AGRONEGÓCIO
Estudo comprova alta eficiência da Brachiaria Mavuno no controle de nematoides e fortalecimento radicular
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Brachiaria Mavuno se destaca no controle de nematoides e na regeneração do solo
Um estudo técnico conduzido em ambiente controlado confirmou que a Brachiaria Mavuno, híbrido desenvolvido pela Wolf Seeds, é uma das opções mais eficientes para reduzir a pressão de nematoides e melhorar a saúde do solo nas lavouras brasileiras. A pesquisa, realizada pela Araucária Soluções Agronômicas sob coordenação da professora Cláudia Dias Arieira, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), comprovou o potencial do híbrido no manejo integrado de pragas do solo.
Os nematoides, vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas, estão entre os principais desafios da agricultura moderna, provocando redução na absorção de água e nutrientes e perdas expressivas de produtividade. A Brachiaria Mavuno se mostrou uma alternativa eficaz ao reduzir drasticamente a reprodução desses patógenos, ao mesmo tempo em que promove maior desenvolvimento radicular, um fator essencial para a sustentabilidade agrícola.
Pesquisa compara híbrido Mavuno à braquiária convencional e à soja
O estudo avaliou o comportamento da Brachiaria Mavuno, da Brachiaria ruziziensis (variedade convencional) e da soja — usada como testemunha — frente aos nematoides Pratylenchus brachyurus e Helicotylenchus dihystera, considerados os mais agressivos em áreas agrícolas do país.
Segundo o CEO da Wolf Seeds, Alexander Wolf, o objetivo era validar cientificamente observações de campo. “Queríamos comprovar, com dados técnicos, aquilo que os produtores já percebiam na prática: o menor índice de nematoides e o vigor radicular superior da Mavuno”, explica.
Resultados expressivos: redução de até 93,8% dos nematoides nas raízes
Os resultados foram contundentes. Em comparação com a soja, a Brachiaria Mavuno reduziu em 65,8% a população total de Pratylenchus brachyurus, enquanto a ruziziensis apresentou redução de 54,4%. Quando considerada a densidade de nematoides por grama de raiz — indicador técnico mais preciso — a Mavuno apresentou 93,8% de redução, frente a 87,1% da braquiária convencional.
De acordo com a pesquisadora Cláudia Dias Arieira, esse resultado revela que o híbrido possui menor eficiência de infecção e reprodução do patógeno, mesmo tendo um sistema radicular mais extenso. “A Brachiaria Mavuno mostrou que é possível ter um volume de raízes maior e, ainda assim, menos nematoides por grama de raiz, o que indica uma interação mais equilibrada entre planta e solo”, destaca.
Sistema radicular mais forte garante maior sustentabilidade produtiva
Além da redução na densidade de nematoides, o estudo revelou que a Brachiaria Mavuno apresenta maior produção de massa fresca de raízes em todas as condições testadas, inclusive em ambientes infestados. Essa característica é considerada estratégica para melhorar a estrutura física e biológica do solo.
Segundo Arieira, “um sistema radicular mais volumoso e ativo não apenas tolera melhor o parasitismo, mas também favorece a estabilidade e a fertilidade do solo, beneficiando as culturas cultivadas em sucessão”.
No caso do Helicotylenchus dihystera, ambas as braquiárias apresentaram reduções significativas da população do nematoide em comparação à soja. Ainda assim, a Mavuno manteve vantagem agronômica por promover raízes mais desenvolvidas — um ganho estrutural que, segundo a pesquisadora, “costuma ser subestimado nas análises de curto prazo, mas tem grande impacto na produtividade futura”.
Cobertura de solo ganha protagonismo no manejo sustentável
Para Alexander Wolf, os resultados do estudo reforçam a importância das plantas de cobertura como ferramentas estratégicas no manejo sustentável das áreas agrícolas. “Estamos em um momento de valorização crescente das plantas de cobertura. Elas não servem apenas para formar palhada, mas para regenerar o solo e construir sistemas mais resilientes e produtivos”, explica.
Wolf destaca que a Brachiaria Mavuno representa um avanço em relação às espécies convencionais, por aliar controle biológico, vigor radicular e sustentabilidade. “Nosso objetivo, desde o desenvolvimento do híbrido, era oferecer uma solução capaz de reduzir a pressão de nematoides e, ao mesmo tempo, contribuir para um solo mais fértil e equilibrado”, afirma.
Ferramenta estratégica para o manejo integrado
O executivo ressalta, porém, que o uso da Brachiaria Mavuno deve ser entendido como parte de um manejo integrado de nematoides. “O Mavuno não elimina completamente o problema, mas atua como uma ferramenta estratégica dentro de um sistema sustentável, reduzindo as populações de pragas e criando condições ideais para que as culturas seguintes expressem todo o seu potencial produtivo”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.
O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.
Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.
A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.
Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.
A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.
Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.
Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.
O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.
Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.
A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.
Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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