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Exportações do agronegócio somam US$ 15,4 bilhões em março, mas recuam 0,7% ante 2025

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As exportações brasileiras do agronegócio totalizaram US$ 15,4 bilhões em março de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado representa uma leve queda de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, refletindo a combinação entre menor volume embarcado em alguns segmentos e oscilações de preços no mercado internacional.

Apesar do recuo geral, produtos como soja, carne bovina, algodão e trigo apresentaram desempenho positivo, enquanto etanol, açúcar refinado, café verde e celulose registraram retração nos embarques.

Soja sustenta receitas com alta de preços internacionais

O complexo soja continuou como principal destaque das exportações do agro brasileiro em março. Os embarques de soja em grão alcançaram 14,5 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 5,9 bilhões.

Embora o volume tenha ficado 1% abaixo do registrado em março de 2025, os preços internacionais compensaram parte da queda. O valor médio de exportação subiu 5,3% na comparação anual, chegando a US$ 408 por tonelada.

No farelo de soja, o volume exportado somou 1,9 milhão de toneladas, avanço de 4% sobre março do ano passado. O preço médio ficou em US$ 347 por tonelada, ligeiramente acima do observado em 2025.

Já o óleo de soja registrou retração nos embarques. Foram exportadas 180 mil toneladas, queda de 7,8% na comparação anual. Em contrapartida, o preço médio subiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu US$ 1.165 por tonelada, alta de 13%.

Exportações de açúcar crescem, mas preços recuam

No complexo sucroenergético, o açúcar VHP apresentou aumento no volume embarcado. As exportações chegaram a 1,6 milhão de toneladas, crescimento de 2% frente a março de 2025.

Apesar do avanço, os preços recuaram de forma significativa. O valor médio do açúcar VHP caiu 24%, para US$ 354 por tonelada.

O açúcar refinado teve desempenho mais fraco. Os embarques totalizaram 254 mil toneladas, retração de 19% em relação ao mesmo período do ano passado. O preço médio também caiu, passando para US$ 421 por tonelada, baixa de 18%.

Exportações de etanol despencam 68% em março

O etanol foi um dos produtos com pior desempenho entre as exportações do agronegócio brasileiro. Em março, os embarques somaram apenas 74 mil toneladas, queda de 68% em relação ao mesmo mês de 2025.

Mesmo com a forte redução no volume exportado, o preço médio avançou 7%, alcançando US$ 595 por metro cúbico.

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Algodão avança 45% e amplia participação nas exportações

As exportações de algodão em pluma cresceram de forma expressiva em março. O volume embarcado atingiu 348 mil toneladas, alta de 45% na comparação anual.

O aumento dos embarques ocorreu mesmo com a queda dos preços internacionais. O valor médio do produto recuou pelo sexto mês consecutivo e ficou em US$ 1.532 por tonelada, redução de 9,4% frente a março de 2025.

Carne bovina registra alta de volume e preço

A carne bovina brasileira manteve trajetória positiva nas exportações. Em março, os embarques chegaram a 234 mil toneladas, avanço de 8,7% sobre o mesmo período do ano passado.

A China permaneceu como principal destino da proteína brasileira, respondendo por 102 mil toneladas, o equivalente a 44% de todo o volume exportado.

Além do aumento dos embarques, o preço médio da carne bovina exportada subiu pelo quinto mês consecutivo. O valor alcançou US$ 5.815 por tonelada, crescimento de 19% na comparação anual e de 3% em relação a fevereiro.

Conflito no Oriente Médio pressiona fretes e logística

O cenário geopolítico no Oriente Médio passou a afetar diretamente os custos logísticos das exportações brasileiras de carnes.

Segundo o setor, o frete marítimo por contêiner refrigerado destinado à região mais do que dobrou nos últimos meses. O valor saltou de cerca de US$ 2.800 para até US$ 7.000 por contêiner.

A alta está relacionada às restrições temporárias em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, além de redirecionamentos de cargas e interrupções no transporte marítimo.

O aumento dos custos eleva a pressão sobre os exportadores brasileiros, especialmente nas vendas destinadas aos países do Oriente Médio.

Exportações de carne de frango crescem, mas Oriente Médio perde força

As exportações brasileiras de carne de frango in natura somaram 431 mil toneladas em março, crescimento de 6% em relação ao mesmo mês de 2025.

O preço médio de exportação ficou em US$ 1.888 por tonelada, praticamente estável na comparação anual.

Mesmo com o resultado positivo, os embarques destinados ao Oriente Médio caíram 19% em março frente a fevereiro, reflexo das dificuldades logísticas provocadas pelo conflito na região.

Ainda assim, mais de 100 mil toneladas de carne de frango foram enviadas ao Oriente Médio durante o mês.

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Outros mercados, porém, compensaram a desaceleração regional. A China voltou a ampliar as compras após o surto de influenza aviária registrado em 2025. Japão, União Europeia e África do Sul também aumentaram suas importações de carne de frango brasileira.

Carne suína, milho e trigo aparecem entre os maiores crescimentos

Entre os produtos com maior expansão nas exportações em março, o trigo liderou com alta de 81% no volume embarcado na comparação anual.

O arroz teve crescimento de 79%, seguido pelo algodão, com 45%, e pelo suco de laranja concentrado e congelado, que avançou 34%.

A carne suína in natura também registrou desempenho expressivo, com aumento de 28% nas exportações. O milho avançou 13%, enquanto a carne bovina e a carne de frango cresceram 9% e 6%, respectivamente.

Café verde e celulose recuam nas exportações

Entre os segmentos com pior desempenho em março, o etanol liderou as perdas, com queda de 68% nos embarques.

Também registraram retração o café verde, com baixa de 31%, a celulose e o açúcar refinado, ambos com recuo de 19%.

As exportações de óleo de soja caíram 8%, enquanto a soja em grão teve leve retração de 1%.

Exportações acumuladas do agro crescem no primeiro trimestre

No acumulado de janeiro a março de 2026, vários produtos ainda apresentam desempenho positivo nas exportações.

A soja em grão registrou crescimento de 6% no volume embarcado, enquanto o óleo de soja avançou 33%. A carne bovina acumulou alta de 20%, a carne de frango cresceu 5% e a carne suína avançou 15%.

No complexo sucroenergético, o açúcar bruto apresentou aumento de 10% nas exportações, enquanto o etanol acumula queda de 61% no primeiro trimestre.

Entre os produtos agrícolas, o milho teve alta de 15% e o suco de laranja avançou 13%. Já café verde, trigo, celulose e fumo seguem com desempenho inferior ao registrado nos três primeiros meses de 2025.

Perspectiva para os próximos meses

A tendência para os próximos meses é de manutenção da força das exportações de soja e proteínas, impulsionadas pela demanda internacional e pela recuperação dos preços em alguns mercados.

Por outro lado, a instabilidade geopolítica, os custos logísticos elevados e a queda dos preços de produtos como açúcar, algodão e café podem limitar o avanço das receitas do agronegócio brasileiro ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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