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Tensões no Oriente Médio pressionam bolsas globais e elevam volatilidade; Ibovespa recua com cautela
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Os mercados financeiros globais iniciaram a semana sob forte pressão, refletindo a intensificação das tensões no Oriente Médio e seus potenciais efeitos sobre a economia mundial. O ambiente de incerteza tem elevado a aversão ao risco, afetando bolsas de valores, commodities e moedas, enquanto investidores acompanham os possíveis desdobramentos sobre a inflação e o fornecimento de energia.
Mercados globais operam em queda com temor sobre petróleo e inflação
A continuidade do conflito no Golfo Pérsico permanece como principal fator de instabilidade. A preocupação central do mercado é que a guerra comprometa a produção e o transporte de petróleo e gás natural — insumos essenciais para a economia global.
Uma eventual interrupção prolongada no fornecimento pode reduzir a oferta internacional, elevando os preços dessas commodities e pressionando a inflação, o que tende a dificultar a condução da política monetária por bancos centrais ao redor do mundo.
Nos Estados Unidos, os índices S&P 500 e Nasdaq Composite caminham para registrar a quinta semana consecutiva de perdas, a sequência negativa mais longa em quase quatro anos, refletindo o aumento da cautela entre investidores.
Bolsas europeias recuam no dia, mas mantêm leve alta semanal
Na Europa, o desempenho foi misto. O índice STOXX Europe 600 recuou 0,9% no fechamento mais recente, aos 575,37 pontos, com a maioria dos setores operando em baixa.
Apesar do recuo no dia, o índice acumulou leve alta semanal de 0,4%, demonstrando alguma resiliência diante das incertezas geopolíticas e dos sinais ainda conflitantes vindos do Oriente Médio.
Mercados asiáticos registram volatilidade e pressão sobre tecnologia
Na Ásia, os mercados apresentaram desempenho misto, com forte influência do cenário geopolítico e maior sensibilidade de setores ligados à tecnologia.
Na China, o Shanghai Composite apresentou leve avanço, enquanto o CSI 300 manteve estabilidade, indicando maior resistência relativa em comparação a outros mercados da região.
Em Hong Kong, o Hang Seng Index registrou queda de aproximadamente 0,8%, pressionado principalmente por empresas de tecnologia. O Hang Seng Tech Index recuou 1,9%, atingindo o menor nível desde abril de 2025.
Outros mercados asiáticos também fecharam em queda:
- Nikkei 225 (Japão) recuou até 2,8%;
- KOSPI (Coreia do Sul) caiu quase 3%;
- TAIEX (Taiwan) registrou baixa superior a 1,8%.
O índice MSCI Ásia ex-Japão também apresentou recuo expressivo, refletindo a saída de capital de mercados emergentes e ativos de maior risco.
Ibovespa recua com influência externa e dados domésticos
No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão com queda de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, em um pregão marcado por volatilidade e cautela.
O desempenho foi impactado principalmente por fatores externos, além de dados domésticos relevantes, como os números do mercado de trabalho. Também pesaram no índice as oscilações de grandes companhias, como Vale S.A. e Petrobras.
Apesar da recente correção, o índice ainda acumula valorização significativa em 2026, sustentado ao longo do ano pelo fluxo estrangeiro e pelo desempenho das commodities.
O volume financeiro da sessão foi de R$ 25,90 bilhões, evidenciando atuação relevante dos investidores em meio ao cenário de incerteza.
Geopolítica amplia riscos e reduz apetite por ativos de risco
A escalada das tensões no Oriente Médio ao longo do fim de semana reforçou o ambiente de cautela nos mercados. A ampliação da presença militar dos Estados Unidos na região e novos episódios de conflito envolvendo grupos alinhados ao Irã aumentaram a percepção de risco global.
Esse cenário tende a reduzir o apetite por ativos de risco e dificulta uma recuperação consistente das bolsas no curto prazo, conforme apontam análises de mercado.
Perspectivas: cenário segue volátil no curto prazo
A tendência é de continuidade da volatilidade nos mercados globais, com investidores atentos aos desdobramentos do conflito e seus impactos sobre a oferta de energia.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução da guerra no Oriente Médio;
- Comportamento dos preços do petróleo;
- Decisões de política monetária nas principais economias;
- Indicadores econômicos globais e brasileiros.
Diante desse cenário, a postura predominante no mercado é mais defensiva, com priorização de ativos considerados mais seguros até que haja maior clareza sobre o ambiente internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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