AGRONEGÓCIO
Milho enfrenta cenário de alta volatilidade com tensões geopolíticas e avanço da colheita no Brasil
AGRONEGÓCIO
Panorama internacional: petróleo e conflitos elevam volatilidade no milho
O mercado global de milho iniciou março sob forte oscilação, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre energia, fertilizantes e custos agrícolas.
De acordo com a TF Agroeconômica, a escalada entre EUA, Israel e Irã ampliou o risco de interrupções no fluxo energético no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. A alta do barril, que superou 8% nesta segunda-feira (2), pressiona custos logísticos e energéticos da produção agrícola e pode encarecer fertilizantes como ureia e amônia — itens nos quais o Oriente Médio tem papel central.
Essas incertezas levaram fundos internacionais a aumentar posições em commodities agrícolas, como forma de proteção inflacionária. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo tende a fortalecer a competitividade dos biocombustíveis, ampliando o interesse no etanol de milho.
No entanto, a safra recorde da América do Sul adiciona volume ao mercado global e limita altas expressivas. Analistas também apontam que uma eventual trégua diplomática poderia retirar rapidamente o prêmio de risco atualmente embutido nas cotações internacionais.
Milho sobe em Chicago, mas dólar limita ganhos
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho operaram em campo misto na manhã desta segunda-feira (2). O vencimento maio/26 era cotado a US$ 4,49 por bushel, com alta de 1,25 ponto, enquanto o contrato julho/26 avançava 2,25 pontos, negociado a US$ 4,58.
Segundo a Farm Futures, os preços foram impulsionados pelo aumento do petróleo e pela busca de proteção diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
“O mercado de grãos está reagindo mais às tensões geopolíticas do que aos fundamentos neste momento”, avaliou o analista Bruce Blythe, da Farm Futures.
Por outro lado, a valorização de 0,7% do dólar reduziu o ímpeto de alta, ao tornar os produtos agrícolas norte-americanos menos competitivos no mercado global, conforme destacou Tony Driebus, da Successful Farming.
Mercado brasileiro: estabilidade inicial e posterior recuperação dos preços
No Brasil, o indicador do milho apresentou comportamento irregular nas últimas semanas. Após atingir valores próximos de R$ 70,00 por saca, as cotações recuaram até R$ 65,80, influenciadas pela oferta interna confortável e pela demanda retraída.
A partir desse piso técnico, houve recuperação gradual, com preços retornando à faixa de R$ 69,00, segundo a TF Agroeconômica. O suporte principal permanece em R$ 66,00, enquanto R$ 70,00 se consolida como zona de resistência no curto prazo.
Produtores priorizam colheita da soja e reduzem oferta de milho
Pesquisadores do Cepea destacam que produtores brasileiros estão concentrados na colheita e escoamento da soja, o que reduz o volume de milho disponível no mercado spot.
Nas regiões consumidoras, como São Paulo, a oferta restrita tem sustentado as cotações. Já no Sul do país, onde a colheita da safra de verão avança, os preços mostram enfraquecimento, embora as quedas sejam limitadas pela retenção dos produtores, que aguardam melhora nas cotações.
Sul e Centro-Oeste enfrentam baixa liquidez e preços regionais variados
O avanço da colheita mantém o mercado de milho com baixa liquidez e negociações pontuais em importantes estados produtores.
- No Rio Grande do Sul, a colheita da safra 2025/26 chegou a 60% da área, com produtividade dentro das projeções, mas com perdas em locais afetados pela seca. O preço médio caiu 0,97%, para R$ 58,24 por saca, com variação entre R$ 56,00 e R$ 64,00.
- Em Santa Catarina, o mercado segue travado: produtores pedem R$ 75,00, enquanto as ofertas industriais giram em torno de R$ 65,00.
- No Paraná, as vendas se concentram entre R$ 60,00 e R$ 70,00, com 42% da primeira safra colhida e 45% da segunda plantada, segundo o Deral.
- Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 53,00 e R$ 56,00, com recuperação moderada puxada pela demanda de bioenergia.
Milho fecha fevereiro com valorização nas bolsas
O mês de fevereiro foi encerrado com desempenho positivo tanto na B3 quanto na CBOT, influenciado por fatores climáticos, cambiais e expectativas de demanda.
Na B3, o contrato maio/26 subiu 4,24%, encerrando a R$ 71,72, enquanto em Chicago o mesmo vencimento avançou 2,93%, cotado a US$ 4,4850 por bushel.
No mercado físico, o milho acumulou alta de 5,19% no mês, sustentado pela demanda interna e pelo temor de atrasos no plantio da safrinha.
O dólar encerrou fevereiro com queda de 2,16%, limitando ganhos maiores ao reduzir a competitividade das exportações brasileiras. Ainda assim, analistas projetam maior demanda por etanol de milho e manutenção de preços firmes, caso o petróleo siga valorizado.
Perspectivas: curto prazo volátil e atenção ao cenário externo
Especialistas consultados pela TF Agroeconômica e pelo Cepea projetam que o milho deve permanecer em faixa de oscilação estreita, influenciado pela interação entre o avanço da colheita doméstica e o ambiente internacional de risco elevado.
A combinação entre volatilidade cambial, conflito geopolítico e demanda por energia tende a manter o mercado instável nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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