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Agro brasileiro cresce com safras recordes, mas enfrenta desafios no crédito e na gestão de riscos

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O agronegócio brasileiro vive um momento de forte expansão produtiva, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios crescentes no acesso ao crédito e na gestão de riscos. A avaliação é da especialista em crédito de risco Phamella Lourenço, que destaca um cenário de oportunidades acompanhado por maior complexidade financeira no campo.

Safra recorde reforça força do agronegócio brasileiro

A expectativa de uma colheita superior a 350 milhões de toneladas evidencia a relevância do setor para a economia nacional. O desempenho produtivo mantém o agro como um dos principais motores do crescimento do país.

No entanto, esse avanço ocorre em um contexto de desaceleração da agropecuária e de condições mais restritivas para o financiamento das atividades rurais.

Crédito mais restrito aumenta desafios no campo

O acesso ao crédito rural tem se tornado mais limitado e seletivo. Instituições financeiras adotam uma postura mais conservadora, elevando os critérios de análise e exigindo maior nível de garantias por parte dos produtores.

Além disso, a menor disponibilidade de recursos no mercado contribui para dificultar o financiamento, especialmente em um ambiente de maior incerteza econômica.

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Juros elevados pressionam produtores e investimentos

Entre os principais entraves apontados está o patamar elevado das taxas de juros, que encarece o custo do capital e reduz a capacidade de investimento no campo.

Esse cenário impacta diretamente a sustentabilidade financeira das operações, exigindo maior planejamento e controle por parte dos produtores.

Perfis diversos enfrentam dificuldades semelhantes

O setor reúne diferentes perfis de produtores, desde aqueles já consolidados — muitas vezes com alto nível de endividamento — até novos entrantes, ainda sem histórico financeiro robusto.

Também há sucessores que assumem propriedades rurais sem preparo adequado na gestão financeira. Apesar das diferenças, todos enfrentam dificuldades crescentes no acesso ao crédito.

Falta de seguro rural e gargalos estruturais ampliam riscos

A ausência de um seguro rural eficiente e acessível é outro fator que aumenta a exposição a riscos no agronegócio.

Somam-se a isso problemas estruturais, como limitações em logística, armazenagem e gestão, que elevam os custos e reduzem a competitividade das operações.

Crédito mais técnico exige análise aprofundada

Diante desse cenário, as operações de crédito se tornam mais complexas e exigem avaliações mais detalhadas. O processo envolve análise criteriosa do perfil do produtor, da capacidade de pagamento e dos riscos envolvidos.

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Nesse contexto, cresce a importância de profissionais especializados, capazes de apoiar decisões mais seguras e sustentáveis.

Continuidade das atividades depende de gestão financeira eficiente

Segundo Phamella Lourenço, o crédito vai além dos números e tem impacto direto na continuidade das atividades no campo.

A combinação entre produção em alta e restrições financeiras reforça a necessidade de equilíbrio entre crescimento e gestão de riscos, tornando o ambiente do agronegócio ao mesmo tempo promissor e desafiador.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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