AGRONEGÓCIO
PIB do agronegócio deve ficar em 1,22% em 2026 após salto de 11,7% no ano passado
AGRONEGÓCIO
Depois de avançar 11,7% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária deve desacelerar de forma significativa em 2026. Pelo menos é que o prevê a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade projeta crescimento de 1,22% neste ano, em estimativa preliminar que ainda será revisada após a consolidação dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em dezembro, a CNA previa expansão de 2,3%. A revisão ocorre após o desempenho acima do esperado em 2025, que elevou a base de comparação para este ano. Segundo especialistas da CNA, o avanço expressivo do ano passado — puxado por safra recorde e bom desempenho da pecuária — altera a dinâmica estatística de 2026.
Com crescimento mais moderado do agro frente aos demais setores, a participação da agropecuária no PIB brasileiro deve recuar de 7,54% em 2025 para cerca de 6,9% neste ano, segundo cálculo preliminar da entidade.
A desaceleração ocorre em ambiente macroeconômico mais desafiador. Para o PIB nacional, a CNA estima crescimento de 1,95% em 2026, abaixo dos 2,3% registrados no ano anterior.
Pesam sobre o cenário a perspectiva de inflação mais resistente, manutenção de juros elevados ao longo do ano, incertezas geopolíticas — especialmente relacionadas ao conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo — e possível impacto sobre fertilizantes e custos de produção. Também entram na conta a volatilidade cambial, o poder de compra das famílias e o ritmo de crescimento da renda.
O resultado de 2025 superou as projeções iniciais da própria CNA, que em dezembro estimava alta de 8,3%. A expansão de 11,7% foi sustentada por safra recorde de grãos e desempenho robusto da pecuária.
Além de soja e milho, destacaram-se café conilon, laranja e arroz. O feijão teve contribuição negativa. Na pecuária, tanto a produção de corte quanto a leiteira registraram números favoráveis, com exportações em bom ritmo.
Segundo cálculos da entidade, se a agropecuária tivesse permanecido estável em 2025, o PIB brasileiro teria crescido menos de 1,5%. O setor respondeu por aproximadamente 0,8 ponto porcentual da expansão econômica no ano passado.
Para este ano, o desempenho dependerá do comportamento da safra em curso e do ambiente externo. A primeira safra está em fase de colheita, enquanto o plantio do segundo ciclo avança nas principais regiões produtoras.
Entre os fatores de risco apontados pela CNA estão incertezas climáticas, eventuais medidas de defesa comercial da China sobre a carne bovina, tensões no Oriente Médio com reflexos nos preços de fertilizantes, além do cenário doméstico de crédito mais restrito.
Historicamente, o PIB da agropecuária apresenta desempenho mais forte no primeiro trimestre, impulsionado pela colheita da safra de verão, especialmente soja. O segundo trimestre tende a mostrar arrefecimento, seguido por período mais fraco no terceiro trimestre e nova aceleração no fim do ano, com culturas de inverno e aumento do abate pecuário.
Para o início de 2026, a avaliação técnica é de viés positivo, ainda que haja preocupação com o excesso de umidade em parte das lavouras de soja e seus possíveis efeitos sobre qualidade e produtividade.
O quadro, portanto, combina fundamentos ainda sólidos no campo com um ambiente macroeconômico e internacional mais complexo — suficiente para reduzir o ritmo, mas não para interromper a trajetória de crescimento do setor.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Queda da fertilidade global e mudança demográfica pressionam cenário das commodities, aponta análise
A aceleração da queda nas taxas de fertilidade em diversos países está redesenhando premissas fundamentais usadas em análises de mercado, com impactos potenciais relevantes para o agronegócio global e para o comportamento das commodities no médio e longo prazo.
A avaliação é de Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, que vem acompanhando a revisão contínua dos dados demográficos em diferentes regiões do mundo. Segundo ele, as projeções populacionais atuais já se distanciam significativamente dos cenários elaborados há apenas cinco anos.
Fertilidade abaixo do esperado em escala global
De acordo com a análise, nenhum país monitorado pela Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta hoje taxa de fertilidade dentro das projeções consideradas mais pessimistas feitas anteriormente. Em praticamente todos os casos, os índices atuais estão abaixo do pior cenário previsto.
Para manutenção do equilíbrio populacional no longo prazo, a taxa de reposição demográfica é de aproximadamente 2,1 filhos por mulher. No entanto, os números atuais mostram um descolamento estrutural dessa referência:
- Nigéria: cerca de 4,5 filhos por mulher
- Índia: 2,0 filhos por mulher (ligeiramente abaixo da reposição)
- Brasil: 1,6 filho por mulher
- China: 1,0 filho por mulher
No caso chinês, os dados mais recentes já indicam não apenas desaceleração, mas uma tendência consolidada de redução populacional.
China concentra maior distância entre projeção e realidade
O ponto de maior atenção entre os analistas é a China. Há cinco anos, as estimativas indicavam que o país estaria hoje com taxa de fertilidade entre 1,7 e 1,9 filho por mulher. O resultado atual, em torno de 1,0, representa uma divergência significativa em relação aos modelos anteriores.
Essa diferença reforça a percepção de que as projeções demográficas vêm sendo revisadas para baixo de forma contínua, acompanhando a aceleração do envelhecimento populacional e a queda na taxa de nascimentos.
Cenário pode configurar “colapso populacional” em algumas economias
Segundo Marcos Rubin, novas revisões devem indicar números ainda menores nos próximos ciclos de atualização. Esse movimento é interpretado por parte dos especialistas como um processo de colapso populacional em determinadas economias, especialmente aquelas já abaixo da taxa de reposição há anos.
Os efeitos econômicos não são imediatos, mas tendem a se tornar mais relevantes em um horizonte de cinco a dez anos, conforme o envelhecimento populacional se intensifica e a força de trabalho começa a encolher em diversos países.
Impactos diretos no agronegócio e nas commodities
No setor do agronegócio, a principal implicação está na revisão das premissas de demanda global por alimentos. Estratégias e projeções que ainda assumem crescimento populacional linear podem estar superestimando o ritmo futuro de expansão do consumo.
O avanço mais lento — ou até a redução — da população em grandes mercados consumidores altera o papel da demografia como motor estrutural das commodities. Nas últimas décadas, esse fator foi um dos principais sustentadores do crescimento da demanda global por alimentos.
Com a mudança em curso, o setor passa a enfrentar um novo cenário, no qual eficiência produtiva, abertura de novos mercados e mudanças no padrão de consumo ganham ainda mais relevância para sustentar o crescimento da demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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