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Cafés premium crescem no Brasil e ampliam participação em lares de diferentes classes sociais
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O mercado de cafés premium segue em forte expansão no Brasil e já alcança uma parcela cada vez maior dos lares. Segundo levantamento da Worldpanel by Numerator, a penetração da categoria passou de 26,9% em 2024 para 34,2% em 2025, evidenciando a consolidação dos cafés diferenciados no consumo diário dos brasileiros.
O crescimento ocorre de forma disseminada entre todas as classes sociais, com destaque para o avanço entre consumidores das classes DE, onde a participação saltou de 20,6% para 29,7%. O movimento indica a democratização do acesso a cafés com maior valor agregado, antes mais concentrados em públicos específicos.
Mudança de comportamento impulsiona consumo de cafés de maior qualidade
O aumento da presença dos cafés premium nos lares brasileiros reflete uma transformação no perfil de consumo da bebida no país. Produtos associados à qualidade superior, origem controlada e diferenciação sensorial passam a integrar a rotina de um público mais amplo e diverso.
Especialistas do setor apontam que o consumidor brasileiro está mais aberto à experimentação e à valorização de atributos como aroma, sabor, rastreabilidade e métodos de produção, impulsionando toda a cadeia produtiva, da lavoura à indústria.
Cooxupé amplia aposta em cafés especiais e registra forte crescimento
O avanço da demanda por cafés diferenciados também se reflete na produção. Na Cooxupé, maior cooperativa de café arábica do mundo, o programa Especialíssimo — desenvolvido em parceria com a SMC Specialty Coffees — evidencia a crescente valorização da qualidade.
Desde 2019, o volume de lotes encaminhados para avaliação aumentou 389%, enquanto a participação de cooperados no programa cresceu 678%, reforçando a adesão dos produtores à produção de cafés especiais.
Os grãos selecionados no último ano foram exportados para mercados exigentes como Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Coreia do Sul, Itália, Grécia, Israel, Alemanha e Bélgica, além de integrarem blends exclusivos da indústria torrefadora da cooperativa.
Indústria reforça portfólio e aposta em novas experiências de consumo
A valorização dos cafés premium também é observada na indústria de torrefação da Cooxupé. Segundo o gerente de Planejamento da Torrefação Cooxupé, Daniel Salguele, o comportamento do consumidor tem se tornado mais sofisticado e diversificado.
De acordo com o executivo, cresce a busca por categorias superiores, gourmet e especiais, com consumidores mais atentos à origem do produto e às experiências sensoriais proporcionadas pela bebida.
Linha premium ganha novos formatos e amplia acesso ao consumidor
O crescimento da demanda levou à ampliação do portfólio da Torrefação Cooxupé. Entre os lançamentos recentes estão o Prima Qualità Superior moído 250 gramas e o Prima Qualità Gourmet em grãos 250 gramas, desenvolvidos para atender consumidores que desejam experimentar cafés diferenciados em embalagens menores e mais acessíveis.
A linha de cafés especiais também foi expandida com novas versões em grãos do Prima Qualità Cultivado por Mulheres e do Prima Qualità Especialíssimo, alinhadas à tendência de valorização de métodos de preparo que priorizam moagem na hora e maior preservação dos atributos sensoriais.
Segundo Salguele, o interesse do público por diferentes formas de preparo tem impulsionado a inovação. “A moagem na hora proporciona uma experiência mais completa, com maior percepção de aroma e frescor. Nosso objetivo é oferecer opções que atendam perfis variados, sempre priorizando a qualidade”, afirma.
Mercado de cafés especiais se expande e amplia opções ao consumidor
Além das linhas premium, o portfólio da Cooxupé inclui o Café Evolutto Premium, produto 100% arábica, além dos solúveis Evolutto Premium Granulado e Prima Qualità Liofilizado.
O conjunto de produtos reforça a estratégia da cooperativa de atender diferentes perfis de consumo e ocasiões, acompanhando a evolução do mercado brasileiro de cafés, que segue em trajetória de valorização da qualidade, da origem e da experiência sensorial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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