AGRONEGÓCIO
Uva Merlot de Monte Belo do Sul conquista prêmios internacionais e reforça excelência da vitivinicultura da Serra Gaúcha
AGRONEGÓCIO
A uva Merlot, uma das castas mais emblemáticas da vitivinicultura mundial, tem consolidado no Brasil um desempenho de alto nível, especialmente na região de Monte Belo do Sul (RS), na Serra Gaúcha. O município, reconhecido como o maior produtor per capita de uvas viníferas da América Latina, vem ampliando sua presença no cenário nacional e internacional por meio da qualidade crescente de seus vinhos premiados.
Originária de Bordeaux, na França, a variedade encontrou no Sul do Brasil condições ideais de adaptação, tornando-se uma das principais bases da produção de vinhos finos nacionais. No país, a Merlot se destaca pelo equilíbrio entre fruta, acidez, maciez de taninos e potencial de guarda, atributos que contribuíram para sua consolidação como uma das castas mais importantes do setor.
Monte Belo do Sul se consolida como terroir de excelência para a Merlot
A adaptação da Merlot em Monte Belo do Sul está diretamente ligada às condições naturais da região. O município integra a Indicação de Procedência Monte Belo e parte da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, reunindo fatores como altitude, boa drenagem do solo e elevada amplitude térmica, que favorecem a maturação lenta e equilibrada das uvas.
Essas características são fundamentais para a qualidade da variedade, que é sensível ao excesso de umidade e ao vigor vegetativo, especialmente no período próximo à colheita. Em regiões com alta incidência de chuvas, a uva pode perder concentração e comprometer a maturação fenólica, o que reforça a importância de terroirs bem estruturados.
Casa Marques Pereira se destaca com vinhos premiados
Nesse cenário, a vinícola Casa Marques Pereira vem ganhando destaque no mercado nacional e em premiações do setor. Localizada na propriedade Quinta da Orada, no coração da Indicação de Procedência Monte Belo, a área conta com 15 hectares de vinhedos situados entre 466 e 543 metros de altitude.
O relevo da região favorece a produção de uvas de alta qualidade, com encostas bem definidas, solos pedregosos e constante circulação de ar, fatores que contribuem para melhor drenagem e redução da umidade nos vinhedos.
Segundo o vinhateiro e proprietário da vinícola, Felipe Marques Pereira, as características do solo e do clima são determinantes para o desempenho da Merlot na região.
“O solo basáltico e semi argiloso propicia melhor absorção de nutrientes e maior profundidade das raízes. Somado à altitude e à brisa constante, conseguimos conduzir o amadurecimento das uvas com alta qualidade e baixo risco climático”, afirma.
Microterroirs e condições climáticas favorecem alta concentração da uva
Um dos destaques da propriedade é a parcela conhecida como “Cru Jerivás”, localizada na parte mais elevada do vinhedo. A área apresenta maior exposição solar, ventilação constante e subsolo rico em minerais como ágatas, ametistas e cristais de quartzo, que afloram naturalmente no terreno.
Essas condições contribuem para a formação de microterroirs diferenciados, refletidos diretamente na concentração e complexidade das uvas produzidas.
A safra de 2026 reforçou esse potencial, com registros de até 27 °Brix em algumas parcelas, um nível considerado elevado para a maturação da Merlot no Brasil.
Segundo especialistas, o resultado é consequência de um ciclo climático favorável, com inverno mais frio — essencial para a dormência das videiras — seguido por período de chuvas regulares na fase inicial e baixa precipitação durante a maturação, condição ideal para a sanidade e concentração das uvas.
Premiações reforçam qualidade dos vinhos da Serra Gaúcha
O reconhecimento da qualidade da Merlot de Monte Belo do Sul também vem sendo confirmado em concursos especializados. Na edição de 2026 da Grande Prova Vinhos do Brasil, uma das principais avaliações às cegas do país, a Casa Marques Pereira conquistou oito medalhas de ouro.
Entre os destaques está o rótulo Casa Marques Pereira Merlot Reserva 2022, premiado com medalha de ouro, reforçando o avanço técnico da produção local e o posicionamento da Serra Gaúcha como referência na produção de vinhos finos no Brasil.
Vitivinicultura brasileira avança com valorização de terroir e tecnologia
O desempenho da Merlot em Monte Belo do Sul evidencia a evolução da vitivinicultura brasileira, que vem combinando conhecimento técnico, manejo especializado e valorização do terroir para alcançar padrões cada vez mais elevados de qualidade.
Com resultados consistentes em safras recentes e crescente reconhecimento em premiações nacionais, a região reforça sua posição como um dos principais polos produtores de vinhos finos do país, ampliando a presença do Brasil no mercado vitivinícola de alta qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Certificação RTRS impulsiona soja sustentável e rastreabilidade no Grupo Bom Jesus em parceria com a Bunge
A certificação de soja responsável ganha cada vez mais relevância no agronegócio brasileiro diante da crescente demanda global por cadeias produtivas rastreáveis, transparentes e alinhadas às boas práticas socioambientais. Nesse cenário, o Grupo Bom Jesus e a Bunge fortalecem sua atuação conjunta dentro da agenda de sustentabilidade e agricultura regenerativa.
O destaque do programa é o Núcleo Piúva, localizado em Nova Mutum (MT), que integra o projeto piloto de Sistema de Incentivos Regenerativos (RIS) da Round Table on Responsible Soy (RTRS), voltado à mensuração e desenvolvimento de indicadores de agricultura regenerativa.
Núcleo Piúva produz soja certificada RTRS e amplia rastreabilidade
Com cerca de 5 mil hectares, o Núcleo Piúva registrou na safra 2025/2026 a produção de 19.611 toneladas de soja certificada RTRS, comercializadas para a Bunge. A unidade também adota rotação de culturas na safrinha, incluindo algodão, milho, braquiária e crotalária, fortalecendo práticas de manejo sustentável no sistema produtivo.
Além da unidade em destaque, o Grupo Bom Jesus já soma mais de 50 mil hectares certificados no padrão RTRS, distribuídos em cinco fazendas. A certificação integra um conjunto mais amplo de iniciativas de sustentabilidade adotadas pelo grupo.
Segundo a gerente de Sustentabilidade do Grupo Bom Jesus, Bianca Novais Cumpian, o processo de certificação evoluiu de forma gradual e estruturada ao longo dos últimos anos, ampliando a governança ambiental da empresa.
Certificação fortalece gestão, padronização e controle operacional
De acordo com a executiva, a certificação RTRS não apenas amplia o acesso a mercados, mas também fortalece a gestão interna das propriedades rurais.
O processo contribuiu para maior formalização, rastreabilidade e padronização das operações, além de aprimorar sistemas de controle e monitoramento já existentes na empresa.
A cultura organizacional também foi impactada positivamente, com maior engajamento das equipes e fortalecimento do alinhamento interno sobre práticas sustentáveis.
“Muitas práticas já faziam parte da rotina operacional, e a certificação ajudou a organizar e reconhecer esse trabalho”, destacou Bianca.
Práticas sustentáveis incluem tecnologia, solo e energia renovável
Entre as principais práticas adotadas pelo Grupo Bom Jesus estão o sistema de mínima mobilização do solo, fixação biológica de nitrogênio, agricultura de precisão, uso de insumos biológicos e monitoramento digital das lavouras.
Outro destaque é o uso de energia 100% renovável contratada no mercado, além da realização de inventário anual de emissões de gases de efeito estufa, com segregação por unidade produtiva.
A fazenda também mantém mais de 5 mil hectares destinados à conservação ambiental, reforçando o compromisso com a preservação da vegetação nativa.
Parceria com Bunge conecta produção sustentável e mercado global
A participação no projeto de agricultura regenerativa foi impulsionada pela parceria entre o Grupo Bom Jesus e a Bunge, alinhada à estratégia de fortalecimento de cadeias produtivas de baixo carbono.
A iniciativa conecta produtores rurais a ferramentas digitais, assistência técnica, tecnologias de agricultura de precisão e apoio ao uso de insumos sustentáveis, promovendo ganhos ambientais e econômicos.
Segundo a diretora de Sustentabilidade da Bunge, Pamela Moreira, o avanço da agricultura regenerativa depende de uma atuação conjunta entre diferentes elos da cadeia produtiva.
A proposta busca atender tanto às metas de redução de emissões das empresas quanto às exigências crescentes dos mercados consumidores por matérias-primas sustentáveis.
Agricultura regenerativa amplia eficiência e valor na produção de soja
Além da sustentabilidade ambiental, o programa também busca gerar benefícios produtivos, como aumento de produtividade, redução de custos e maior resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças climáticas.
A adoção de práticas regenerativas contribui ainda para melhorar a saúde do solo e ampliar o potencial de geração de valor no campo, criando novas oportunidades para o produtor rural.
RTRS revisa indicadores e integra métricas regenerativas
O Núcleo Piúva e a Bunge também tiveram participação ativa no processo de revisão dos indicadores do projeto piloto de agricultura regenerativa da RTRS.
Segundo a consultora externa da associação, Helen Estima Lazzari, a contribuição da propriedade foi essencial para reforçar a importância dos indicadores já existentes no padrão RTRS, além de apoiar a evolução das métricas regenerativas.
A iniciativa buscou aprimorar a forma de mensurar avanços sustentáveis no campo, garantindo que a avaliação considere não apenas novas práticas, mas também a evolução contínua dos produtores certificados.
“A experiência contribui para desenvolver indicadores mais consistentes e aplicáveis à realidade do setor produtivo”, destacou a gerente global de padrões e assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.
Integração entre certificação e agricultura regenerativa ganha força
A integração entre certificação RTRS e agricultura regenerativa representa um avanço na consolidação de modelos produtivos mais sustentáveis e rastreáveis no agronegócio brasileiro.
A experiência do Grupo Bom Jesus reforça o papel das propriedades rurais na construção de sistemas agrícolas de baixo carbono, alinhados às exigências do mercado internacional e às metas globais de sustentabilidade.
O movimento indica uma tendência crescente de valorização da soja certificada e da adoção de práticas regenerativas como diferencial competitivo no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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