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Dólar recua com tom mais conciliador de Trump sobre a China; mercado acompanha Focus e shutdown nos EUA
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O dólar abriu em queda nesta segunda-feira (13), refletindo o tom mais ameno adotado por Donald Trump em relação à China. Por volta das 9h35, a moeda norte-americana recuava 0,48%, sendo negociada a R$ 5,4782. Na sexta-feira (10), o dólar havia avançado 2,38%, encerrando o pregão a R$ 5,5031.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), inicia o dia com expectativa de recuperação após ter caído 0,73%, aos 140.680 pontos, no último fechamento.
Mercado global reage a sinais políticos e ao impasse do governo dos EUA
O início da semana é marcado por cautela nos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, investidores monitoram o shutdown, que mantém parte das atividades do governo federal paralisadas, e as recentes declarações de Trump, que adotou um discurso mais conciliador sobre a China, reduzindo momentaneamente as tensões comerciais.
Esses fatores trazem algum alívio para os ativos de risco, mas o sentimento global segue misto, com investidores ainda avaliando os impactos fiscais e monetários de curto prazo.
Desempenho acumulado: dólar sobe na semana e no mês, mas ainda cai no ano
- Dólar
- Semana: +3,39%
- Mês: +3,39%
- Ano: -10,95%
- Ibovespa
- Semana: -2,44%
- Mês: -3,80%
- Ano: +16,96%
A valorização recente do dólar reflete o aumento da aversão ao risco global, embora o real ainda acumule ganhos expressivos no ano, sustentado pela entrada de capital estrangeiro e pela política monetária doméstica mais estável.
Boletim Focus reduz projeção de inflação e mantém estimativas de juros e PIB
De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central, o mercado financeiro reduziu levemente as projeções de inflação para 2025, enquanto manteve estáveis as expectativas de juros e crescimento econômico.
A mediana das projeções para o IPCA — índice oficial de inflação — caiu de 4,80% para 4,72% em 2025, permanecendo 0,22 ponto acima do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, a previsão era de 4,83%.
Para a taxa Selic, o consenso do mercado continua em 15% no fim de 2025, marcando a 16ª semana consecutiva sem alteração. Para 2024, a projeção segue em 12,25%.
O PIB brasileiro deve crescer 2,16% em 2025 e 1,80% em 2024, segundo as estimativas — ambas estáveis em relação às semanas anteriores.
Perspectiva dos investidores
Analistas apontam que a combinação de inflação sob controle, juros altos e alívio no câmbio cria um cenário favorável para ativos locais, embora a volatilidade externa, especialmente vinda dos Estados Unidos e da China, siga determinante para o rumo dos mercados nesta semana.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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