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Da fazenda ao prato: especialista explica como garantir a qualidade da carne bovina

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A qualidade da carne bovina não está ligada apenas ao sabor e à maciez. Cada etapa da cadeia produtiva influencia diretamente na segurança alimentar e no resultado final que chega ao prato do consumidor. Segundo a analista de assistência técnica e gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato, fatores como genética, manejo e alimentação têm peso decisivo nesse processo.

De acordo com a especialista, a escolha da raça ou de cruzamentos bem planejados pode melhorar a conversão alimentar, tornando a produção mais eficiente e o produto final de maior qualidade.

Bem-estar animal influencia diretamente no resultado

O Brasil é reconhecido mundialmente pela qualidade da carne bovina, e um dos diferenciais está no cuidado com o animal antes do abate. O manejo calmo e sem estresse evita a liberação excessiva de glicogênio e hormônios que alteram o pH da carne, fator que compromete sabor e textura.

Transporte e cadeia de frio são essenciais

Outro ponto crítico está no transporte e na conservação durante a distribuição. Para preservar a qualidade, a carne precisa ser mantida em cadeia de frio contínua:

  • Carnes resfriadas: entre 0 °C e 4 °C
  • Carnes congeladas: a -12 °C ou menos, preferencialmente -18 °C
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Qualquer falha nesse processo — como variações de temperatura ou embalagens danificadas — acelera a deterioração e representa risco ao consumidor.

Armazenamento correto dentro de casa

Mesmo com um transporte adequado, o armazenamento doméstico também requer atenção. Carnes devem ser mantidas cruas e separadas de frutas, verduras e alimentos prontos, evitando a contaminação cruzada.

  • Carnes resfriadas: devem ficar entre 0 °C e 4 °C em recipientes fechados.
  • Carnes congeladas: devem ser mantidas a -18 °C ou menos em embalagens herméticas.

Paula Lobato alerta que não se deve descongelar e recongelar carnes, pois isso favorece a multiplicação de bactérias e compromete textura e sabor.

Higienização e preparo garantem segurança

Na preparação, a higiene é fundamental. Facas, tábuas, mãos e superfícies precisam ser lavadas antes e depois do contato com a carne. O uso da mesma tábua para outros alimentos deve ser evitado sem a devida higienização.

Quanto ao cozimento:

  • Carne moída: deve ser bem cozida, pois a moagem aumenta a exposição a microrganismos.
  • Cortes inteiros: podem ser consumidos malpassados, desde que inspecionados e armazenados corretamente. A temperatura interna recomendada varia de 63 °C a 70 °C, enquanto para carne moída deve atingir 72 °C.
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Congresso em Belo Horizonte vai debater a qualidade da carne

Nos dias 18 e 19 de setembro, Belo Horizonte (MG) será palco do Congresso Nacional da Carne (Conacarne), no Expominas. Considerado o maior evento da cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, o encontro é organizado pelo Sistema CNA/Senar e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), com apoio da ABCZ.

O objetivo é reunir produtores, técnicos, indústrias e especialistas para discutir desafios e inovações do setor, alinhando a produção às exigências do mercado interno e externo.

Entre os temas em destaque:

  • Padrões de qualidade da carne para produtores
  • Tecnologias e a chamada “carne do futuro”
  • Tendências de consumo no Brasil e no exterior
  • Expectativas para o mercado do boi
  • Casos de sucesso na pecuária
  • Apresentação de cortes especiais

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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