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Etanol hidratado cai em São Paulo e se aproxima do custo de produção, aponta Cepea

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O preço médio do etanol hidratado nas usinas do estado de São Paulo voltou a registrar queda na última semana, ainda que em ritmo menos intenso do que o observado em abril e maio. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações já se aproximam dos custos de produção das unidades industriais, o que reduz a pressão vendedora no mercado spot.

O movimento confirma um cenário de enfraquecimento gradual dos preços do biocombustível, em meio ao aumento da oferta e à maior competitividade entre etanol e açúcar no mix produtivo das usinas.

Etanol hidratado atinge menor nível desde março de 2024

De acordo com o Cepea, o etanol hidratado registrou recuo de 0,67% na comparação semanal, sendo negociado a R$ 2,2166 por litro. Trata-se da segunda queda consecutiva e do menor patamar nominal desde março de 2024.

Desde o início de março, o combustível acumula desvalorização próxima de 25% na média das usinas paulistas, refletindo um ambiente de maior oferta no mercado interno.

A retração é explicada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul e pela maior destinação da matéria-prima para a produção de etanol, em um cenário em que o açúcar também apresenta preços limitados de valorização.

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Maior oferta e etanol de milho ampliam pressão sobre preços

Além da maior disponibilidade de cana-de-açúcar, o mercado também é impactado pelo crescimento da produção de etanol de milho, que reforça a oferta total do biocombustível no país.

Segundo o Cepea, a combinação desses fatores sinaliza para um cenário de produção recorde em 2026, o que tende a manter o ambiente de preços pressionados no médio prazo.

Dados do setor apontam que, no Centro-Sul, a moagem de cana cresceu cerca de 34% no início da safra entre abril e meados de maio, enquanto a produção de etanol avançou 46,7% no mesmo período.

Usinas operam próximas do ponto de equilíbrio

Com a forte queda das cotações, agentes do mercado relatam que os preços atuais já se aproximam dos custos de produção das usinas, especialmente em unidades com menor eficiência industrial.

Diante desse cenário, parte dos vendedores optou por reduzir a participação no mercado spot, adotando postura mais cautelosa e aguardando sinais de recuperação das cotações.

A estratégia reflete a tentativa de evitar vendas em níveis considerados pouco remuneradores, em um ambiente de margens mais apertadas para o setor sucroenergético.

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Etanol anidro também registra retração

O etanol anidro, utilizado na mistura com gasolina, também acompanhou o movimento de baixa.

O indicador do Cepea registrou média de R$ 2,5108 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), com recuo de 2,11% na comparação semanal.

A queda reforça a tendência de enfraquecimento geral do mercado de combustíveis derivados da cana-de-açúcar, ainda que em ritmos distintos entre os diferentes tipos de etanol.

Perspectiva do mercado segue atrelada à oferta de cana

O comportamento dos preços nas próximas semanas deve continuar fortemente influenciado pelo ritmo da moagem de cana no Centro-Sul, pela competitividade com o açúcar e pelo avanço da produção de etanol de milho.

Com oferta elevada e demanda relativamente estável, analistas avaliam que o mercado tende a permanecer sensível a ajustes de curto prazo, com oscilações limitadas enquanto não houver mudança significativa no equilíbrio entre produção e consumo.

O cenário reforça a necessidade de gestão mais cautelosa por parte das usinas, que enfrentam um período de margens comprimidas e maior competição entre produtos dentro da própria cadeia sucroenergética.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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