solo”, destaca Souza.

Além disso, houve impacto positivo na qualidade dos grãos, com melhorias na fisiologia das plantas e no perfil físico-industrial do produto final.

Desafios persistem na triticultura

Apesar dos avanços, o cultivo de trigo no Sul ainda enfrenta desafios: clima instável com geadas, chuvas mal distribuídas e secas pontuais; pragas e doenças em crescimento; resistência de plantas daninhas; volatilidade de preços e alta exigência técnica.

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Segundo Souza, a biotecnologia oferece duas contribuições principais:

  • Regeneração do solo – impulsiona a atividade microbiana, fortalece a resiliência das plantas e cria um ambiente mais fértil e produtivo.
  • Sustentabilidade e eficiência – diminui a dependência de químicos, melhora o aproveitamento de insumos e garante lavouras mais equilibradas e rentáveis.

Para o engenheiro agrônomo, a biotecnologia não é apenas um complemento, mas uma parte central da estratégia para produtividade, qualidade e competitividade da triticultura no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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