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Fed deve cortar juros em 0,25 ponto, mas pode adotar tom cauteloso sobre novas reduções em 2026
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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (10), levando a faixa-alvo para 3,50% a 3,75%. A decisão ocorre em meio a um cenário de incertezas econômicas e de divergências internas entre autoridades sobre os riscos que o país enfrenta — entre a inflação ainda elevada e a possibilidade de desaceleração do mercado de trabalho.
Especialistas apontam que, apesar do corte, o comunicado oficial pode ter tom cauteloso ou até “hawkish” (rigoroso), indicando uma possível pausa nos cortes futuros para observar o comportamento da economia em 2026.
Divisões internas e cenário inflacionário ainda preocupam
Segundo analistas da TD Securities, a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) deve gerar debates intensos.
“Esperamos um corte de 25 pontos-base nesta semana, mas com uma orientação mais hawkish. A decisão provavelmente será tão ou mais controversa do que a de outubro”, destacaram.
O último movimento do Fed, em 29 de outubro, havia reduzido a taxa para 3,75% a 4,00%, decisão marcada por divergências internas raras. Enquanto parte dos dirigentes defendia uma política mais restritiva para conter a inflação, outros alertavam para o risco de enfraquecimento do mercado de trabalho.
Os dados mais recentes disponíveis para embasar a decisão são de setembro, quando a taxa de desemprego subiu para 4,4% e o índice de inflação preferido do Fed ficou em 2,8%, ainda acima da meta oficial de 2%.
Dados atrasados reforçam cautela na política monetária
A postura mais contida do Fed também se deve à falta de dados atualizados, resultado da paralisação do governo norte-americano por 43 dias, que atrasou a divulgação de importantes indicadores econômicos.
Nos próximos dias, as agências de estatísticas dos EUA devem divulgar relatórios de emprego e inflação de novembro, fundamentais para calibrar os próximos passos da política monetária.
Por isso, a expectativa é de que o Fomc mantenha uma comunicação prudente, evitando sinalizar claramente novos cortes até que haja maior clareza sobre a trajetória da economia.
Projeções para 2026 e coletiva de Jerome Powell
Junto à decisão, o Fed divulgará suas novas projeções econômicas trimestrais, que incluem expectativas para crescimento, desemprego, inflação e juros até 2026. No entanto, analistas alertam que essas previsões tendem a ficar rapidamente defasadas conforme novos dados econômicos forem incorporados.
A divulgação da decisão de política monetária está marcada para 16h (horário de Brasília), seguida de uma coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, às 16h30, quando ele deve detalhar a avaliação do banco sobre o cenário econômico norte-americano e global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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