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Citricultores do RS reforçam manejo e controle fitossanitário para garantir qualidade da safra

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Manejo fitossanitário é prioridade nas lavouras de citros gaúchas

A produção de citros no Rio Grande do Sul segue com atenção redobrada às práticas de manejo fitossanitário e nutricional. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, os produtores estão reforçando ações de controle de doenças e pragas, além de garantir a adequada nutrição dos pomares nas principais regiões produtoras do estado.

Regiões de Bagé e São Gabriel mantêm tratos culturais

Na região administrativa de Bagé, especialmente em São Gabriel, as atividades de rotina seguem em ritmo intenso. Os produtores realizam aplicações de fungicidas e inseticidas, adubações de manutenção e limpeza dos pomares. Segundo o boletim, essas ações são essenciais para “preservar a sanidade das plantas e garantir o bom desenvolvimento dos frutos”.

Frederico Westphalen intensifica adubação e controle de doenças

Em Frederico Westphalen, os pomares se encontram na fase de desenvolvimento dos frutos, exigindo maior atenção ao manejo nutricional e sanitário. As adubações de cobertura seguem as recomendações técnicas para assegurar o enchimento e a qualidade dos frutos. O controle preventivo contra pinta-preta e cancro-cítrico foi reforçado, assim como o monitoramento e o manejo de ácaros.

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Ijuí aposta em manejo de solo para manter vigor das plantas

Em Ijuí, a cobertura vegetal nas entrelinhas dos pomares indica bom manejo do solo, favorecendo a conservação da umidade, a proteção contra erosão e a melhoria das condições biológicas. O desenvolvimento das plantas é considerado satisfatório para o período.

Lajeado registra bons resultados, mas enfrenta pontos de estiagem

Na região de Lajeado, a sanidade dos pomares é avaliada como satisfatória. No entanto, em áreas com solos mais rasos, especialmente nos pomares novos, há sinais de deficiência hídrica devido ao calor recente. O raleio da variedade Okitsu foi concluído, enquanto as variedades Caí e Pareci seguem em manejo intensificado.

Os produtores também realizam roçadas e poda de galhos finos para equilibrar a carga de frutos e melhorar a estrutura das plantas, além de manter o controle de plantas daninhas e tratamentos fitossanitários.

Preços variam entre regiões produtoras

No mercado, os preços da mandarina/bergamota verde variam conforme a região:

  • Montenegro: entre R$ 12,00 e R$ 16,00 por caixa
  • Tupandi: entre R$ 12,00 e R$ 14,00 por caixa
  • São José do Sul: média de R$ 14,00 por caixa
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Há relatos de que algumas indústrias estão solicitando até 180 dias de prazo para pagamento das frutas fornecidas.

Em Harmonia, a lima ácida Tahiti é vendida, em média, a R$ 35,00 por caixa de 25 kg. Já em Brochier, o limão Tahiti varia entre R$ 40,00 e R$ 50,00, enquanto o limão Siciliano é comercializado a cerca de R$ 40,00 por caixa.

Passo Fundo e Soledade mantêm bom desenvolvimento dos pomares

Em Passo Fundo, a laranja está na fase de formação de frutos, etapa que define o potencial produtivo da próxima safra. Os pomares apresentam bom estado fitossanitário, com monitoramento de pragas e doenças como pinta-preta e ácaros. Os preços pagos ao produtor variam entre R$ 0,80 e R$ 0,90 por quilo, conforme qualidade e classificação.

Na região de Soledade, as áreas de citros apresentam boa sanidade e desenvolvimento compatível com o período. O monitoramento fitossanitário segue de forma preventiva, contribuindo para manter a qualidade dos frutos e o equilíbrio produtivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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