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Acre celebra o Dia do Artesão com promoção de políticas públicas e valorização de profissionais no estado

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Por Raíça Sousa e Karolini Oliveira

O Dia do Artesão é celebrado neste 19 de março. A data é dedicada à valorização do trabalho artesanal e da criatividade de profissionais que transformam a matéria-prima em obras de arte. A celebração coincide com o Dia de São José, considerado pela religião cristã o padroeiro dos trabalhadores e artesãos, por ter exercido o ofício de carpinteiro.

No Acre, o artesanato não representa apenas expressão cultural, mas também uma importante fonte de renda para muitas famílias. Em frente ao Calçadão da Gameleira, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Rio Branco, a Casa do Artesanato Acreano expõe e comercializa peças de artesãos de todas as regionais do estado do Acre.

Casa do Artesanato Acreano recebe visitantes nacionais e estrangeiros, em Rio Branco. Foto: Marcos Rocha/Sete

Coordenado pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), o espaço tem registrado resultados expressivos. As vendas cresceram, passando de R$ 174 mil, em 2024, para mais de R$ 443mil, em 2025. As peças expostas na Casa do Artesanato são produzidas com dedicação e utilizam matérias-primas locais, como sementes, madeira e borracha reaproveitadas na criação de biojoias, objetos decorativos, souvenires e itens que evidenciam a beleza da Amazônia acreana.

A artesã Socorro Souza, que trabalha com resíduos da floresta há cerca de 50 anos, é uma entre os 131 artesãos que expõem peças na Casa do Artesanato Acreano.

Artesã Socorro Souza trabalha com resíduos da floresta há cerca de 50 anos. Foto: Bruno Moraes/Sete

Socorro conta que começou na profissão ainda jovem, influenciada pela família. “O artesanato sempre fez parte da minha vida. Cresci em uma família de artesãos e isso me acompanhou ao longo de toda a minha trajetória”, revela.

Pioneira no beneficiamento de sementes no estado, ela destaca os desafios enfrentados no início. “Eu fui a primeira mulher no Acre a trabalhar com beneficiamento de sementes, que antes era um espaço dominado por homens”, relembra.

Para Socorro, o artesanato vai além de uma atividade econômica. “O artesanato é a grande âncora da minha vida. É trabalho, mas também é cuidado, é tudo para mim”, afirma.

Mãos que transformam

Segundo a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano, Risoleta Queiroz, além da valorização do trabalho manual, o artesanato desempenha papel essencial na preservação cultural. “O artesão é um guardião de tradições e técnicas ancestrais, como [as usadas em] cerâmica, biojoias, marchetaria, cestarias e madeira, que passam de geração em geração, mantendo viva a história local”, ressalta Risoleta.

Neste ano, comitivas da Rússia, China e União Europeia visitaram a Casa do Artesanato Acreano. No registro acima, Comitiva da União Europeia. Foto: Bruno Moraes/Sete

Para muitos profissionais, a atividade também representa sustento e inclusão social. “Para muitos artesãos, o trabalho manual é a principal fonte de renda e um caminho para a independência financeira, especialmente para mulheres”, completa Risoleta.

Coordenadora da Casa do Artesanato, Risoleta Queiroz. Foto: Bruno Moraes/Sete

Nesse sentido, a Secretaria de Turismo e Empreendedorismo, por meio da Coordenação Estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), um programa do governo federal, tem investido em políticas públicas para o desenvolvimento do setor no estado.

Casa do Artesanato Acreano. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom

Em 2025, foram cadastrados 420 novos artesãos no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), criado para cadastrar e reconhecer artesãos em todo o país, permitindo a emissão da Carteira Nacional do Artesão e a inclusão em políticas públicas do setor.

Atualmente, o Acre conta com 2.356 artesãos ativos, segundo dados da Sete atualizados em janeiro de 2026. Além disso, a emissão da Carteira Nacional do Artesão também possibilita a participação de artesãos em grandes feiras.

Casa do Artesanato Acreano. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom

Em 2025, o artesanato acreano participou de eventos nacionais como a Fenearte (PE), Fenacce (CE) e o Salão do Artesanato (SP), alcançando R$757 mil em vendas. Somando feiras e a Casa do Artesanato, o faturamento do setor ultrapassa R$1,2 milhão no ano passado.

Com o apoio do governo e do Sebrae, 11 artesãos participaram do 19º Salão do Artesanato em São Paulo, em 2025. Foto: Celis Fabrícia/Secom

Além disso, a Caravana de Cadastramento de Artesãos percorreu municípios como Feijó, Manoel Urbano e Sena Madureira, ampliando o mapeamento da atividade e garantindo acesso a políticas públicas de incentivo.

Caravana de Cadastramento de Artesãos. Foto: Marcos Rocha/Sete

A diretora de Empreendedorismo da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Patrícia Parente, reforça o papel social do setor. “Quando uma mulher artesã cria com suas próprias mãos, ela não produz apenas uma peça. Ela constrói autonomia, dignidade e futuro para sua família. O artesanato feminino carrega história, cultura e identidade do Acre. Em cada fibra trançada e em cada detalhe moldado, há horas de dedicação e um saber que atravessa gerações”, destaca.

Sete e Coordenação Estadual do Programa do Artesanato Brasileiro emitem Carteiras Nacionais do Artesão, no Acre. Foto: Karolini Oliveira/Sete

Para o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, o artesanato acreano é um dos destaques do estado. “O Acre é riquíssimo em cultura, tradições, e o artesanato é um dos grandes destaques que temos aqui. É um artesanato de qualidade, com história e valor. Então, temos buscado valorizar ainda mais os artesãos do nosso estado”, ressalta.

Diretora de Empreendedorismo da Sete, Patrícia Parente, e o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias. Foto: Alice Leão/Sete

Preservação cultural e geração de renda

Com produções artesanais que vão desde biojoias feitas com sementes de açaí, jarina e paxiúba à marchetaria, o trabalho com látex, madeira, cerâmica, artesanato indígena e cocares, a celebração das culturas e tradições acreanas ganham força com o artesanato local.

“A celebração ajuda a combater preconceitos e destacar a criatividade, habilidade e dedicação de quem transforma matéria-prima em arte”, afirma a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano, Risoleta Queiroz.

“O Dia Nacional do Artesão é uma data especial para reconhecer a importância desses profissionais em nossa sociedade. Com talento, paciência e dedicação, eles criam peças únicas que refletem a riqueza cultural e a criatividade do nosso povo”, acrescenta.

Para a artesã Socorro Souza, celebrar a data reforça a importância de valorização e continuidade da atividade. “Eu convido todos a valorizarem o nosso artesanato pela história que ele carrega e também faço um chamado para que os jovens se interessem, para que essa cultura não se perca”, conclui.

Fonte: Governo AC

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Expoacre Juruá transforma tecnologia e cultura em lazer inclusivo para famílias

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A Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, tem se destacado não apenas como vitrine agropecuária, mas também como espaço de inovação e lazer para toda a família. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict) reuniu estandes voltados para crianças e jovens, com tecnologia, produtos em impressão 3D e atividades interativas que têm atraído grande público.

Espaço abrange jovens e crianças e é marcado por inclusão. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

O espaço kids é um dos pontos mais movimentados da feira, reunindo brincadeiras que vão de pintura corporal a experiências com óculos de realidade virtual. Para os pais, é uma oportunidade de lazer e entretenimento enquanto visitam a segunda maior feira agropecuária do estado.

Kethyla Shawãdawa, monitora do espaço, explica que as atividades são voltadas para o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além de incluir tecnologia.

“Tem sido um espaço muito especial. As crianças participam de oficinas de escultura com balões, de miçangas e de materiais recicláveis, onde podem criar brinquedos. Também oferecemos brincadeiras voltadas para o desenvolvimento cognitivo e da coordenação motora, além de pintura facial. A grande novidade é a experiência com óculos de realidade virtual, que permite aos pais acompanhar o que seus filhos estão vivenciando”, disse.

Segundo ela, o espaço tem recebido grande movimento todas as noites, com muitos pais participando junto aos filhos. “Foi pensado com carinho para que as crianças tenham um ambiente acolhedor e cheio de descobertas.”

Miguel aproveita óculos de realidade virtual. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Inovação e inclusão

A dentista Jamile Feijó, mãe de Miguel Machado, de 7 anos, aprovou a iniciativa. “Estamos parando em todos os estandes para que ele possa conhecer e se divertir. Este espaço está muito interativo, ele está amando e está sendo incrível. Ainda vamos ver outros estandes”, contou.

Já Lacione Maia destacou o caráter inovador. “As brincadeiras, a forma como estão expostas e os instrutores são perfeitos, têm muito jeito com criança.”

Outro ponto de destaque é a preocupação com a inclusão. Darcinete Oliveira ressaltou que este ano há mais opções voltadas para crianças atípicas.

“Nos outros anos não víamos tantas atividades direcionadas a essa necessidade. Agora encontramos jogos e materiais inclusivos que estimulam a participação delas. Isso mostra uma preocupação maior com a diversidade e torna o evento ainda mais especial.”

Impressão 3D é um dos atrativos do estande voltado para tecnologia e inovação. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Impressão 3D e cultura local

Os estandes de tecnologia também chamam atenção. Laurênio de Souza ficou impressionado com os personagens criados em impressão 3D.

“É como uma escultura, lembra trabalhos antigos, mas hoje está mais acessível e até possível de encomendar. É um avanço para nossas cidades, porque antes só víamos pela internet ou televisão, e agora temos a oportunidade de acompanhar ao vivo. O trabalho está muito bonito, parabéns aos organizadores.”

Rodrigo Gomes, expositor, destacou o sucesso dos chaveiros sensoriais e dos “dummys”. Além disso, sua empresa Juruá 3D tem produzido peças que valorizam a identidade local.

Empresas também apostaram em produtos que ressaltam a identidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

“Queremos explorar a cultura do Juruá e desenvolver peças personalizadas que representem a região. Já fizemos chaveiros com a Catedral, árvores, casas de farinha e até saquinhos de farinha e açaí. São elementos culturais que fortalecem nossa tradição e permitem que o visitante leve um presente único e representativo da cidade.”

Tiago Lucena, coordenador do Laboratório de Biologia Animal e fundador da startup Jabotec 3D, reforçou o caráter inovador.

“Este ano trouxemos a Jabotec 3D, especializada em produtos personalizados em impressão 3D. Transformamos elementos da cultura pop em objetos colecionáveis e também aplicamos a tecnologia em materiais didáticos, que tornam as salas de aula mais interativas. Já validamos resultados com aumento de até 60% nas notas dos alunos.”

Analice foi visitar a feira apenas para adquirir seus personagens preferidos. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Encanto para jovens

Analice do Nascimento, de 11 anos, ficou encantada com os espaços voltados para colecionadores.

“Estou começando a me apaixonar por essas figuras e vim preparada para adquirir algumas peças. Ontem comprei uma Hello Kitty e hoje levei um Pikachu. São produtos que remetem à infância e despertam muito interesse.”

Ela destacou que o evento é uma oportunidade para conhecer novidades e investir em itens que antes só acompanhava à distância. “É um espaço que atrai jovens e adultos, e que valoriza esse universo cultural de forma acessível.”

Fonte: Governo AC

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