AGRONEGÓCIO
Dólar inicia semana em leve alta com mercado atento a juros nos EUA e dados econômicos do Brasil
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Na última sexta-feira (22), o Ibovespa avançou 2,57%, encerrando o pregão aos 137.968 pontos. O dólar caiu 0,95%, sendo negociado a R$ 5,4258.
Nesta segunda-feira (25), a moeda norte-americana começou o dia em leve valorização. Por volta das 9h05, o dólar subia 0,02%, cotado a R$ 5,426. O Ibovespa inicia as negociações às 10h.
Expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos
Após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sinalizando a possibilidade de redução da taxa básica de juros, investidores mantêm atenção às próximas falas de dirigentes do banco central americano.
Hoje estão programados dois discursos:
- 16h15 (horário de Brasília): Lorie Logan, dirigente do Fed de Dallas;
- 20h15: John Williams, presidente do Fed de Nova York.
Powell destacou que um corte de juros pode ocorrer em breve, mas alertou que o impacto das tarifas impostas pelo governo ainda representa risco para a inflação.
Cenário econômico no Brasil
No mercado doméstico, analistas reduziram pela 13ª semana consecutiva a projeção de inflação para 2025, de 4,95% para 4,86%, ainda acima do teto da meta, que é de 4,5%.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, registrou queda de 0,5 ponto em agosto, atingindo 86,2 pontos. O indicador reflete a percepção dos consumidores sobre a situação econômica atual e as expectativas futuras.
Desempenho do dólar e do Ibovespa
- Dólar
- Semana: +0,51%
- Mês: -3,12%
- Ano: -12,20%
- Ibovespa
- Semana: +1,19%
- Mês: +3,68%
- Ano: +14,70%
Impacto das declarações de Powell nos mercados
A sinalização de cortes de juros nos EUA afetou os mercados globais. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a expectativa de redução nas taxas fez os títulos americanos renderem menos, enfraquecendo o dólar frente a outras moedas e beneficiando o mercado acionário.
“Com juros em queda e dólar desvalorizado, as empresas listadas em bolsa tendem a se beneficiar”, explica o especialista.
Bolsas internacionais fecham em alta
Em Wall Street, os principais índices encerraram a sexta-feira em valorização:
- Dow Jones: +1,89% (45.631,74 pontos)
- S&P 500: +1,51% (6.466,48 pontos)
- Nasdaq: +1,88% (21.496,54 pontos)
Na Europa, as bolsas também registraram ganhos, impulsionadas pela perspectiva de cortes de juros nos EUA:
- STOXX 600: +0,40% (561,30 pontos)
- Londres: +0,13%
- Frankfurt: +0,29%
- Paris: +0,40%
- Milão: +0,69%
- Madri: +0,61%
- Lisboa: -0,50%
Na Ásia, o otimismo com o setor de inteligência artificial elevou os mercados a altas históricas. O índice de Xangai subiu 1,45%, alcançando 3.825,76 pontos, maior nível desde 2015. Já o CSI300, que reúne as principais empresas de Xangai e Shenzhen, avançou 2,1%, atingindo o patamar mais alto em dez meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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