RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Exportações fortalecem o cooperativismo e ajudam a equilibrar o mercado do arroz no Brasil

Publicados

AGRONEGÓCIO

Exportação ganha protagonismo no equilíbrio do mercado de arroz

As cooperativas agrícolas brasileiras destacaram a crescente importância das exportações como instrumento essencial para sustentar os preços e equilibrar o mercado interno. O tema foi debatido durante o painel “Da Lavoura ao Mercado Global: Experiências Reais de Exportação”, realizado na quinta-feira (26), no encerramento da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão (RS).

O encontro foi mediado por Henrique Dornelles, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz e ex-presidente da Federarroz, reunindo lideranças cooperativistas que compartilharam experiências práticas e resultados obtidos na comercialização externa da safra 2024/2025.

Exportação se consolida como ferramenta estratégica para o produtor

Para Ariosto de Macedo Pons Neto, presidente da CAUL (Cooperativa Agrícola Uruguaiana), a exportação se firmou como uma alternativa fundamental em momentos de excesso de oferta e pressão sobre os preços internos.

Segundo ele, o movimento iniciado em um cenário semelhante ao atual trouxe resultados expressivos.

“Percebemos que essa estratégia deu uma boa enxugada no mercado. Ao reduzir a oferta interna, conseguimos remunerar melhor o produtor”, destacou Pons Neto.

Mesmo a mais de 600 quilômetros do porto, Uruguaiana está entre os municípios gaúchos que mais exportam arroz, mostrando o potencial logístico das cooperativas no fortalecimento do comércio exterior.

Leia Também:  Safra 2025/26 em São Paulo deve crescer com impulso de milho, soja e café
Planejamento e cooperação ampliam presença internacional

O ex-presidente da Cooperativa Arrozeira Palmares, José Mathias Bins Martins, ressaltou que a exportação deixou de ser uma medida emergencial para se tornar parte da estratégia permanente de comercialização.

“Sempre que não for possível atingir as metas no mercado interno, a cooperativa buscará a exportação como alternativa viável”, afirmou.

Bins Martins destacou ainda que o excedente da última safra foi determinante para o aumento das vendas externas, tendência que deverá continuar conforme a evolução da colheita e a formação dos estoques.

Agilidade e união impulsionam oportunidades no mercado global

Encerrando o painel, Volzear Longaray Junior, presidente da COOPAC e diretor financeiro da Federarroz, destacou a importância da agilidade nas negociações internacionais.

“No momento em que você não aproveita a oportunidade, outro parceiro ocupa o espaço. Esse navio não volta”, alertou.

Segundo ele, a exportação de arroz em casca tem impacto direto sobre os preços internos.

“Quando o arroz sai, o preço sobe. Exportação de arroz em casca é na veia do preço”, afirmou, reforçando o papel do cooperativismo na organização dos produtores para acessar o mercado internacional.

Cooperativas fortalecem liquidez e sustentação de preços

Os participantes do painel apontaram que a atuação coordenada das cooperativas e a ampliação das exportações têm contribuído para reduzir excedentes, garantir liquidez e favorecer a formação de preços mais estáveis, mesmo diante de uma oferta elevada.

Leia Também:  Oferta de mandioca cresce em ritmo lento e preços seguem em queda, aponta Cepea

As experiências apresentadas reforçam a importância do planejamento coletivo e da diversificação de mercados como pilares para o fortalecimento da cadeia do arroz no país.

Sobre o evento

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas teve como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”.

O evento foi promovido pela Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e contou com patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”

Publicados

em

Por

Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.

Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.

O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.

A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.

Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.

Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.

Leia Também:  Reposição e vaca gorda registram alta acima do boi gordo, aponta Cepea

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .

Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.

Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.

Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.

Leia Também:  Safra 2025/26 em São Paulo deve crescer com impulso de milho, soja e café

Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.

A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.

Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.

O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.

A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA