AGRONEGÓCIO
Começa a colheita da safrinha com projeção de 109 milhões de toneladas
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Os produtores rurais brasileiros deram início oficial aos trabalhos de campo da segunda safra de milho 2025/26. O ciclo de inverno, que consolida o Brasil como um dos maiores players globais do cereal, entra na fase de colheita com a projeção de entregar 109,263 milhões de toneladas, um recuo de 3,5% em comparação com o volume registrado no ano passado.
No somatório geral das três safras anuais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País produzirá 138,448 milhões de toneladas, o que representa uma retração de 1,9% na comparação anual, mesmo após um incremento de 3,1% na área total plantada, que atingiu 22,526 milhões de hectares.
O avanço inicial das colheitadeiras está concentrado em duas principais forças produtoras do Centro-Sul, enquanto o restante do País monitora o clima para a entrada das máquinas ao longo do mês de junho.
Mato Grosso lidera o volume e acelera o ritmo
Como maior produtor nacional do cereal, Mato Grosso dita o ritmo do mercado e apresenta a colheita mais adiantada do País. Segundo o boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado colheu 1,94% da sua área cultivada. O índice representa o dobro da velocidade registrada no mesmo período do ano passado (0,97%), embora ainda corra abaixo da média histórica de 2,67%.
As fazendas mato-grossenses expandiram a área semeada em 1,8%, alcançando o recorde de 7,39 milhões de hectares. Contudo, a produção total do estado deve encolher 5%, fixada em 52,6 milhões de toneladas — praticamente metade de toda a safrinha brasileira. A quebra decorre de produtividades menores causadas pelo plantio fora da janela ideal e pela estiagem severa de outono.
Paraná divide a largada com foco na região Oeste
O Paraná é o segundo estado com colheita comercial ativa neste fechamento de maio. Os trabalhos estão concentrados na região Oeste (polos de Cascavel, Toledo e Palotina), onde os agricultores plantaram o milho logo após a retirada de uma soja precoce em janeiro.
O Departamento de Economia Rural (Deral) projeta uma safrinha total de 14 milhões de toneladas para o estado. No restante do território paranaense, as lavouras estão em fase de maturação final, e o ritmo deve ganhar força a partir da segunda semana de junho.
Goiás e Mato Grosso do Sul aguardam o sequeiro
Na região Centro-Norte de Mato Grosso do Sul, em municípios como São Gabriel do Oeste, há registros pontuais de abertura de talhões e limpeza de bordaduras, mas sem volume expressivo. A grande massa colhedora do estado, concentrada no Sul (Dourados e Ponta Porã), plantou mais tarde e só ligará as máquinas na segunda quinzena de junho.
Em Goiás, o cenário se divide: o que se colhe hoje em Rio Verde e Cristalina são áreas restritas de milho irrigado por pivô central. A safrinha de sequeiro goiana segue em fase de perda de umidade e o grosso da colheita está previsto para o próximo mês, sob a expectativa de perdas pontuais de rendimento devido ao estresse hídrico.
Matopiba e Minas Gerais em fase de enchimento de grãos
Nas novas fronteiras agrícolas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no estado de Minas Gerais, a colheita da safrinha é zero neste momento. O plantio tardio, motivado pelo atraso na colheita anterior da soja, empurrou o ciclo do milho para frente. As lavouras encontram-se majoritariamente entre as fases de floração e enchimento de grãos, dependendo do calor e da umidade residual do solo para garantir o teto produtivo antes da chegada do inverno seco.
Impacto no mercado
Para o produtor rural, a combinação de uma colheita inicial concentrada e a confirmação de uma safra nacional menor funcionam como fatores de suporte para os preços físicos do grão. Especialistas de mercado sinalizam que a pressão de baixa nas cotações, tradicionalmente vista no pico da entrada da safrinha, será suavizada nas próximas semanas, condicionada diretamente à capacidade logística de escoamento e ao frete nas principais rotas de exportação.
Fonte: Pensar Agro
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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