AGRONEGÓCIO
Plataforma de gestão agrícola monitora 5 milhões de hectares no Brasil e amplia eficiência nas fazendas
AGRONEGÓCIO
A digitalização da gestão agrícola avança no campo brasileiro. A plataforma MyFarm, desenvolvida pela Aliare, já monitora aproximadamente 5 milhões de hectares de áreas agrícolas no país, considerando cultivos de safra e safrinha. O sistema é utilizado atualmente por cerca de 500 produtores rurais, principalmente médios e grandes produtores de grãos.
Segundo dados da empresa, o uso da tecnologia tem contribuído para reduzir custos e melhorar o desempenho financeiro das propriedades, com economia média de 5% na compra de insumos e aumento de 4% na rentabilidade na comercialização da saca de soja.
A meta da companhia é ampliar o alcance da plataforma e atingir 8 milhões de hectares gerenciados até 2026, com maior uso de ferramentas de inteligência artificial voltadas à gestão agrícola.
Gestão integrada melhora eficiência e previsibilidade financeira
De acordo com Leandro Xavier, diretor executivo da vertical Produtor Rural da Aliare, os resultados demonstram a importância da gestão integrada para propriedades de maior escala.
Segundo ele, pequenas variações percentuais podem representar ganhos financeiros significativos quando aplicadas a grandes áreas produtivas.
“O objetivo do MyFarm é transformar dados operacionais e financeiros em informações práticas, permitindo que o produtor tome decisões mais seguras e rentáveis no dia a dia da fazenda”, afirma.
Aplicativo mais rápido e funcionamento offline facilitam uso no campo
Entre as melhorias recentes da plataforma está o redesign do aplicativo, que passou a oferecer navegação mais intuitiva, maior velocidade e funcionamento offline.
Essa funcionalidade permite que as operações continuem sendo registradas mesmo em regiões onde a conectividade com a internet é limitada, realidade comum em diversas áreas agrícolas do país.
A atualização também busca tornar o sistema mais prático para o uso no campo, integrando informações operacionais e gerenciais em um único ambiente digital.
Business Intelligence agrícola amplia análise da safra
Outro recurso incorporado ao sistema é o Book da Safra, painel de Business Intelligence (BI) que reúne dados estratégicos sobre o desempenho das lavouras.
A ferramenta permite acompanhar indicadores como:
- custos de produção
- rentabilidade da safra
- ponto de equilíbrio da operação
- desempenho por talhão
- produtividade por variedade cultivada
Com essas informações centralizadas, o produtor consegue realizar análises mais detalhadas para apoiar o planejamento e a gestão da produção.
Agricultura digital integra dados de campo, clima e satélite
O Módulo de Agricultura Digital da plataforma conecta diferentes fontes de informação agronômica. Entre os dados integrados estão:
- imagens de satélite
- monitoramento das lavouras
- informações climáticas
- registros agronômicos
- aplicações em taxa variável
Esses dados passam a ser vinculados à gestão financeira e ao planejamento das atividades agrícolas.
Segundo Cicílio Manfroi, especialista de produto da Aliare, essa integração permite que o produtor tenha uma visão mais ampla da operação.
“A integração entre dados agronômicos, financeiros e operacionais é fundamental para quem administra grandes áreas. O produtor passa a ter uma visão consolidada do negócio, com mais controle e agilidade para ajustar decisões ao longo da safra”, explica.
Plataforma amplia controle operacional nas propriedades
Além dos recursos analíticos, o sistema também oferece ferramentas voltadas à organização das atividades agrícolas, como:
- controle de inventários
- calendário de colheita
- gestão de permissões por equipe ou função
- execução integrada de tarefas em diferentes talhões
Essas funcionalidades ajudam a ampliar a padronização, rastreabilidade e controle das operações agrícolas, fatores cada vez mais relevantes para a gestão profissional das propriedades.
Inteligência artificial deve ampliar recursos da plataforma
Para os próximos anos, a Aliare prevê a ampliação das funcionalidades da plataforma com o uso de inteligência artificial aplicada à gestão rural.
Entre os novos recursos previstos estão soluções voltadas para:
- gestão de compras e contratos
- integração com área contábil
- central de notificações inteligentes
- apoio avançado à tomada de decisão
A expectativa da empresa é que essas ferramentas reforcem o papel da tecnologia na gestão estratégica das propriedades rurais, contribuindo para maior eficiência produtiva e sustentabilidade financeira no agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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