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Broca-da-haste avança nas lavouras de café Conilon e acende alerta para produtores

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A cafeicultura brasileira enfrenta um novo desafio fitossanitário. A broca-da-haste, também conhecida como broca-da-rama, tem ampliado sua presença nas lavouras de café Conilon (Coffea canephora) e despertado a atenção de técnicos e produtores em diversas regiões produtoras do país.

Tradicionalmente considerada uma praga secundária, o inseto vem ganhando relevância principalmente em áreas caracterizadas por altas temperaturas e elevada umidade, condições que favorecem seu desenvolvimento e multiplicação.

Segundo especialistas do setor, o avanço da praga reforça a necessidade de monitoramento constante das lavouras e de inspeções mais detalhadas para identificar precocemente os focos de infestação.

Ataque ocorre dentro dos ramos da planta

Diferentemente da broca-do-café (Hypothenemus hampei), conhecida por atacar diretamente os frutos e comprometer a qualidade dos grãos, a broca-da-haste possui um comportamento distinto e mais difícil de ser detectado.

O inseto se instala no interior dos tecidos lenhosos da planta, colonizando hastes e ramos do cafeeiro. Essa característica torna sua identificação mais complexa, uma vez que os danos nem sempre são perceptíveis externamente nos estágios iniciais da infestação.

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Ao penetrar nos tecidos vegetais, a praga utiliza a região medular dos ramos como abrigo e local para seu desenvolvimento, permanecendo protegida durante boa parte do ciclo biológico.

Identificação exige avaliação técnica

A presença da broca-da-haste nem sempre pode ser observada visualmente na superfície da planta. Em muitos casos, a confirmação da infestação depende de avaliações técnicas e da realização de cortes nos ramos para verificar a presença do inseto no interior dos tecidos.

Essa particularidade exige maior atenção dos produtores e equipes de campo, especialmente em lavouras onde já existem condições favoráveis para o desenvolvimento da praga.

O monitoramento preventivo torna-se ainda mais importante porque os sintomas podem ser confundidos com outros problemas fitossanitários ou mesmo com estresses fisiológicos da planta.

Condições climáticas favorecem o avanço da praga

Especialistas destacam que regiões produtoras com clima quente e úmido apresentam maior risco de ocorrência da broca-da-haste. Nessas condições, o inseto encontra ambiente favorável para reprodução e dispersão dentro da lavoura.

O cenário exige que os cafeicultores intensifiquem o acompanhamento das áreas produtivas, principalmente durante períodos de maior umidade, quando o potencial de infestação tende a aumentar.

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Monitoramento é fundamental para reduzir riscos

Com o crescimento da importância da broca-da-haste na cafeicultura, a recomendação técnica é investir em inspeções regulares e na capacitação das equipes responsáveis pelo manejo das lavouras.

A correta diferenciação entre a broca-da-haste e a broca-do-café também é essencial para definir estratégias adequadas de monitoramento e controle, uma vez que as duas pragas atacam partes distintas da planta e apresentam comportamentos diferentes.

Diante do avanço da praga em áreas de café Conilon, especialistas reforçam que a adoção de práticas de monitoramento preventivo será determinante para preservar a sanidade das lavouras, reduzir perdas produtivas e garantir a sustentabilidade da atividade cafeeira nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Erro em contratos de arrendamento pode gerar multa de 50% do IR, alerta Receita Federal

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Contratos de arrendamento e parceria rural exigem atenção de proprietários e produtores. Informações incompatíveis sobre pagamentos, receitas e divisão dos riscos podem levar a Receita Federal a questionar a operação, cobrar diferenças de Imposto de Renda e aplicar multas.

Um dos erros mais relevantes ocorre quando o proprietário declara como receita da atividade rural o valor recebido pela cessão da terra. Para a Receita, o arrendamento de imóvel rural é tributado como aluguel, e não como resultado da produção agropecuária.

A diferença afeta diretamente a forma de recolhimento do imposto. Quando o arrendamento é pago por uma pessoa física, o proprietário deve apurar mensalmente o carnê-leão, se houver imposto devido. Se o pagamento vier de uma pessoa jurídica, pode haver retenção na fonte, compensável posteriormente na declaração anual.

A falta de recolhimento do carnê-leão, quando obrigatório, está sujeita a multa isolada correspondente a 50% do imposto que deixou de ser pago. A penalidade pode ser cobrada mesmo quando o rendimento tiver sido incluído posteriormente na declaração anual.

Portanto, a multa não equivale a 50% de toda a receita recebida pelo proprietário. Ela incide sobre o valor do carnê-leão não recolhido, além da cobrança do imposto devido, juros e outras penalidades que podem ser aplicadas conforme a irregularidade identificada.

Segundo Viviane Morales, advogada e diretora administrativa e financeira da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, o problema aparece principalmente quando a remuneração fixa pela cessão da área é apresentada como se decorresse da exploração direta da propriedade.

No arrendamento, o dono da terra recebe a remuneração estabelecida no contrato e, em regra, não participa do resultado econômico da lavoura ou da pecuária. Uma quebra de safra, a queda dos preços ou o aumento dos custos não alteram automaticamente o valor que ele tem a receber.

Na atividade rural e na parceria efetiva, a lógica é diferente. As partes participam dos riscos e dos resultados do empreendimento. Clima, produtividade, preços, pragas e outras ocorrências podem interferir na parcela recebida por cada participante.

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Essa distinção é importante porque o regime tributário da atividade rural permite a apuração do resultado mediante o confronto entre receitas e despesas. O arrendamento, por sua vez, segue o tratamento destinado aos rendimentos de aluguel.

O risco fiscal não está restrito ao proprietário. Quem utiliza a terra também precisa informar corretamente o pagamento do arrendamento, o valor da operação e a identificação de quem recebeu os recursos.

A Receita orienta que os valores sejam registrados na ficha de pagamentos efetuados da declaração. A falta dessas informações pode gerar multa de 20% sobre o montante não declarado.

“A omissão pode gerar multa de até 20% sobre os valores não informados. Além disso, quando o pagamento do arrendamento é realizado em produtos agrícolas, como soja ou milho, e essa operação deixa de ser registrada corretamente, o produtor também pode ser autuado por omissão de receita da atividade rural”, afirma Viviane.

As informações declaradas por quem paga podem ser comparadas com aquelas apresentadas por quem recebe. Divergências de valores, datas, CPFs ou CNPJs aumentam a possibilidade de retenção da declaração para análise e de abertura de procedimento fiscal.

O pagamento em produtos agrícolas também exige cuidado. Contratos podem estabelecer a remuneração em quantidade determinada de sacas de soja, milho ou outro produto, mas a ausência de transferência bancária não elimina a obrigação de registrar a operação.

A entrega da produção para liquidar uma dívida do produtor deve ser reconhecida como receita da atividade rural no momento da entrega. Simultaneamente, o pagamento do arrendamento precisa ser registrado de acordo com a natureza da operação.

O fato de a remuneração estar expressa em sacas não transforma automaticamente o arrendamento em parceria rural. O elemento determinante é a existência, ou não, de compartilhamento efetivo dos riscos e dos resultados.

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Na parceria, as partes devem dividir riscos relacionados a caso fortuito, força maior e variações da produção e dos preços. Quando o proprietário recebe uma quantidade fixa, independentemente do desempenho da atividade, a relação apresenta características de arrendamento.

“Tentar maquiar um arrendamento como parceria é uma estratégia de alto risco. Quando não existe compartilhamento real dos riscos da produção, o contrato pode ser descaracterizado pela Receita Federal, expondo tanto o proprietário quanto quem utiliza a terra às penalidades previstas na legislação”, diz Viviane.

O nome colocado no contrato, por si só, não determina o tratamento tributário. A fiscalização pode analisar cláusulas, comprovantes, movimentações financeiras, notas fiscais, registros da produção e a forma como a relação foi executada.

Um documento chamado de parceria, mas que assegura ao proprietário remuneração fixa e transfere todo o risco ao produtor, pode ser tratado como arrendamento. Da mesma forma, um contrato corretamente redigido perde força se os pagamentos e os registros fiscais mostrarem uma realidade diferente.

Para reduzir riscos, as duas partes devem conferir se os valores pagos e recebidos são coincidentes, identificar corretamente os envolvidos e manter documentos capazes de comprovar a natureza econômica da operação.

A revisão precisa ocorrer antes da entrega da declaração, e não somente depois de uma intimação. Também é recomendável verificar se houve recolhimento mensal do carnê-leão, quando devido, e se pagamentos realizados em produtos foram registrados adequadamente.

Arrendar terras continua sendo uma ferramenta importante para ampliar a produção sem imobilizar capital na aquisição de imóveis. A parceria também permanece legítima quando existe divisão real dos riscos. O problema surge quando contrato, execução e declaração tributária contam histórias diferentes.

Para o produtor, a principal orientação é não tratar o contrato rural como simples formalidade. Uma classificação equivocada pode resultar em imposto adicional, multa, juros e questionamentos para os dois lados da operação.

Fonte: Pensar Agro

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