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Suinocultura em Santa Catarina concentra produção no Oeste, bate recordes e amplia presença global

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A suinocultura de Santa Catarina segue consolidada como uma das mais relevantes do Brasil, com forte concentração regional, crescimento consistente e avanço tecnológico. Em 2025, o estado reforçou sua liderança nacional ao registrar números recordes tanto em produção quanto em exportações.

Oeste concentra 70% da produção de suínos em Santa Catarina

A produção de suínos catarinense é altamente concentrada no Grande Oeste, responsável por cerca de 70% de todo o volume estadual. A região é o principal polo da atividade, sustentando uma cadeia que movimenta bilhões de reais.

Em 2025, o estado abateu 18,4 milhões de suínos, um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior. Desse total, aproximadamente 12,9 milhões de animais foram provenientes das principais regiões produtoras do Oeste.

Três regiões lideram o abate e reforçam força do setor

Dados do Observatório Agro Catarinense, ligado à Epagri, mostram que três regiões concentram a maior parte da produção:

  • Meio-Oeste: 5,88 milhões de suínos abatidos
  • Extremo-Oeste: 4,31 milhões
  • Oeste: 2,79 milhões

Quando analisadas as microrregiões do IBGE, a concentração é ainda mais evidente, com destaque para:

  • Concórdia: 4,1 milhões
  • Joaçaba: 3,9 milhões
  • Chapecó: 3,5 milhões
  • São Miguel do Oeste: 2,2 milhões
  • Rio do Sul: 1,1 milhão

Juntas, essas regiões respondem por mais da metade de toda a produção estadual.

Inspeção sanitária avança, mas número de produtores recua

Outro ponto de destaque é o alto nível de controle sanitário da produção. Em 2025, 89,5% dos suínos abatidos passaram por inspeção dentro do estado, enquanto 10,5% foram processados em outras unidades da federação.

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Por outro lado, o número de suinocultores apresentou queda significativa, passando de 6.666 em 2025 para 3.653 em 2026, indicando um movimento de concentração produtiva e maior profissionalização da atividade.

Status sanitário garante acesso a mercados exigentes

Santa Catarina é referência internacional em sanidade animal. O estado não registra casos de febre aftosa desde 1993 e, desde 2007, é reconhecido como zona livre da doença sem vacinação.

Esse diferencial abriu portas para mercados altamente exigentes, como Japão e Coreia do Sul, além de fortalecer a competitividade da carne suína catarinense no cenário global.

Segundo a ACCS, o status sanitário é estratégico para ampliar exportações e consolidar a presença internacional do estado.

Regras mais rígidas reforçam biosseguridade nas granjas

Para manter o padrão sanitário, o estado intensificou as exigências. A Portaria nº 50/2025 da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária estabelece práticas obrigatórias nas granjas comerciais, como:

  • Controle rigoroso de acesso
  • Processos de desinfecção
  • Destinação adequada de dejetos

Os produtores têm prazo de até dois anos para cercar as áreas de produção, reduzindo riscos sanitários e impedindo a entrada de outros animais.

Esse ambiente regulatório tem estimulado investimentos e modernização das propriedades, com crescente adoção de tecnologias no campo.

Tecnologia e genética impulsionam produtividade

A evolução tecnológica e genética elevou significativamente os índices produtivos da suinocultura catarinense.

No passado, a média era de 10 leitões por parto e até 26 desmamados por fêmea ao ano. Atualmente, os números alcançam:

  • 14 a 15 leitões por parto
  • Mais de 33 desmamados por fêmea ao ano
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O avanço é resultado da melhoria genética, aliada ao uso de sistemas de ambiência controlada, que garantem temperatura ideal, reduzem o estresse dos animais e aumentam a qualidade da carne.

O bem-estar animal também ganhou relevância, com prazo até o fim de 2028 para adequação total às exigências do setor.

Produção expressiva em território reduzido

Mesmo ocupando pouco mais de 1% do território nacional, Santa Catarina é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil. O estado também ocupa a segunda posição na produção de aves.

De acordo com o Sindicarne, mais de 34 mil suínos são abatidos diariamente em cerca de 15 plantas industriais, com capacidade média de 5 mil animais por unidade.

Exportações batem recorde e ampliam presença internacional

Santa Catarina exporta carne suína para mais de 150 países, com destaque para mercados como Japão, Filipinas, China, México e Chile, além de atender destinos altamente exigentes, como Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul.

Em 2025, o estado exportou 748,8 mil toneladas de carne suína, crescimento de 4,1% em relação a 2024 — o maior volume da série histórica.

A receita também atingiu patamar recorde, somando R$ 1,85 bilhão, alta de 9,4%, reforçando a importância econômica da suinocultura para o estado e para o agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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