RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Tensões no Oriente Médio elevam petróleo, aumentam incertezas globais e pressionam empresas brasileiras

Publicados

AGRONEGÓCIO

A continuidade das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, aliada à falta de avanços diplomáticos, tem intensificado a volatilidade nos mercados globais e recolocado o petróleo no centro das atenções econômicas.

No fechamento de terça-feira (21), a cotação da commodity voltou a se aproximar de US$ 100 por barril, reacendendo preocupações com a inflação e ampliando os desafios para empresas em todo o mundo, incluindo o Brasil.

A indefinição sobre a duração do conflito e o risco de escalada militar aumentam a imprevisibilidade, com impactos diretos sobre cadeias de suprimentos, custos logísticos e decisões estratégicas — especialmente em países com forte dependência do transporte rodoviário.

Petróleo mais caro pressiona custos e reduz margens

A alta do petróleo tem efeitos diretos e indiretos sobre a economia. Além de encarecer combustíveis como diesel e gasolina, a valorização da commodity impacta toda a cadeia produtiva, já que energia e transporte são insumos essenciais para praticamente todos os setores.

No Brasil, os efeitos tendem a ser rápidos. O aumento do diesel eleva o custo do frete, pressionando preços de alimentos, medicamentos e produtos industrializados.

Segundo Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o impacto é abrangente. Ele destaca que a alta do petróleo em um cenário de instabilidade prolongada pressiona toda a estrutura de custos das empresas, afetando logística, produção e distribuição.

Na mesma linha, Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, afirma que o impacto vai além da inflação inicial. De acordo com ele, o aumento consistente do petróleo encarece energia, transporte e produção industrial, reduz margens, influencia decisões de investimento e pode desacelerar o consumo.

Efeito cascata atinge toda a economia brasileira

Os reflexos da alta do petróleo já são percebidos em diferentes áreas da economia. O encarecimento dos combustíveis é o primeiro impacto visível, com registros de gasolina próxima de R$ 9 em algumas regiões, além de pressão sobre diesel e gás de cozinha.

Leia Também:  Produtividade da cana cresce 13% no Centro-Sul em abril e reforça expectativa positiva para a safra 2026/27

O custo do transporte amplia esse efeito. Com mais de 90% das cargas movimentadas por rodovias no Brasil, o aumento do diesel impacta diretamente o preço final de bens e serviços.

Esse movimento gera um efeito em cadeia: o aumento do frete é repassado ao longo da cadeia produtiva, elevando os preços em diversos segmentos da economia.

No comércio exterior, o cenário também se torna mais desafiador. O aumento do risco geopolítico eleva custos de frete e seguro internacional, além de reduzir a previsibilidade das operações. Importadores enfrentam aumento direto nos custos, enquanto exportadores lidam com desafios logísticos, mesmo com eventual benefício cambial.

Crise amplia riscos logísticos e gargalos operacionais

Além da pressão sobre preços, a crise no Oriente Médio intensifica riscos logísticos globais. Regiões estratégicas seguem sob tensão, afetando rotas marítimas e aéreas e exigindo ajustes constantes por parte das empresas.

O aumento dos custos de seguros, a necessidade de rotas alternativas e o maior tempo de trânsito reduzem a previsibilidade das operações logísticas.

Setores mais sensíveis, como os de produtos farmacêuticos, alimentos perecíveis e eletrônicos, são os mais impactados, devido à dependência de prazos e condições específicas de transporte.

Diante desse cenário, empresas precisam lidar com prazos mais longos, custos adicionais e maior incerteza, exigindo revisão contínua das estratégias logísticas.

Pressões macroeconômicas aumentam desafios no Brasil

O cenário também traz impactos relevantes no campo macroeconômico. A pressão inflacionária pode levar a ajustes na política monetária, encarecendo o crédito e reduzindo o consumo.

Ao mesmo tempo, o aumento da incerteza global tende a frear investimentos.

Para o Brasil, o efeito é duplo. Como produtor de petróleo, o país pode se beneficiar da alta nos preços internacionais. Por outro lado, o aumento dos combustíveis pressiona a inflação e eleva o custo de vida, afetando o dinamismo da economia interna.

Leia Também:  Importações em São Paulo seguem em alta e cinco estratégias podem reduzir custos, diz especialista

Especialistas alertam que a combinação de inflação mais alta, possível elevação de juros e instabilidade global torna o ambiente mais desafiador para empresas e consumidores.

Empresas devem reforçar gestão de riscos e planejamento

Diante de um cenário de volatilidade prolongada, a adaptação rápida e a gestão de riscos tornam-se fundamentais para mitigar impactos.

Entre as estratégias recomendadas estão a revisão de contratos logísticos, diversificação de fornecedores, formação de estoques estratégicos e renegociação de prazos e custos.

Empresas com maior capacidade de antecipação e flexibilidade operacional tendem a preservar maior previsibilidade em meio às oscilações do mercado.

O monitoramento constante do cenário global também é apontado como essencial, já que o petróleo é um insumo de impacto generalizado na economia.

Medidas fiscais podem amenizar impactos no curto prazo

No campo macroeconômico, especialistas destacam que medidas fiscais podem ajudar a reduzir os impactos no curto prazo.

Entre as alternativas, está o ajuste ou redução de impostos sobre combustíveis, o que pode aliviar os custos de transporte e conter parte da pressão inflacionária.

Volatilidade deve persistir e exige estratégia das empresas

Com a ausência de soluções diplomáticas imediatas e a continuidade das tensões no Oriente Médio, a tendência é de manutenção da volatilidade nos mercados de energia, logística e comércio global.

Mais do que um choque pontual, o atual cenário se configura como um fator estrutural de risco, exigindo das empresas brasileiras uma postura cada vez mais estratégica, resiliente e preparada para rápidas mudanças no ambiente econômico internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

Publicados

em

Por

A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

Leia Também:  Importações em São Paulo seguem em alta e cinco estratégias podem reduzir custos, diz especialista

O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

Leia Também:  Paraná amplia liderança na exportação de suínos de raça e avança na colheita de soja

Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA