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Governo pode encerrar subsídios aos combustíveis se petróleo estabilizar em US$ 80, afirma Fazenda

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O governo federal poderá iniciar a retirada gradual dos subsídios concedidos aos combustíveis caso o preço internacional do petróleo se estabilize em torno de US$ 80 por barril. A sinalização foi dada nesta quarta-feira (17) pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que destacou a importância dos próximos 30 dias para a definição da estratégia econômica.

Segundo Ceron, o cenário internacional será determinante para a continuidade ou não das medidas adotadas para amenizar os impactos da alta dos combustíveis sobre a economia brasileira. A expectativa da equipe econômica é de que o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã contribua para reduzir as pressões sobre o mercado global de energia.

“Se o preço do petróleo se estabilizar em torno de US$ 80 por barril, não haverá necessidade de manter essas medidas. A retirada ocorrerá de forma prudente e gradual”, afirmou o secretário.

Acordo entre EUA e Irã pode aliviar mercado de energia

O Ministério da Fazenda acompanha de perto os desdobramentos das tratativas de paz envolvendo Estados Unidos e Irã. Um eventual acordo definitivo é visto como fator positivo para a normalização da navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo.

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Na avaliação do governo, a redução das tensões geopolíticas tende a favorecer a estabilidade dos preços da energia, reduzindo riscos inflacionários tanto no Brasil quanto em outras economias.

Inflação segue ligada aos preços da energia

De acordo com Ceron, a recente elevação das projeções de inflação está fortemente associada aos impactos provocados pelos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo.

Segundo ele, sem os efeitos da guerra sobre o mercado energético, a inflação brasileira apresentaria comportamento mais controlado.

“Se retirarmos o impacto da guerra, não existe uma pressão inflacionária relevante”, destacou.

Valorização do real ajuda a compensar alta do petróleo

Outro fator apontado pelo secretário como importante para conter os impactos da alta do petróleo foi a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses.

De acordo com a Fazenda, a moeda brasileira saiu de níveis próximos de R$ 5,20 por dólar para a faixa de R$ 5,00, movimento que ajudou a reduzir parte da pressão sobre os custos de importação de combustíveis e derivados.

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Apesar do cenário mais favorável, o governo mantém cautela diante da volatilidade observada nos mercados internacionais, especialmente em relação aos preços do petróleo, ao câmbio e aos ativos financeiros.

Juros podem ser beneficiados por cenário externo mais estável

A equipe econômica também avalia que uma acomodação dos preços da energia poderá contribuir para uma trajetória mais favorável da inflação, ampliando as condições para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária conduzido pelo Banco Central.

Caso as tensões geopolíticas continuem diminuindo e o petróleo permaneça em níveis considerados administráveis, o ambiente econômico poderá favorecer tanto o controle inflacionário quanto a redução dos custos financeiros para empresas e consumidores.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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