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Acre entra de vez na mira comercial do Peru e China e prefeitos e empresários vem ao estado conhecer produtos e participar da Expoacre

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Assessoria

As inúmeras agendas cumpridas pelo presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Luiz Gonzaga, em eventos no Peru, Brasília e outras regiões para debater o comércio bilateral entre o Acre e o país vizinho tem surtido efeitos.

Somente nesta semana, três prefeitos peruanos, empresários e responsáveis pela construção do Porto de Chancay, no Peru, estiveram no Acre para acertar detalhes da parceria comercial entre Acre, Peru e China. Além disso, graças ao intercâmbio liderado pelo governo do Acre e o Legislativo acreano empresários peruanos estão expondo seus produtos na maior feira do estado, a Expoacre.

No domingo (1), Gonzaga visitou a Expoacre e acompanhou de perto a procura dos empresários peruanos em expor produtos na feira e conhecer mais sobre a produção acreana.

“Foi um momento especial reencontrar os alcaldes de San Miguel, Acora e Quiaca, grandes amigos que trouxeram mais de 30 empresários peruanos para estreitar os laços comerciais e mostrar seus produtos. Receber novamente sua homenagem foi uma honra imensa. E ainda contamos com a presença dos nossos queridos amigos da Bolívia, que enriqueceram o espaço internacional”, disse o presidente.

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Já nesta segunda-feira (2), Gonzaga recebeu a visita do gerente geral da Cosco Shipping, Zheng Li, e o gerente de Supply Chain, Alexandre Rocha, responsáveis pela construção do Porto de Chancay, em Lima.

O encontro serviu para debater estratégias de fortalecimento comercial entre Acre, Peru e China através da estrada interoceânica.

De acordo com Gonzaga, durante a reunião foi destacada a posição estratégica do Acre, que está pronto para se tornar uma ponte essencial entre o Brasil e a China.

“É uma honra receber os representantes do porto, pois a bastante tempo estamos trabalhando essa relação comercial entre Brasil, Peru e agora a China, que é o principal parceiro comercial do Brasil. Com o Porto de Chancay em desenvolvimento estamos cada vez mais próximos de concretizar essa conexão internacional, trazendo novas oportunidades e crescimento para nossa região. O futuro é promissor, e juntos, estamos moldando essa nova realidade”, disse o presidente da Aleac.

O gerente de Supply Chain, Alexandre Rocha, destacou o potencial do Acre e afirmou que a reunião serviu também para entender os negócios acreanos e quais produtos poderão ser importados e exportados para contribuir para o desenvolvimento do estado.

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“A reunião serviu para entendermos os negócios que o Acre produz, quais benefícios poderemos ter junto à instalação do porto e que produtos poderemos importar e exportar para o Acre para ajudarmos no desenvolvimento do estado”, disse Rocha.

O gerente geral Zheng Li destacou que a instalação do Porto de Chancay vai beneficiar o estado Acre.

“Acreditamos que o Porto de Chancay vai beneficiar muito o Acre e a ideia é que encontramos soluções logísticas para que possamos introduzir o Acre no mercado de exportação mundial através do porto. Com o porto o estado também poderá comprar produtos com um custo menor de outros países”, disse.

Fonte: ASCOM ALEAC

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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