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Grão-de-bico é inserido no zoneamento agrícola de risco climático

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A cultura do grão-de-bico foi inserida no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A portaria, publicada nesta quarta-feira (08/12) no Diário Oficial da União pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), fundamentou-se em estudos coordenados pela Embrapa Hortaliças (Brasília/DF) no âmbito da Rede Zarc, com o apoio do Ministério.

O documento indica períodos de semeadura e níveis de risco climáticos para a cultura do grão-de-bico tipo kabuli, em cultivos de sequeiro e irrigado, por município, considerando as características do clima, dos tipos de solos e ciclos das cultivares recomendadas para o Brasil. Responsável pelo trabalho, o pesquisador da Embrapa Hortaliças, Marcos Braga, afirma que todo o estudo foi realizado com o intuito de evitar que as adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis da cultura do grão-de-bico, minimizando as perdas agrícolas.

Os resultados do Zarc do grão-de-bico abrangem todo o território nacional. Todas as cultivares inscritas no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Mapa estão aptas para o plantio.  Entre elas estão os materiais desenvolvidos pela Embrapa Hortaliças: BRS Aleppo, BRS Cristalino, BRS Cícero, BRS Kalifa e BRS Toro

Na definição do Mapa, o zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permitir ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos. Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Cultura do grão-de-bico

O grão-de-bico é considerado a terceira leguminosa mais importante no mundo, sendo o continente asiático o principal produtor e consumidor. Os dois principais tipos de grão-de-bico cultivados são: desi e kabuli, que representam cerca de 80% e 20%, da produção mundial, respectivamente. O tipo kabuli, que apresenta grão maior e na cor bege, é mais popular, sendo cultivado, principalmente, na região do Mediterrâneo, incluindo Sul da Europa, Ásia Ocidental e Norte da África. 

No Brasil, o cultivo é recente e ampliou nos últimos anos com o suporte das pesquisas que a Embrapa desenvolve com diversos parceiros. No período entre 2013 a 2016, a área cultivada passou de 26 hectares para 460 hectares. Aumento expressivo foi registrado na safra de 2017/2018, quando o cultivo alcançou 9 mil hectares, principalmente nos estados de Goiás, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal. A produtividade média da cultura nos solos brasileiros é de 2 mil quilos por hectare, sendo o tipo kabuli o mais cultivado, comercializado e consumido no país. 

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O consumo ainda é baixo entre os brasileiros, cerca de 40 gramas/ano por indivíduo.  A expectativa é que esse número cresça com o aumento da oferta do produto, tornando os preços mais acessíveis, e com a adoção do grão-de-bico como uma excelente fonte de proteína alternativa à carne. Na culinária, a leguminosa é versátil, podendo ser consumido verde, seco, reidratado, torrado ou cozido em forma de salada, pasta, sopa e hambúrguer. O grão-de-bico também pode ser uma opção para a produção dos alimentos conhecidos como plant-base. Além de abastecer o mercado interno, outra possibilidade para os produtores é a exportação dos grãos para a Índia e outros países asiáticos que possuem elevado consumo. 

Critérios de avaliação de risco

O grão-de-bico é uma planta anual que vem sendo cultivada em condições de clima temperado e tropical. O ciclo da cultura pode variar dependendo da cultivar e das condições climáticas da região do cultivo. Para a elaboração do ZARC, os pesquisadores adotaram ciclos com duração média de 110 e 130 dias, identificando como ciclo precoce e ciclo tardio. Foram considerados aptos para o cultivo os solos Tipo 1, Tipo 2 e Tipo 3, especificados na Instrução Normativa número 2, de 9/10/2008

As datas de plantio e municípios favoráveis para o cultivo do grão-de-bico em sistemas sequeiro e irrigado foram classificadas de acordo com o nível de risco climático de 20%, 30% ou 40% em função dos seguintes critérios: 

– Risco de deficiência hídrica severa ao não atingir o limite mínimo do Índice de satisfação das necessidades de água (ISNA), sendo dispensável esses limites para o cultivo irrigado; risco de ocorrência de temperaturas baixas deletérias à cultura por meio da probabilidade de ocorrência de valores de temperaturas mínimas menores ou igual a 4°C; risco de ocorrência de temperaturas muito altas durante o período reprodutivo, com possibilidade de provocar abortamento de flores e  frutos, por meio da probabilidade de ocorrência de valores de temperaturas máxima superiores ou igual a 35°C; risco de ocorrência de excesso de chuvas na colheita, por meio da probabilidade de ocorrência de valores de chuva maiores ou iguais 100 mm, no estágio de maturação, ou seja, nos últimos dois decêndios, 20 dias.

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Braga acrescentou que na definição de condições adequadas ao desenvolvimento normal da cultura foram consideradas desfavoráveis as regiões e decêndios com temperatura mínima média abaixo de 12°C, nos períodos da germinação até o início da maturação dos grãos, nas duas condições de cultivo.

Parceria

Os estudos do Zarc do grão-de-bico tiveram o envolvimento de especialistas da Embrapa Cerrados, Embrapa Agropecuária Oeste, e de produtores e técnicos que trabalham com a cultura. Diversos encontros on-line foram realizados entre os parceiros. “Produtores de diversas regiões responderam um questionário sobre os aspectos agronômicos do desenvolvimento do grão-de-bico nas diferentes regiões. Essas informações foram importantes para termos um panorama da produção da cultura no Brasil”, informa Braga.
Para o pesquisador Warley Nascimento, chefe-geral da Embrapa Hortaliças e responsável pelas pesquisas de melhoramento genético com as leguminosas secas (ervilha, lentilha e grão-de-bico), a inserção da cultura no Zarc representa “um grande avanço para um maior estímulo ao fomento desta cultura no país, uma vez que dá ao produtor uma informação mais precisa em termos de locais e épocas de produção e garantia de produção, já que a maioria deles desconhecem ou tem pouca experiência com esta espécie”.

Onde encontrar os resultados

Os estudos nacionais de Zarc atendem aos objetivos do Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático e ao Programa Agro Gestão Integrada de Riscos (Proagir).

A observância das datas de plantio preconizadas pelo Zarc é obrigatória para os produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR).

Os resultados do Zarc do grão-de-bico estão apresentados em tabelas de classe de risco (20%, 30% e 40%) por município, tipo de solo, ciclo e decêndio do ano, disponibilizados pelo Mapa no Painel de Indicadores; nas portarias de Zarc por estado, no aplicativo Zarc Plantio Certo (IOS, Android).

Fonte: Embrapa

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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

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A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

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Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

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Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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