AGRONEGÓCIO
Avicultura lança campanha para estimular consumo de frango
AGRONEGÓCIO
A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) lança nesta terça-feira (02.09), a quarta edição da campanha de incentivo ao consumo da carne de frango e de valorização das marcas produtoras no Rio Grande do Sul. O objetivo é reforçar a presença da carne de frango na mesa do consumidor e apoiar a competitividade de quem produz no Estado.
O movimento chega em um momento de desempenho robusto para a avicultura brasileira. De janeiro a julho, as exportações de carne de frango e miudezas renderam mais de R$ 29,8 bilhões, com embarques que ultrapassaram 2,9 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério da Agricultura. No mesmo período, as vendas externas de ovos somaram cerca de R$ 674 milhões. Arábia Saudita, China, Emirados Árabes, Japão, México e Filipinas figuraram entre os principais compradores. Para 2025, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta novo recorde de produção, de 15,48 milhões de toneladas, alta de 1,5% em relação ao ano anterior.
O setor também mostrou resiliência diante do primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade em plantel comercial no país, registrado em maio no Rio Grande do Sul. Com a adoção imediata de medidas sanitárias e o cumprimento do vazio de 28 dias, o Brasil foi novamente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como livre da doença. Na sequência, quatro países retiraram as restrições temporárias impostas às importações de carne de aves.
Com essa combinação de desempenho externo, segurança sanitária e estratégias de comunicação, a avicultura gaúcha reforça sua relevância para a economia local e para a posição do Brasil como maior exportador global de carne de frango. A campanha da Asgav busca ampliar a percepção de valor junto ao consumidor, mostrando a proteína como versátil, acessível e competitiva, capaz de sustentar empregos, inovação e crescimento no campo e na indústria.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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