AGRONEGÓCIO
Confiança do consumidor volta a subir em março e atinge maior nível desde dezembro, aponta FGV
AGRONEGÓCIO
A confiança do consumidor brasileiro voltou a crescer em março, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de queda. O índice avançou 2 pontos, chegando a 88,1 pontos — o maior patamar desde dezembro de 2025, quando havia registrado 89,1 pontos, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Expectativas mais positivas sustentam avanço do indicador
De acordo com a economista Anna Carolina Gouveia, do FGV Ibre, a recuperação foi impulsionada principalmente pela melhora nas expectativas em relação aos próximos meses.
O indicador que mede a percepção sobre a situação financeira futura das famílias foi o principal destaque, contribuindo significativamente para o resultado geral. O movimento reflete uma redução do pessimismo em relação às finanças pessoais.
Fatores como a manutenção do emprego e da renda, o controle da inflação e a recente redução das taxas de juros têm influenciado positivamente a percepção dos consumidores sobre o cenário econômico futuro.
Índice de Expectativas cresce e atinge maior nível desde dezembro
O Índice de Expectativas (IE) registrou alta de 3,4 pontos em março, alcançando 92,1 pontos e sendo o principal responsável pela elevação do indicador geral.
Entre os componentes do IE, o indicador de situação financeira futura das famílias subiu 6,5 pontos, chegando a 89,4 pontos. Já o indicador de situação econômica local futura avançou 1,8 ponto, atingindo 105,5 pontos.
Ambos os indicadores alcançaram os níveis mais elevados desde dezembro de 2025, reforçando a visão mais otimista dos consumidores em relação ao futuro próximo.
Avaliação da situação atual ainda mostra leve recuo
Apesar do avanço nas expectativas, a percepção sobre a situação atual apresentou leve queda. O Indicador de Situação Atual (ISA) recuou 0,3 ponto em março, para 83,2 pontos.
Entre os quesitos avaliados, o indicador de situação econômica local atual caiu 1,4 ponto, atingindo 94,7 pontos. Por outro lado, o indicador de situação financeira atual das famílias registrou alta de 0,8 ponto, chegando a 72,1 pontos.
Confiança do consumidor aponta recuperação gradual
Os dados indicam um movimento de recuperação gradual da confiança do consumidor, sustentado principalmente por perspectivas mais positivas em relação ao futuro. Ainda assim, a avaliação do cenário atual mostra cautela, sugerindo que a retomada ocorre de forma moderada no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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