AGRONEGÓCIO
Cadeia do leite alerta para impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil
AGRONEGÓCIO
A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil tem gerado preocupação entre representantes da cadeia produtiva do leite. Em março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados encaminhou um documento ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, manifestando apreensão quanto às mudanças na escala de trabalho 6×1.
A entidade, vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola, destaca possíveis impactos significativos para o setor e para a economia como um todo.
Redução da jornada pode elevar custos e exigir mais contratações
De acordo com o documento elaborado pela CSLEI, a proposta de redução da carga semanal de 44 para 36 horas pode resultar em perda de 658 milhões de horas trabalhadas por mês no país.
Para compensar essa redução, seria necessária a contratação adicional de cerca de 3,65 milhões de trabalhadores, o que geraria um custo extra estimado em R$ 228 bilhões por ano em salários e encargos.
Pecuária de leite pode ser uma das mais afetadas
O setor leiteiro é apontado como um dos mais sensíveis à mudança. A atividade está presente em mais de 1 milhão de propriedades rurais no Brasil e exige operação contínua, com ordenha diária das vacas, podendo ocorrer em até três turnos, durante todos os dias do ano.
Essa característica torna a atividade altamente dependente de mão de obra constante, sem possibilidade de interrupções, devido ao caráter perecível do leite.
Risco de desabastecimento, inflação e êxodo rural
Segundo Ronei Volpi, presidente da Câmara Setorial, a mudança pode trazer consequências relevantes para o setor.
Ele destaca que, além da perecibilidade do leite, a cadeia produtiva já enfrenta desafios como escassez de mão de obra qualificada, elevada carga tributária e concorrência com produtos importados, especialmente da Argentina e do Uruguai.
Nesse cenário, a redução da jornada pode ampliar os riscos de desabastecimento, aumento de preços e até êxodo rural.
Setor defende debate técnico e mais aprofundado
A CSLEI ressalta a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os impactos da proposta antes de qualquer decisão.
A entidade defende que o tema seja discutido de forma técnica e em momento adequado, sugerindo que o debate ocorra a partir de 2027, evitando influências político-eleitorais.
Sistema FAEP também alerta para impactos econômicos
O posicionamento é reforçado pelo Sistema FAEP, que defende uma discussão equilibrada e sem viés ideológico.
Segundo a entidade, é fundamental a participação do setor produtivo no debate, incluindo representantes e empresários, para evitar efeitos negativos como aumento de preços, pressão inflacionária, crescimento da informalidade e precarização das relações de trabalho.
Impacto pode superar R$ 4 bilhões no Paraná
Um estudo do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária do Paraná.
O levantamento considera cerca de 645 mil postos de trabalho no estado e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, incluindo salários e encargos como FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário.
Preocupação com aumento de custos e redução de investimentos
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o Brasil ainda não está preparado para implementar a mudança.
Segundo ele, a proposta pode resultar em aumento dos custos de produção, redução de investimentos e riscos ao crescimento econômico, além de impactos sobre o emprego no país.
Debate sobre jornada de trabalho segue em pauta
O tema da redução da jornada de trabalho continua em discussão no Brasil e deve ganhar destaque nos próximos meses.
Para o setor agropecuário, especialmente a cadeia do leite, a principal preocupação é garantir que qualquer mudança considere as particularidades da atividade e evite impactos negativos sobre a produção, os preços e o abastecimento.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde pode transformar o Brasil em potência energética global, avalia CEO da Fex Agro
O crescimento da produção agrícola brasileira pode representar muito mais do que ganhos para o agronegócio. Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, desafios energéticos e busca por fontes renováveis, o Brasil reúne condições para ampliar seu protagonismo internacional e consolidar-se como uma das principais potências energéticas do mundo.
A avaliação é de Daniel Barbosa, CEO da Fex Agro, que analisa os impactos da safra recorde brasileira e o potencial de integração entre agricultura, segurança alimentar e produção de energia renovável.
Segundo o executivo, as recentes instabilidades no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente — reforçam a necessidade de diversificação das fontes energéticas e elevam a importância de países capazes de oferecer alternativas sustentáveis e em larga escala.
“Em um ambiente de maior incerteza geopolítica, países que conseguem combinar produção agrícola, energia renovável e previsibilidade passam a ocupar uma posição cada vez mais estratégica no cenário internacional”, destaca Barbosa.
Safra de grãos deve atingir novo recorde histórico
Os números mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam o potencial brasileiro. A estimativa para a safra 2025/26 aponta produção de aproximadamente 358 milhões de toneladas de grãos, estabelecendo um novo recorde nacional.
A soja continua sendo o principal destaque da agricultura brasileira. A projeção é de uma colheita próxima de 180 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa.
Para especialistas do setor, o volume crescente de produção amplia não apenas a capacidade exportadora do país, mas também fortalece cadeias ligadas aos biocombustíveis, como biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação (SAF).
Plano Safra será decisivo para a próxima temporada
O setor também acompanha com expectativa o anúncio do Plano Safra 2025/26, previsto para o início de julho.
Em um ambiente de juros elevados e maior rigor na concessão de crédito, produtores rurais, cooperativas e entidades representativas aguardam definições sobre o volume de recursos disponíveis, taxas de financiamento, programas de investimento e incentivos voltados à inovação e sustentabilidade.
De acordo com Daniel Barbosa, a estrutura do próximo Plano Safra terá papel fundamental na manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro e na capacidade de financiamento da nova temporada agrícola.
Seguro rural ganha importância diante dos riscos climáticos
Outro tema que vem ganhando espaço nas discussões do setor é o fortalecimento das políticas de seguro rural.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem defendido a ampliação dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), além de maior previsibilidade orçamentária e expansão da cobertura para mais produtores e culturas.
O objetivo é reduzir a exposição dos agricultores aos eventos climáticos extremos, cuja frequência tem aumentado nos últimos anos, fortalecendo a gestão de riscos e a segurança dos investimentos no campo.
Milho amplia protagonismo na matriz energética
Além da soja, o milho também assume papel cada vez mais relevante na estratégia energética brasileira.
A Conab projeta produção próxima de 132 milhões de toneladas na safra 2025/26, mantendo o Brasil entre os maiores produtores e exportadores mundiais do cereal.
Segundo Daniel Barbosa, o avanço das usinas de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste, representa uma transformação estrutural importante para o agronegócio nacional.
“O milho deixa de ser apenas uma commodity agrícola para assumir posição estratégica na produção de energia renovável. Isso fortalece a agregação de valor dentro do país e amplia a relevância do Brasil na transição energética global”, afirma o CEO da Fex Agro.
Custos elevados e crédito mais seletivo desafiam produtores
Apesar das perspectivas positivas, o cenário econômico continua exigindo atenção dos produtores rurais.
Custos elevados com fertilizantes, defensivos agrícolas, logística e despesas financeiras seguem pressionando as margens em diversas regiões produtoras.
Ao mesmo tempo, a recomposição dos estoques globais e o aumento da oferta em importantes países exportadores reduziram parte da sustentação dos preços agrícolas observada nos últimos ciclos.
Nesse contexto, eficiência operacional, gestão de riscos e planejamento comercial tornam-se fatores cada vez mais determinantes para a rentabilidade das propriedades rurais.
China segue como fator decisivo para a soja brasileira
No mercado internacional, a soja continua fortemente dependente da demanda chinesa.
Como principal destino das exportações brasileiras, a China permanece exercendo influência significativa sobre preços, fluxos comerciais e expectativas do setor.
Para analistas, em um ambiente geopolítico mais complexo e fragmentado, previsibilidade comercial e diversificação de mercados tendem a ganhar importância crescente.
Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética
Na avaliação de Daniel Barbosa, poucos países conseguem reunir simultaneamente expansão agrícola, abundância de recursos naturais, liderança em biocombustíveis e uma matriz energética predominantemente renovável.
Segundo ele, o desafio dos próximos anos não será apenas aumentar a produção agropecuária, mas transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, geração de renda e protagonismo global.
Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá consolidar uma posição estratégica em um mundo que busca simultaneamente segurança energética, estabilidade no abastecimento e redução das emissões de carbono.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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