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Fiscalização e prevenção: atuação do MPAC fortalece políticas de segurança pública no estado

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A segurança pública ocupa papel estratégico e permanente na atuação do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). Nos últimos anos, a instituição consolidou um modelo de trabalho baseado em planejamento, prevenção, fiscalização e produção de dados, ampliando sua capacidade de induzir políticas públicas e de atuar de forma estruturante no setor.

Essa atuação se materializa principalmente por meio da Promotoria de Justiça Especializada de Tutela do Direito Difuso à Segurança Pública, unidade inédita no país. O MPAC foi o primeiro Ministério Público estadual a instalar uma promotoria com atribuição exclusiva na tutela desse direito coletivo. Com sede na Comarca de Rio Branco, a unidade assumiu um papel que extrapola a atuação judicial tradicional, ao combinar ações preventivas, resolutivas e de controle.

“A criação da Promotoria mostrou-se uma iniciativa inovadora entre os Ministérios Públicos estaduais e tem permitido avanços importantes na área da segurança pública, especialmente no que diz respeito à transparência, à efetividade e à continuidade das políticas públicas, tanto no âmbito municipal quanto no estadual”, afirmou o titular da unidade, promotor de Justiça Rodrigo Curti.

Relatórios anuais indicam que, entre 2022 e 2025, a Promotoria intensificou o acompanhamento da execução de políticas públicas, a fiscalização da atividade policial e do sistema penitenciário, bem como o desenvolvimento de iniciativas voltadas à redução da violência e à proteção de direitos fundamentais. A atuação passou a priorizar diagnósticos técnicos, diálogo com gestores e cobrança do poder público.

Planejamento, dados e indução de políticas públicas

Um dos eixos centrais da atuação tem sido o monitoramento sistemático do Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social 2021–2030. Desde a instituição do plano, a Promotoria acompanha metas e cobra providências, reforçando a cultura do planejamento no setor.

Nesse contexto, a produção de dados ganhou dimensão estratégica. A unidade desenvolveu, por exemplo, a Pesquisa de Opinião Pública sobre a (In)satisfação com a Segurança Pública em Rio Branco, iniciativa que ouviu a população e identificou percepções sobre violência, policiamento e atuação estatal. Os resultados passaram a subsidiar debates, recomendações e ajustes nas políticas públicas.

Para Rodrigo Curti, iniciativas como essa contribuem para consolidar o Ministério Público como agente indutor de soluções estruturais na área da segurança pública. “O Ministério Público tem atuado como verdadeiro protagonista, buscando garantir avanços estruturais e estimular políticas públicas, especialmente no campo da prevenção, inclusive no âmbito municipal. A população pode ter certeza de que nosso trabalho tem sido dedicado e inovador e que já temos colhido resultados importantes a partir dessa atuação”, destacou.

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No campo da transparência, foram instaurados procedimentos para fiscalizar a divulgação de estatísticas criminais e o cumprimento da Lei de Acesso à Informação, fortalecendo o controle social e a publicidade dos dados oficiais.

A atuação combinada na execução penal soma-se a esse conjunto de iniciativas. A Promotoria acompanha milhares de processos, fiscaliza o cumprimento das penas e cobra políticas efetivas de ressocialização e reinserção social.

Nessa área, foi realizado levantamento inédito sobre o perfil das pessoas privadas de liberdade no Acre, que permitiu identificar os crimes mais recorrentes e a incidência de delitos contra vítimas vulneráveis. A partir desse diagnóstico, foi criado o subprojeto “Notifica!”, iniciativa voltada a assegurar o direito à informação das vítimas, com comunicação sobre progressão de regime, prisão domiciliar e saída do autor do crime do sistema prisional. A proposta reforça o reconhecimento do papel das vítimas também na fase de execução penal.

Já no que se refere à atuação policial, o MPAC também ajuizou, no ano passado, uma ação civil pública para obrigar o Estado do Acre a implementar, de forma efetiva e estruturada, a política pública de uso de câmeras corporais por policiais militares. A medida foi adotada para garantir maior transparência nas ações policiais, produzir provas confiáveis, prevenir abusos e proteger os direitos dos cidadãos e dos próprios agentes públicos.

O órgão ainda articulou para que a Polícia Militar passasse a lavrar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), um registro simplificado utilizado em casos de infrações penais de menor potencial ofensivo. A medida tornou o registro mais rápido e eficiente, podendo ser feito pela PM no próprio local do fato, evitando deslocamentos até delegacias.

Segurança viária, direitos humanos e grupos vulneráveis

A segurança viária passou a ocupar posição de destaque após análises técnicas apontarem aumento expressivo de acidentes e mortes no trânsito em Rio Branco. A Promotoria expediu recomendações, cobrou medidas estruturais e, diante da insuficiência das providências adotadas, ajuizou ação civil pública para melhorias na sinalização e a implantação de fiscalização eletrônica.

O MPAC também atuou de forma preventiva em grandes eventos, como o Carnaval, com fiscalização de protocolos de segurança, reuniões de alinhamento com órgãos públicos e garantia do monitoramento de pessoas submetidas a medidas cautelares.

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Outro resultado foi o fortalecimento da governança local em segurança pública. A Promotoria participou da criação do Conselho Municipal de Segurança Pública e Defesa Social de Rio Branco e fomentou a estruturação do Fundo Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (FUMSEG), um marco para ampliação da capacidade do município de planejar, financiar e executar políticas de prevenção à violência.

Ao longo do período, o MPAC participou de audiências públicas, reuniões interinstitucionais, campanhas educativas e ações conjuntas com órgãos estaduais, federais e municipais, reforçando a compreensão de que a segurança pública exige respostas integradas, contínuas e baseadas na cooperação institucional.

A atuação também se destaca pela transversalidade com a defesa dos direitos humanos. A instituição acompanha políticas voltadas à proteção de crianças e adolescentes, à segurança escolar, às pessoas em situação de rua, ao atendimento humanizado em institutos médico-legais e às condições nos presídios.

Projetos como “Céu Limpo, Vida Segura” e “Cerol Mata”, que alertam sobre os riscos do uso de cerol e da linha chilena em pipas, mobilizaram a sociedade, envolveram fiscalizações e campanhas educativas e alcançaram ampla repercussão, tornando-se referência em ações preventivas de baixo custo e impacto significativo.

Prioridade da gestão

A segurança pública foi definida como uma das prioridades da atual gestão do MPAC, iniciada em janeiro deste ano. Reuniões com membros que atuam na área estabeleceram as primeiras diretrizes que irão nortear a atuação institucional, com atenção ao enfrentamento das organizações criminosas, ao fortalecimento de estratégias integradas de prevenção e controle da violência e à interiorização dessas ações.

Para o procurador-geral de Justiça, Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto, o fortalecimento da atuação na área representa compromisso permanente com a sociedade acreana. Segundo ele, o desafio é manter a atuação orientada por planejamento e ampliar ainda mais os resultados.

“O MPAC continuará atuando com responsabilidade para fortalecer as políticas de segurança pública. Isso significa cobrar planejamento, corrigir falhas estruturais e induzir soluções que tragam estabilidade e previsibilidade às ações do Estado. Segurança pública não se constrói com medidas isoladas, mas com atuação contínua, integração institucional e foco permanente na proteção da vida e na garantia de direitos”, disse.

Texto: Hudson Castelo
Agência de Notícias do MPAC

Fonte: Ministério Publico – AC

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Projeto do MPAC fortalece rede de proteção às mulheres em situação de violência no Acre

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O Projeto Proteja Mulher, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CAOP-DH), do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e do Observatório de Gênero (OBSGênero), vem ampliando sua atuação no interior do estado. A iniciativa busca fortalecer a rede de atendimento às mulheres em situação de violência e aprimorar os fluxos de acolhimento, encaminhamento e proteção.

A ação mais recente foi realizada em Xapuri, entre os dias 14 e 17 de setembro, quando a equipe do OBSGênero e do CAOP-DH, com apoio da Promotoria de Justiça Cumulativa do município, realizou um diagnóstico junto a profissionais que atuam diretamente no atendimento às mulheres. Foram ouvidos representantes da Delegacia de Polícia, da Patrulha Maria da Penha, do hospital, das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), do Conselho Tutelar, do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e das secretarias municipais da Mulher e de Assistência Social.

A programação incluiu uma oficina com profissionais da Rede de Atendimento à Mulher em situação de violência. Também foram apresentados dados sobre feminicídio, violência doméstica e familiar e violência sexual no Acre, além de discussões sobre a aplicação da Lei Maria da Penha, acolhimento humanizado e aperfeiçoamento dos fluxos de atendimento.

Para a promotora de Justiça substituta Renata Barbosa, que responde pela Promotoria de Justiça Cumulativa de Xapuri, a experiência na unidade ministerial demonstra que a maior parte dos processos criminais tem origem em episódios de violência doméstica e familiar.

“O Ministério Público não se limita a processar o passado, mas tem se antecipado e atuado na raiz do problema. O Proteja Mulher é um meio para fazer o levantamento fiel de como está estruturada, hoje, a rede de proteção à mulher em nossa comarca. Precisamos saber, com precisão, onde a rede protege com eficiência e onde ela ainda apresenta lacunas. Só conhecendo esse retrato real poderemos agir com efetividade”, frisou.

Um projeto criado a partir dos dados da violência

Lançado em setembro de 2022, o Proteja Mulher foi criado para fortalecer as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e ampliar a articulação da rede de proteção. A iniciativa foi estruturada a partir de dados produzidos pelo OBSGênero sobre a violência contra as mulheres no Acre e adota uma metodologia de atuação integrada entre diferentes serviços.

Entre 2018 e janeiro de 2024, apenas 10% das vítimas de feminicídio no estado tinham ou haviam tido anteriormente medidas protetivas de urgência. O dado reforçou a necessidade de ampliar o acesso das mulheres aos serviços de proteção e aprimorar a capacidade da rede para identificar situações de violência e realizar os encaminhamentos.

O trabalho envolve profissionais das áreas de segurança pública, saúde, assistência social e Justiça, de acordo com a estrutura e as necessidades identificadas em cada localidade. A proposta está alinhada às diretrizes da Lei Maria da Penha e às políticas nacionais e estaduais de enfrentamento à violência contra as mulheres.

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Diagnóstico orienta a atuação em cada município

O diagnóstico é uma das principais etapas do Proteja Mulher. Antes das oficinas, as equipes levantam informações sobre os serviços existentes e conversam com profissionais que atuam diretamente no atendimento às mulheres. O trabalho permite conhecer os caminhos percorridos pelas vítimas e identificar dificuldades na comunicação e na articulação entre os órgãos.

A partir das informações levantadas, o projeto identifica as principais dificuldades da rede e trabalha, junto aos profissionais, na construção ou no aperfeiçoamento dos fluxos de atendimento, considerando as características e necessidades de cada município. A proposta é aproximar os serviços e facilitar o acolhimento, os encaminhamentos e o acompanhamento das mulheres.

Nesse processo, o OBSGênero contribui com a produção e análise de dados sobre a violência de gênero no Acre, auxiliando na identificação de situações de vulnerabilidade e no direcionamento das estratégias adotadas pelo projeto.

Para a coordenadora-geral do Observatório de Gênero, promotora de Justiça Bianca Bernardes, pensar a proteção das mulheres no Acre exige compreender que não existe uma única realidade territorial.

“Na Amazônia acreana, as distâncias, a infraestrutura das estradas, os períodos de cheia dos rios, as limitações de acesso e as características sociais e culturais de cada município interferem diretamente na forma como a política de enfrentamento à violência de gênero é executada. Nesse processo, o Observatório de Violência de Gênero exerce uma função estratégica e inovadora ao transformar a realidade encontrada na localidade em diagnóstico e conhecimento institucional, que chega até o promotor da comarca por meio de um relatório”, destaca.

Segundo a promotora, o diagnóstico permite compreender as particularidades de cada município e direcionar a atuação da rede a partir das necessidades identificadas. “Ao ouvir os profissionais que atuam na ponta, conseguimos identificar não apenas o conhecimento sobre a legislação de proteção às mulheres, mas também as condições concretas em que esses serviços funcionam. Ao integrar essa rede, ampliamos a capacidade de identificação precoce da violência e de encaminhamento adequado, muitas vezes antes que a situação chegue ao Sistema de Justiça”, pontuou.

Atuação alcança diferentes regiões do Acre

As ações realizadas desde 2022 alcançaram diferentes regiões do Acre e envolveram profissionais de áreas como saúde, assistência social, segurança pública e educação. Nas primeiras etapas, foram realizadas atividades em municípios como Brasileia, Assis Brasil, Feijó, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira, com diagnóstico dos serviços, capacitação e construção ou avaliação dos fluxos de atendimento.

O relatório de resultados elaborado pelo projeto registrou, até fevereiro de 2025, 276 profissionais capacitados. Entre os resultados apontados estavam o fortalecimento da articulação entre os serviços e o aprimoramento dos fluxos de atendimento.

Em Acrelândia e Mâncio Lima, as equipes deram continuidade ao trabalho de diagnóstico e integração da rede. Em Acrelândia, relatório do projeto também subsidiou discussões posteriores do MPAC com o poder público municipal sobre o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres.

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Somente este ano, além de Xapuri, o projeto já foi executado em Assis Brasil, Brasileia, Cruzeiro do Sul, Feijó, Sena Madureira, Acrelândia e Mâncio Lima. Até o final de 2026, estão previstas ações em Bujari, Jordão, Santa Rosa do Purus e Porto Acre.

Com a continuidade das ações, o número de profissionais alcançados pelo projeto chegou a 487, segundo levantamento divulgado pelo MPAC em setembro de 2026.

Articulação resulta na implantação da Patrulha Maria da Penha em Xapuri

A atuação do MPAC em Xapuri também resultou na implantação da Patrulha Maria da Penha no município. A medida dá continuidade a uma articulação iniciada em 2025, quando a Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo com o objetivo de viabilizar a implementação do serviço.

“A iniciativa está alinhada ao trabalho desenvolvido pelo MPAC por meio do Projeto Proteja Mulher, que busca fortalecer as redes municipais de atendimento e aprimorar os fluxos de proteção às mulheres. Em setembro, o projeto esteve em Xapuri realizando diagnóstico dos serviços disponíveis no município e promovendo articulação entre instituições que integram a rede de enfrentamento à violência contra a mulher”, disse a promotora Renata.

A Patrulha Maria da Penha atua no acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência, contribuindo para prevenir novas situações de violência e fortalecer o cumprimento das determinações judiciais.

Com a implantação, Xapuri passa a contar com uma estrutura específica para o acompanhamento e a proteção dessas mulheres, ampliando a atuação integrada entre o Ministério Público, a Polícia Militar e os demais serviços que compõem a rede de enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio.

Reconhecimento nacional

A trajetória do Proteja Mulher também passou a receber reconhecimento fora do estado. Em 2024, o projeto foi uma das iniciativas do MPAC habilitadas para concorrer ao Prêmio CNMP, na categoria Integração e Articulação.

Em setembro de 2026, a iniciativa foi incluída na Casoteca de Práticas Inovadoras do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicação que reúne experiências de profissionais de segurança pública e instituições do sistema de Justiça no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres. O Proteja Mulher foi selecionado entre nove iniciativas nacionais documentadas na edição deste ano.

A publicação destaca a metodologia itinerante do projeto, que envolve o diagnóstico das redes municipais, oficinas com os serviços de proteção, construção de fluxos de atendimento e encaminhamento e acompanhamento da implementação das medidas definidas.

A inclusão na Casoteca amplia o registro da experiência do MPAC em âmbito nacional e evidencia uma metodologia construída a partir da produção de dados, do diagnóstico local e da articulação entre diferentes instituições.

Marcelina Freire – Secretaria de Comunicação/MPAC

Fonte: Ministério Publico – AC

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