AGRONEGÓCIO
Brasil eleva tarifas de importação para até 20% e amplia custos em mais de mil produtos
AGRONEGÓCIO
GECEX eleva tarifas de importação e atinge mais de mil produtos
O governo brasileiro iniciou 2026 com uma mudança significativa na política de comércio exterior. Na primeira reunião do ano, realizada em 28 de janeiro, o Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) aprovou um realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação para bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT).
A decisão foi formalizada pela Resolução GECEX nº 852/2026, publicada em 5 de fevereiro, e aumenta as tarifas de mais de 1.000 classificações fiscais, com impacto direto sobre setores industriais e de serviços que dependem de insumos importados.
As novas faixas de tributação ficaram assim definidas:
- NCMs com alíquota inferior a 7,2% passam para 7,2%;
- NCMs entre 7,2% e 12,6% passam para 12,6%;
- NCMs entre 12,6% e 20% passam a ter alíquota de 20%.
Na prática, o aumento pode chegar a 7,2 pontos percentuais, afetando diretamente empresas que utilizam máquinas, peças, equipamentos eletrônicos e componentes tecnológicos.
Indústria nacional enfrenta desafio de competitividade
O realinhamento ocorre em um momento de obsolescência do parque industrial brasileiro, com boa parte dos equipamentos em uso há mais de duas décadas. A indústria nacional de bens de capital ainda não consegue atender plenamente à demanda interna nem acompanhar a modernização tecnológica global.
O regime de Ex-Tarifário, que permite importação com alíquota zero de bens sem similar nacional, era até então um mecanismo essencial para estimular investimentos e atualização tecnológica. Contudo, o processo para obtenção do benefício, conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pode levar até 120 dias entre análise técnica, consulta pública e deliberação do GECEX — tempo que agora pode significar custos adicionais às empresas.
Para Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o impacto é amplo:
“O aumento das alíquotas impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas. Máquinas e tecnologias são fundamentais para produtividade. Com custos mais altos, projetos são adiados e a competitividade do Brasil cai no cenário global.”
Efeito em cadeia: indústria, comércio e consumidor
As novas tarifas atingem desde máquinas industriais até bens de consumo final, gerando reflexos em toda a economia. Entre os itens impactados estão bombas hidráulicas, válvulas, motores, equipamentos de mineração e semicondutores, além de antenas, celulares, televisores e eletrodomésticos.
O aumento das alíquotas pode se refletir:
- No custo de obras de infraestrutura, como metrôs e portos;
- No preço de eletrônicos e equipamentos de telecomunicações;
- Na manutenção de equipamentos hospitalares e serviços médicos;
- E até no valor de produtos de uso cotidiano, como motores de portão e utensílios domésticos.
De acordo com Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, o aumento também pressiona contratos em andamento:
“Muitos contratos foram firmados considerando alíquotas menores. O reajuste pode consumir toda a margem de operação, exigindo renegociações e até revisões contratuais para absorver o aumento de custos.”
Empresas de mineração e perfuração, por exemplo, já estimam reajustes de até 10% nos contratos, o que pode gerar atrasos em obras públicas e privadas.
Pressão inflacionária e riscos jurídicos
Economistas e consultores alertam para os efeitos inflacionários e os riscos de insegurança jurídica decorrentes da mudança abrupta. Com custos de importação mais altos, o repasse de preços deve alcançar o consumidor final e pressionar a inflação nos próximos meses.
A fim de reduzir impactos imediatos, o governo publicou a Resolução GECEX nº 853/2026, em 9 de fevereiro, permitindo pedidos de redução temporária da alíquota para 0% entre 9 de fevereiro e 31 de março. O benefício é restrito a produtos anteriormente contemplados e pode valer por até 120 dias.
Fracola avalia que a medida é paliativa:
“Essa alternativa é importante, mas temporária. As empresas precisam agir rápido e apresentar processos técnicos sólidos para tentar reduzir os impactos no curto prazo.”
Debate sobre política industrial e modernização
A elevação das tarifas reacende o debate sobre o papel da política industrial brasileira. Medidas semelhantes, como o aumento do imposto de importação de veículos nos anos 1990, buscaram proteger a indústria nacional, mas também reduziram a pressão competitiva externa e encareceram produtos.
Para Mauro Lourenço Dias, o desafio é encontrar equilíbrio entre proteção e inovação:
“O Brasil precisa fortalecer sua indústria, mas também garantir acesso a tecnologia de ponta. Aumentar impostos pode elevar a arrecadação no curto prazo, mas tende a frear a modernização e reduzir a competitividade.”
Com pouco mais de três décadas de abertura econômica, o país ainda busca um modelo que una produtividade, previsibilidade e inserção global. Enquanto isso, empresas recalculam custos, renegociam contratos e tentam se adaptar a um cenário tributário mais caro e desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
-
ACRE3 dias atrásGoverno presta assistência a famílias atingidas por forte chuva em Rio Branco
-
ACRE2 dias atrásCom ações coordenadas, órgãos ambientais se reúnem para definir metas e acelerar o desenvolvimento sustentável no Acre
-
ACRE2 dias atrásGoverno do Estado garante apoio a famílias atingidas por enxurrada na Baixada da Sobral
-
ACRE4 dias atrásEstado investe R$ 8,5 milhões, supera desafios logísticos e inicia ano letivo da educação indígena
-
POLÍTICA4 dias atrásManoel Moraes destaca alcance social do Detran e destaca respeito entre governo e parlamento
-
ACRE3 dias atrásNovo chefe da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin é entrevistado no GovCast
-
ACRE5 dias atrásMailza Assis confirma mudança na Polícia Civil do Acre e nomeia novo delegado-geral adjunto
-
POLÍTICA3 dias atrásMaria Antônia pede recuperação da BR-317, alerta para avanço da hanseníase e destaca revitalização do Parque da Maternidade


