AGRONEGÓCIO
Açúcar e Etanol: oscilações no mercado global e política monetária brasileira moldam o cenário econômico de 2026
AGRONEGÓCIO
Os preços do açúcar e do etanol seguem oscilando no mercado global e nacional, refletindo fatores externos, câmbio e as recentes decisões do Banco Central do Brasil (BCB). As commodities agrícolas estão diretamente ligadas à política monetária e ao comportamento da inflação, que continuam sob atenção do setor produtivo em 2026.
Açúcar tem leve volatilidade nos mercados internacionais
No mercado internacional, o açúcar apresentou comportamento misto nos últimos pregões. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos do açúcar bruto oscilaram entre pequenas altas e baixas. O vencimento março/26 encerrou em US$ 0,1470 por libra-peso, enquanto o contrato maio/26 teve leve valorização.
Já na Bolsa de Londres, o açúcar branco mostrou reação mais positiva. O contrato para maio/26 fechou próximo de US$ 416 por tonelada, indicando firmeza nas cotações europeias.
De acordo com analistas de mercado, o cenário ainda é de pressão por oferta elevada na safra global 2025/26, especialmente devido à ampla disponibilidade de açúcar no Brasil e aos embarques da Índia. Apesar disso, há expectativa de recuperação gradual dos preços ao longo de 2026, impulsionada por uma possível redução do excedente mundial.
Projeções indicam possível recuperação em 2026
Segundo análise do Citi Research, os preços do açúcar podem ter atingido o piso e tendem a se recuperar levemente em 2026, com médias entre 16 e 17 cents por libra-peso. A retomada dependerá de ajustes no balanço global, estoques menores e maior direcionamento da cana para o etanol no Brasil.
O cenário reforça a correlação entre as decisões de produção das usinas, o câmbio e os preços internacionais da commodity.
Etanol hidratado recua no mercado interno
No Brasil, o etanol hidratado registrou queda nas cotações. Conforme o Indicador Diário de Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 3.156 por m³, baixa de 0,47% em relação ao dia anterior.
A desvalorização reflete o aumento da oferta e o ritmo mais lento da demanda no início do ano. Ainda assim, a expectativa é de que o consumo se recupere gradualmente, acompanhando a tendência de estabilização dos preços dos combustíveis fósseis.
Açúcar cristal mostra leve recuperação no mercado interno
O Indicador Cepea/Esalq aponta que o açúcar cristal branco teve leve valorização nas usinas paulistas, com a saca de 50 kg negociada a R$ 104,78, alta de 0,17%.
Mesmo assim, o acumulado de janeiro ainda mostra queda de 4,7%, refletindo o equilíbrio delicado entre oferta abundante e demanda retraída — fatores que continuam determinantes para o comportamento do mercado doméstico.
Banco Central mantém Selic e adota postura cautelosa
Em sua primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A decisão reforça a estratégia de controle da inflação e preservação das expectativas do mercado financeiro.
O Banco Central sinalizou, entretanto, que poderá iniciar um ciclo gradual de redução dos juros a partir de março de 2026, caso os indicadores de inflação e atividade econômica se mantenham dentro das metas.
Inflação recua e melhora projeção para o ano
Os dados mais recentes indicam que a inflação brasileira está sob controle, próxima de 4% no acumulado de 12 meses, conforme o Relatório Focus. O movimento de queda é sustentado pela estabilidade dos preços de alimentos e combustíveis, o que cria condições para cortes graduais na Selic ao longo de 2026.
Esse ambiente favorece o crédito rural e a atividade industrial ligada ao agronegócio, setores que dependem diretamente do custo financeiro para investimentos e custeio da produção.
Câmbio e commodities seguem no radar do mercado
O câmbio permanece como uma das principais variáveis de risco em 2026. A valorização do dólar frente ao real beneficia exportadores de açúcar e etanol, mas também pressiona os custos internos de produção e insumos agrícolas.
Esse movimento reforça a necessidade de atenção à volatilidade do mercado internacional e à política monetária global, principalmente diante das eleições norte-americanas e das decisões do Federal Reserve (Fed), que impactam diretamente os fluxos cambiais no Brasil.
Perspectivas para o restante de 2026
Com inflação controlada, juros estáveis e expectativa de leve recuperação nas commodities, o cenário para o agronegócio brasileiro é de ajuste gradual e estabilidade. A combinação entre fundamentos econômicos sólidos e câmbio competitivo pode manter o setor sucroenergético em posição estratégica no comércio global ao longo do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade do agronegócio brasileiro e pressiona custos no campo
A elevada dependência de fertilizantes importados segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro, mesmo diante da posição de destaque do país no comércio global de alimentos. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de forte oscilação geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de insumos.
A avaliação é de Nivio Domingues, da Samba Export Brazil, especialista no mercado de insumos agrícolas e seus impactos sobre o custo de produção e a formação de preços dos grãos.
Brasil bate recorde, mas segue altamente dependente de importações
Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa um recorde histórico para o setor.
Apesar disso, a dependência externa permanece elevada: do total consumido, 43,32 milhões de toneladas foram importadas, o equivalente a 88,2% do mercado nacional.
A concentração é ainda mais crítica quando analisada por nutriente:
- Potássio: 97% importado
- Nitrogênio: 95% importado
- Fósforo: 75% importado
Até fevereiro de 2026, a Rússia liderava como principal fornecedora individual de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 22,1% das compras externas.
Risco geopolítico afeta planejamento do agro brasileiro
A forte dependência externa expõe diretamente cadeias produtivas estratégicas do agronegócio, como soja, milho, café e proteínas animais, a decisões tomadas fora do país.
O impacto desse risco ficou evidente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, que interrompeu parte do fornecimento de potássio oriundo da Rússia e da Bielorrússia. O episódio acendeu um alerta global sobre segurança de insumos e seu reflexo direto no plantio em importantes regiões produtoras do Brasil, como Mato Grosso e Paraná.
Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050
Diante desse cenário, entidades do setor produtivo como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA têm articulado o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.
Entre os principais gargalos, está a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos. Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país, enquanto novos projetos de fertilizantes NPK dependem de maior investimento privado e segurança regulatória para avançar.
Fertilizantes já influenciam preço dos grãos e margens do produtor
No comércio internacional, o custo dos fertilizantes já faz parte das negociações globais de grãos, influenciando diretamente a competitividade do Brasil no mercado externo.
A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, do milho e do açúcar nos portos brasileiros, ampliando a exposição do produtor rural a fatores que não estão sob seu controle direto.
Segundo especialistas do setor, a dependência externa cria um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor.
Potencial mineral ainda subaproveitado no Brasil
Para analistas do setor, o país ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. O exemplo mais citado é a reserva de potássio localizada em Sergipe, considerada uma das mais importantes do hemisfério ocidental.
“O Brasil não é potência agrícola apesar da dependência de fertilizante importado: é potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante”, avalia Domingues. Segundo ele, avançar nessa agenda teria impacto direto na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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