RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Selic em queda inicia novo ciclo e muda estratégia de financiamento no agronegócio

Publicados

AGRONEGÓCIO

Queda da Selic altera dinâmica do crédito rural

O início de um novo ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) começa a transformar o cenário de financiamento do agronegócio brasileiro. Mesmo com cortes ainda graduais — como a recente redução de 0,25 ponto percentual — o movimento já indica mudanças relevantes na forma como produtores devem estruturar suas estratégias financeiras ao longo dos próximos meses.

A nova trajetória dos juros impacta diretamente a relação entre crédito subsidiado e linhas de mercado, criando um ambiente mais competitivo e com maior diversificação de fontes de recursos no campo.

PRONAMP segue relevante, mas perde vantagem relativa

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP) permanece como uma das principais ferramentas de financiamento do setor. No entanto, com a queda da Selic, sua vantagem frente às linhas de crédito livres tende a diminuir.

No Plano Safra 2025/2026, o PRONAMP opera com taxas próximas de 10% ao ano, enquanto linhas de custeio empresarial giram em torno de 14% ao ano. Em ciclos recentes de juros elevados, quando a Selic se aproximava de 15% ao ano, o crédito com recursos livres chegou a superar 18%, ampliando significativamente a atratividade do programa.

Com a redução dos juros, esse diferencial começa a encolher, tornando o crédito de mercado mais acessível, ainda que o PRONAMP siga competitivo.

Bancos mais seletivos e crédito ainda restrito

Durante períodos de juros elevados, o sistema financeiro tende a adotar uma postura mais conservadora. O aumento do custo de captação e dos riscos leva as instituições a endurecerem os critérios de concessão de crédito.

Nesse cenário, produtores priorizam linhas subsidiadas, elevando a demanda por programas como o PRONAMP e podendo gerar limitações de acesso ao longo do ciclo.

Leia Também:  Bolsas Mundiais Operam em Queda e Ibovespa Segue Cauteloso com Tensão Geopolítica e Ajustes no Mercado

Com a perspectiva de queda gradual da Selic, esse movimento começa a se inverter parcialmente. O crédito de mercado ganha espaço e amplia as opções de financiamento, embora o custo real do capital ainda permaneça elevado.

PRONAMP não sustenta sozinho os investimentos no agro

Apesar de sua relevância, o PRONAMP não é suficiente para atender todas as necessidades de financiamento do agronegócio, especialmente em projetos de longo prazo.

Tradicionalmente mais voltado ao custeio, o programa apresenta limitações quando o tema é investimento estrutural. Por isso, cresce a adoção de estruturas híbridas de financiamento, que combinam crédito rural tradicional, mercado de capitais e operações estruturadas.

Além disso, fatores como aumento da inadimplência em alguns segmentos, exigências regulatórias mais rígidas e eventos climáticos recorrentes têm levado as instituições financeiras a exigir mais garantias e priorizar produtores com maior capacidade financeira.

Custos de produção seguem pressionando margens

A redução da Selic, por si só, não resolve os principais desafios econômicos enfrentados pelo setor. Os custos de produção continuam elevados, impactados por insumos como fertilizantes, defensivos, diesel, logística e maquinário.

Esses itens são fortemente influenciados pelo câmbio e pelos preços internacionais de energia, mantendo pressão constante sobre a rentabilidade do produtor rural.

Volatilidade das commodities exige gestão estratégica

Do lado das receitas, o produtor segue exposto à volatilidade de commodities como soja, milho e algodão. Os preços dessas culturas dependem de variáveis como clima, demanda global, geopolítica e fluxo financeiro internacional.

Na prática, a queda dos juros contribui para aliviar o custo financeiro e facilitar a renegociação de dívidas, mas não compensa integralmente a pressão sobre as margens.

Leia Também:  Projeto monitora saúde de rios e lagos no Paraná e detecta presença de microplásticos em peixes

Diante desse cenário, a sustentabilidade da atividade passa cada vez mais por estratégias como gestão eficiente de custos, uso de instrumentos de hedge, contratação de seguro rural e diversificação das fontes de financiamento.

Mato Grosso enfrenta cenário mais desafiador

Em estados como Mato Grosso, principal polo do agronegócio brasileiro, o cenário é ainda mais complexo. Após ciclos de queda nos preços das commodities e aumento dos custos, muitos produtores entraram em processo de desalavancagem.

Esse movimento resulta em menor tomada de crédito e maior utilização de capital próprio, reduzindo a demanda por financiamentos no curto prazo.

A queda da Selic tende a melhorar gradualmente o ambiente de crédito, mas a retomada mais consistente dependerá da recuperação das margens agrícolas, da redução do endividamento, de maior previsibilidade climática e do avanço na comercialização antecipada das safras.

Novo ciclo exige estratégia e diversificação

O início de um ciclo de juros mais baixos representa uma mudança relevante, mas não definitiva, na dinâmica de financiamento do agronegócio. O acesso ao crédito passa a exigir ainda mais planejamento, diversificação e adaptação a um ambiente econômico cada vez mais complexo e integrado ao cenário global.

Setor debate tendências no Show Safra Mato Grosso 2026

Como parte desse movimento de transformação do crédito no campo, o grupo Nexco apresentará suas soluções financeiras durante o Show Safra Mato Grosso 2026, que ocorre entre os dias 23 e 27 de março.

O evento é um dos principais encontros do agronegócio brasileiro e deve reunir produtores, instituições financeiras e empresas de tecnologia para discutir tendências, acesso a capital e inovação no financiamento agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

Publicados

em

Por

A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

Leia Também:  Dólar e Ibovespa iniciam semana de olho em indicadores econômicos e risco fiscal nos EUA
Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

Leia Também:  9ª Brasil Sul Milk Fair será realizada em Chapecó com foco em inovação e negócios na cadeia do leite

Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA