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Agronegócio brasileiro pode se inspirar em modelo norte-americano para elevar produtividade e profissionalismo

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Segundo Álvaro Gottlieb, gerente de Marketing de Produto e Inteligência de Mercado da FertiSystem, o Brasil deixou de ser apenas um importador de tecnologia agrícola e passou a se tornar um referente em soluções adaptadas ao clima e à produção nacional. O país agora exporta conhecimento, tecnologia e modelos de produção sustentável que têm chamado atenção internacional.

Gottlieb compartilhou suas impressões após visitar a Farm Progress Show, maior exposição agrícola ao ar livre dos Estados Unidos, destacando a objetividade, eficiência e confiança presentes na cultura de negócios norte-americana.

Tecnologia brasileira funciona e convence nos EUA

Durante a feira, Gottlieb observou que tecnologias brasileiras são aplicáveis e eficientes no contexto americano. Ao contrário do Brasil, onde relações comerciais são construídas por meio de conversas e visitas, nos Estados Unidos transparência e previsibilidade são requisitos essenciais: preço claro, proposta direta e pós-venda sólido formam a base da confiança.

A feira mostrou que a tecnologia não é apenas um espetáculo, mas um componente funcional. Sensores e sistemas inteligentes operam de forma integrada em colheitadeiras e semeadoras. Um exemplo é o strip-tillage, técnica de preparo de solo adotada no outono americano que aproveita o degelo para fornecer nutrientes. Embora inviável para o trópico, a prática evidencia que cada agricultura adapta-se ao seu calendário, mas o objetivo é o mesmo: eficiência sustentável.

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Conectividade e precisão como diferencial competitivo

Um dos principais aprendizados da visita foi a infraestrutura de internet rural nos EUA, que permite telemetria, integração entre insumos e resultados em tempo real. A taxa variável, aplicando insumos apenas onde o solo necessita, já é rotina, unindo sustentabilidade econômica e ambiental. Gottlieb observa que o Brasil ainda tem espaço para expandir a conectividade, aumentar a precisão e reduzir desperdícios.

Apesar das semelhanças em máquinas e sistemas de manejo entre os dois países, a mentalidade produtiva é o diferencial: o produtor americano dimensiona seu parque de máquinas exatamente para a área cultivada, priorizando durabilidade e adequação à operação, em vez de potência imediata.

Potencial brasileiro e oportunidades de expansão internacional

Enquanto grande parte do território agrícola norte-americano já está consolidada, o Brasil ainda dispõe de áreas para expansão responsável, consolidando seu papel como exportador global de soja, milho, café e frutas cítricas. A presença da FertiSystem na Farm Progress Show evidencia a validação internacional das soluções brasileiras e reforça o compromisso com planejamento, serviço técnico e sustentabilidade baseada em dados.

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Segundo Gottlieb, a experiência ensina que o tempo certo para o Brasil consolidar seu protagonismo global no agronegócio é agora. A lição não é apenas tecnológica, mas de postura empresarial: ser conciso, transparente, eficiente e sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

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A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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