AGRONEGÓCIO
Dólar recua e Ibovespa segue em alta enquanto mercado aguarda dados de inflação nos EUA
AGRONEGÓCIO
Dólar inicia o dia em baixa
O dólar comercial abriu a sexta-feira (5) em queda, cotado a R$ 5,3001, recuo de 0,19% na manhã desta sexta-feira. O movimento reflete a expectativa do mercado em relação aos próximos dados de inflação nos Estados Unidos, que podem influenciar a trajetória das taxas de juros globais e afetar moedas emergentes como o real.
Ibovespa opera em alta e se aproxima de recordes
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia o dia com leve alta, sustentado por um cenário global mais favorável e pelo interesse de investidores em ações brasileiras. O desempenho recente do índice tem se beneficiado de recompras de ações, dividendos e maior apetite por risco no mercado doméstico.
Agenda econômica e fatores de mercado
Com agenda econômica doméstica mais esvaziada, o foco dos investidores está nos indicadores internacionais. Os mercados monitoram especialmente os dados de inflação nos EUA, que devem sinalizar a direção de políticas monetárias futuras. No Brasil, os agentes seguem atentos aos indicadores recentes de PIB, inflação e políticas fiscais, que moldam expectativas para o real e o mercado acionário.
Desempenho acumulado do dólar e do Ibovespa
De acordo com os dados mais recentes:
- Dólar (USDBRL)
- Acumulado da semana: -0,46%
- Acumulado do mês: -0,46%
- Acumulado do ano: -14,07%
- Ibovespa
- Acumulado da semana: +3,39%
- Acumulado do mês: +3,39%
- Acumulado do ano: +36,73%
O real apresenta valorização em 2025 frente ao dólar, refletindo fluxo de investimentos e expectativa de estabilidade econômica, enquanto o Ibovespa mantém trajetória de forte crescimento, próximo de recordes históricos.
Expectativas para os próximos dias
O comportamento do mercado nos próximos dias seguirá atrelado aos indicadores internacionais, sobretudo à inflação americana, e aos dados econômicos brasileiros. Qualquer surpresa nos números pode gerar volatilidade no câmbio e nos ativos domésticos. Por outro lado, fortalecimento da moeda nacional e liquidez elevada no mercado acionário mantêm atrativa a alocação de recursos em ações brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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