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O futuro da floresta e do clima começa na educação
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Por Aberson Carvalho*
O inverno amazônico está voltando com força. As primeiras chuvas fortes já mudam a rotina de quem vive na floresta. É agora que o barro vira lama, os rios começam a encher e o caminho para chegar à escola muda de um dia para o outro. Nos últimos meses, o Acre enfrentou uma seca rigorosa, e se prepara para cheias cada vez mais fortes, com efeitos severos. Entre um extremo e outro, tem um lugar que não abandona seu papel: a escola. É na rotina da educação que a Amazônia enfrenta, de verdade, a crise climática.
Depois de dias de atenção da COP30, realizada no Brasil, a lição que fica é que se o mundo olha para a Amazônia como fronteira climática, precisa olhar também para o que sustenta essa fronteira por dentro. A floresta não será protegida só com satélite, fiscalização, grandes acordos e recursos internacionais. Ela será protegida, ou esquecida, na sala de aula. A educação na Amazônia não é um serviço a mais, é a infraestrutura que mantém a floresta viva e as comunidades de pé.
Quando uma escola funciona na floresta, ela segura o território. Quando a escola fecha ou não chega, a família é empurrada para longe. A proteção da Amazônia começa no orçamento e na logística, não só nos painéis das conferências. Nos locais mais afastados, a escola é mais que o prédio onde se aprende. É também o ponto central de uma região, e a cada seca histórica, a cada cheia que muda o curso dos rios, a cada varadouro que desaparece de um ano para o outro, é a escola que ajuda a manter o vínculo entre as famílias e que organiza a população.
Em uma região que vive extremos cada vez mais frequentes, formar gerações capazes de entender esse cenário, e agir sobre ele, é tão necessário quanto criar infraestrutura.
Garantir o direito à aprendizagem no território amazônico é, também, uma política ambiental. A floresta permanece em pé quando as crianças podem subsistir onde nasceram. E garantindo que o ensino chegue, a migração forçada diminui, os costumes se mantêm e o conhecimento regional continua existindo. E o contrário também é verdadeiro, porque onde não há escola, há deslocamento, e onde há deslocamento, há perda de identidade e de vínculos que sustentam o território. É assim que surgem muitas periferias que crescem nas capitais e grandes cidades.
E o direito à educação tem um custo social, administrativo e ambiental. É preciso compreender que fazer uma escola funcionar na Amazônia é lidar com rios que secam no verão e transbordam no inverno. É garantir combustível para barcos que substituem ônibus e que enfrentam situações nunca antes vividas. Uma viagem para garantir merenda em alguns locais era de oito dias. Em 2025, levamos 10, 12, 15 dias para concluir uma entrega. É organizar o calendário conforme o ritmo das águas. É entregar merenda, carteiras e livros por igarapés que deixam de existir em períodos de estiagem, enfrentando uma geografia que exige muito mais do que a legislação nacional costuma enxergar.
No Acre, essa realidade aparece com clareza nos quatro calendários que organizam a rede. Atualmente, obedecemos o calendário dos rios, o da floresta, o do campo e o urbano. Há escolas que começam mais cedo para aproveitar o período de seca, outras que ajustam o início das aulas ao tempo das chuvas, outras que dependem do acesso por ramal ou por barco, e assim a escola precisa obedecer ao tempo da natureza, não apenas ao calendário oficial. Quando o país calcula o financiamento da educação como se todas as escolas estivessem na mesma avenida, ignora essa diferença.
A conta do financiamento não fecha com essa realidade. Não considera que há escolas cujo transporte leva 12 dias de barco, ou que o professor precisa dormir semanas dentro da comunidade para garantir as aulas. O Fundeb trata como semelhante o que, na prática, é totalmente diferente. Se essa distorção não for corrigida, o país seguirá financiando a Amazônia como se fosse um bairro urbano, o que fragiliza o presente e, principalmente, o futuro.
A logística educacional que se reinventa na floresta produz soluções que o país inteiro deveria estudar. São professores que se deslocam por rios, escolas que organizam o tempo pelo movimento das águas, redes que se adaptam à ausência de estradas e à presença constante do imprevisto. Educar na Amazônia é falar de adaptação, sabendo também que em muitos lugares, a escola é a própria presença do Estado e quando ela cai, cai junto a referência de presença do poder público.
É por isso que, mesmo com as chuvas apertando, a educação não para. Enquanto o volume dos rios sobe, as equipes seguem revisando telhados, acessos, sistemas de água e energia, reforçando muros e espaços de convivência, preparando as escolas para o ano letivo de 2026. No Acre, o período de sol serve para consertar o que a água afetou; o período de chuva, para chegar onde a estrada ainda não chegou, levando alimentação, mobiliário e material pedagógico pelos rios. Esse trabalho que pouca gente vê mantém a escola aberta e pronta justamente quando o clima mais coloca à prova o nosso cotidiano.
A COP30 já terminou, os discursos feitos e os documentos registrados, mas o compromisso com a Amazônia não cabe só no papel de um encontro internacional. A região precisa de um novo pacto federativo que reconheça o custo real de educar na floresta e que garanta financiamento do tamanho dessa geografia. A proteção ambiental começa na sala de aula, ainda que essa sala seja um anexo improvisado, uma escola ribeirinha ou em uma aldeia distante, criada para que nenhuma criança precise abandonar seu território para estudar.
Educação é a base que sustenta a floresta e a dignidade das famílias que vivem nela. Se a COP30 ajudou o mundo a olhar para o futuro, cabe ao Brasil olhar, com mais honestidade, para a Amazônia como ela é e reconhecer que, sem uma educação forte, nenhuma política climática se mantém de pé.
*Aberson Carvalho é secretário de Estado de Educação e Cultura do Acre. Sociólogo, com trajetória marcada pela gestão pública em áreas como segurança e meio ambiente. Atua desde 2023 na condução da política educacional acreana.
Fonte: Governo AC
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Expoacre Juruá transforma tecnologia e cultura em lazer inclusivo para famílias
A Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, tem se destacado não apenas como vitrine agropecuária, mas também como espaço de inovação e lazer para toda a família. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict) reuniu estandes voltados para crianças e jovens, com tecnologia, produtos em impressão 3D e atividades interativas que têm atraído grande público.
Espaço abrange jovens e crianças e é marcado por inclusão. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomO espaço kids é um dos pontos mais movimentados da feira, reunindo brincadeiras que vão de pintura corporal a experiências com óculos de realidade virtual. Para os pais, é uma oportunidade de lazer e entretenimento enquanto visitam a segunda maior feira agropecuária do estado.
Kethyla Shawãdawa, monitora do espaço, explica que as atividades são voltadas para o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além de incluir tecnologia.
“Tem sido um espaço muito especial. As crianças participam de oficinas de escultura com balões, de miçangas e de materiais recicláveis, onde podem criar brinquedos. Também oferecemos brincadeiras voltadas para o desenvolvimento cognitivo e da coordenação motora, além de pintura facial. A grande novidade é a experiência com óculos de realidade virtual, que permite aos pais acompanhar o que seus filhos estão vivenciando”, disse.
Segundo ela, o espaço tem recebido grande movimento todas as noites, com muitos pais participando junto aos filhos. “Foi pensado com carinho para que as crianças tenham um ambiente acolhedor e cheio de descobertas.”
Miguel aproveita óculos de realidade virtual. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomInovação e inclusão
A dentista Jamile Feijó, mãe de Miguel Machado, de 7 anos, aprovou a iniciativa. “Estamos parando em todos os estandes para que ele possa conhecer e se divertir. Este espaço está muito interativo, ele está amando e está sendo incrível. Ainda vamos ver outros estandes”, contou.
Já Lacione Maia destacou o caráter inovador. “As brincadeiras, a forma como estão expostas e os instrutores são perfeitos, têm muito jeito com criança.”
Outro ponto de destaque é a preocupação com a inclusão. Darcinete Oliveira ressaltou que este ano há mais opções voltadas para crianças atípicas.
“Nos outros anos não víamos tantas atividades direcionadas a essa necessidade. Agora encontramos jogos e materiais inclusivos que estimulam a participação delas. Isso mostra uma preocupação maior com a diversidade e torna o evento ainda mais especial.”
Impressão 3D é um dos atrativos do estande voltado para tecnologia e inovação. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomImpressão 3D e cultura local
Os estandes de tecnologia também chamam atenção. Laurênio de Souza ficou impressionado com os personagens criados em impressão 3D.
“É como uma escultura, lembra trabalhos antigos, mas hoje está mais acessível e até possível de encomendar. É um avanço para nossas cidades, porque antes só víamos pela internet ou televisão, e agora temos a oportunidade de acompanhar ao vivo. O trabalho está muito bonito, parabéns aos organizadores.”
Rodrigo Gomes, expositor, destacou o sucesso dos chaveiros sensoriais e dos “dummys”. Além disso, sua empresa Juruá 3D tem produzido peças que valorizam a identidade local.
Empresas também apostaram em produtos que ressaltam a identidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom“Queremos explorar a cultura do Juruá e desenvolver peças personalizadas que representem a região. Já fizemos chaveiros com a Catedral, árvores, casas de farinha e até saquinhos de farinha e açaí. São elementos culturais que fortalecem nossa tradição e permitem que o visitante leve um presente único e representativo da cidade.”
Tiago Lucena, coordenador do Laboratório de Biologia Animal e fundador da startup Jabotec 3D, reforçou o caráter inovador.
“Este ano trouxemos a Jabotec 3D, especializada em produtos personalizados em impressão 3D. Transformamos elementos da cultura pop em objetos colecionáveis e também aplicamos a tecnologia em materiais didáticos, que tornam as salas de aula mais interativas. Já validamos resultados com aumento de até 60% nas notas dos alunos.”
Analice foi visitar a feira apenas para adquirir seus personagens preferidos. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomEncanto para jovens
Analice do Nascimento, de 11 anos, ficou encantada com os espaços voltados para colecionadores.
“Estou começando a me apaixonar por essas figuras e vim preparada para adquirir algumas peças. Ontem comprei uma Hello Kitty e hoje levei um Pikachu. São produtos que remetem à infância e despertam muito interesse.”
Ela destacou que o evento é uma oportunidade para conhecer novidades e investir em itens que antes só acompanhava à distância. “É um espaço que atrai jovens e adultos, e que valoriza esse universo cultural de forma acessível.”
Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
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Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
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