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Oferta em excesso derruba preços no mercado independente no Sul
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O excesso de animais disponíveis para abate e a demanda enfraquecida derrubaram o preço do suíno vivo no mercado independente a ponto de colocá-lo abaixo da remuneração paga aos produtores integrados em algumas regiões do Sul. A inversão, considerada incomum no setor, foi identificada em julho pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O movimento ganhou força especialmente em Braço do Norte, em Santa Catarina. Normalmente, o suíno comercializado no mercado independente vale mais porque o produtor assume integralmente os custos da criação e o risco das oscilações de preço. Neste ano, porém, a oferta elevada reduziu o poder de negociação desses criadores.
No sistema independente, os animais pertencem ao produtor, que compra leitões, ração, medicamentos e demais insumos, define o manejo e negocia diretamente com frigoríficos ou intermediários. Esse modelo permite aproveitar eventuais altas do mercado, mas deixa toda a atividade exposta ao custo do milho e do farelo de soja, às perdas produtivas e às quedas de preço.
A integração funciona de outra forma. Trata-se de uma relação contratual entre o produtor e uma agroindústria ou cooperativa. Em geral, a integradora fornece os animais, a alimentação, os medicamentos, a genética e a assistência técnica, além de definir os padrões sanitários e o período de entrega para o abate.
O produtor integrado entra principalmente com as instalações, os equipamentos, a mão de obra, a energia, a água e o manejo dos dejetos. Ao fim de cada lote, recebe uma remuneração calculada conforme as regras do contrato, que podem considerar ganho de peso, conversão alimentar, mortalidade, qualidade e cumprimento das metas estabelecidas.
Nesse modelo, o produtor tem menor liberdade para decidir quando e para quem vender, mas também fica menos exposto às oscilações do preço dos animais e da ração. É justamente essa proteção contratual que explica por que a remuneração dos integrados conseguiu superar o valor pago no mercado independente em algumas praças.
A diferença ocorre em uma cadeia que deverá produzir até 5,7 milhões de toneladas de carne suína em 2026, crescimento de 2,7% sobre o ano anterior, conforme projeção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Desse total, cerca de 4,15 milhões de toneladas devem permanecer no mercado interno.
O consumo nacional está estimado em 19,5 quilos por habitante neste ano. Apesar do avanço registrado nas últimas temporadas, a carne suína ainda ocupa a terceira posição na preferência dos brasileiros entre as principais proteínas animais, atrás do frango e da carne bovina.
No mercado internacional, o Brasil é o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador de carne suína, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A produção nacional fica atrás apenas da China, da União Europeia e dos Estados Unidos.
A ABPA projeta exportações de até 1,55 milhão de toneladas em 2026. Somente no primeiro semestre, os embarques brasileiros alcançaram o recorde de 794,2 mil toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
As Filipinas lideram as compras da carne suína brasileira, seguidas por mercados como Japão, Chile, China e Hong Kong. A diversificação dos destinos reduziu a dependência do mercado chinês e ajudou a sustentar o crescimento das vendas externas.
As importações, por outro lado, são praticamente residuais. O Brasil deverá comprar do exterior cerca de 4 mil toneladas de carne suína em 2026, volume inferior a 0,1% da produção nacional. Os produtos importados vêm principalmente de países europeus e do Mercosul e estão concentrados em cortes salgados, secos, defumados ou de maior valor agregado.
Mesmo com exportações recordes, a oferta disponível em determinadas regiões permanece elevada. O mercado externo absorve uma parcela importante da produção, mas não impede desequilíbrios locais quando há concentração de animais prontos para o abate e menor disposição de compra dos frigoríficos.
A recuperação do suíno independente dependerá do escoamento dessa oferta e de uma reação do consumo. Para os produtores, também será decisivo o comportamento do milho e do farelo de soja, que representam a maior parcela do custo de alimentação dos animais.
Fonte: Pensar Agro
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Revista Pensar Agro supera 14 mil acessos em 57 países. Aqui a edição de julho
A edição de julho da Revista Pensar Agro já está disponível (link abaixo), em portugues e inglês. Na última edição a Pensar Agro ultrapassou a marca de 14 mil acessos, com leitores em 57 países. O alcance internacional reforça a presença da publicação no debate sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro e a inserção do setor nos principais mercados mundiais.
A reportagem de capa desta edição analisa as exigências da União Europeia para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. As mudanças deverão alterar os critérios de competitividade da pecuária mundial e podem influenciar o acesso de carnes e outros produtos de origem animal aos mercados mais exigentes.
A discussão sanitária deixou de se limitar à utilização ou à proibição de determinados medicamentos. As exigências passam a envolver rastreabilidade, biossegurança, fiscalização e capacidade de comprovar a conformidade ao longo de todo o sistema produtivo.
Embora o Brasil possua uma das pecuárias mais eficientes do mundo, a adaptação às novas regras exigirá investimentos e mudanças nos processos de controle e certificação. A reportagem mostra que escala e produtividade continuarão importantes, mas já não serão suficientes para garantir competitividade. Tecnologia, governança sanitária e transparência deverão ter peso crescente nas negociações comerciais.
A edição também traz, na coluna Mercado, uma análise sobre os efeitos da geopolítica na safra de 2027. O texto aborda como conflitos internacionais, instabilidade cambial, dificuldades logísticas, disputas tecnológicas entre Estados Unidos e China e novas exigências ambientais podem afetar custos, planejamento e acesso a mercados.
Entre os temas analisados está o Regulamento Europeu Antidesmatamento, conhecido pela sigla EUDR, que amplia as exigências de rastreabilidade para produtos destinados à União Europeia. O cenário reforça a necessidade de o produtor acompanhar não apenas o clima e os preços, mas também decisões políticas e regulatórias tomadas fora da porteira.
Com análises técnicas, visão crítica e linguagem voltada ao setor produtivo, a edição procura traduzir mudanças internacionais que já influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. O objetivo é ajudar produtores, profissionais, empresas e entidades do agronegócio a compreender riscos, antecipar exigências e identificar oportunidades.
Os mais de 14 mil acessos registrados em 57 países mostram que os temas discutidos pela Revista Pensar Agro ultrapassam as fronteiras brasileiras. A presença de leitores em diferentes mercados também amplia a projeção do agronegócio nacional e fortalece o intercâmbio de informações sobre produção, tecnologia, sustentabilidade e comércio internacional.
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Fonte: Pensar Agro
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