AGRONEGÓCIO
Inflação controlada, superávit em alta e indústria estável: panorama econômico do Brasil em janeiro de 2026
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Inflação encerra 2025 dentro da meta pela primeira vez em cinco anos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em dezembro, segundo o Rabobank, encerrando 2025 com alta de 4,3% — dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação pela primeira vez desde 2020. O resultado ficou próximo das projeções de mercado (0,32%) e abaixo do índice de novembro (0,18%).
A valorização do real e a política monetária restritiva ajudaram a conter as pressões inflacionárias ao longo do ano, reduzindo custos de alimentos, combustíveis e bens industriais. O grupo Transporte foi o principal destaque em dezembro, puxado por passagens aéreas (+12,6%) e transporte por aplicativo (+13,8%), enquanto Habitação apresentou queda de 0,33%, influenciada pela redução nas tarifas de energia elétrica.
A energia foi, aliás, o item que mais pressionou a inflação em 2025, com alta de 12,3%, devido ao uso constante das bandeiras tarifárias. Para 2026, o Rabobank projeta inflação de 4,2%, considerando uma desaceleração gradual da economia e menor impacto da safra agrícola, embora riscos fiscais e cambiais possam afetar o resultado.
Indústria brasileira segue estável e sinaliza desaquecimento
A produção industrial permaneceu estável em novembro (0,0%), frustrando expectativas de crescimento. Em relação a 2024, houve queda de 1,2%, com 15 dos 25 setores analisados apresentando recuo. As maiores baixas ocorreram em indústrias extrativas (-2,6%), produtos químicos (-1,2%) e veículos automotores (-1,6%).
Por outro lado, produtos farmacêuticos tiveram alta expressiva de 9,8%. As categorias de bens intermediários e bens de consumo duráveis registraram retrações, enquanto bens de capital e não duráveis avançaram levemente.
Mesmo com desempenho modesto, o setor industrial ainda está 3,2% acima do nível pré-pandemia. O Rabobank prevê, porém, que o cenário de juros altos e crédito restrito continuará limitando a expansão em 2026.
Exportações impulsionam superávit comercial acima das expectativas
A balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, superando as previsões de mercado. Em dezembro, o saldo positivo foi de US$ 9,6 bilhões, resultado de exportações de US$ 31 bilhões e importações de US$ 21,4 bilhões.
Entre os destaques das exportações estão óleos brutos de petróleo (+74%), soja (+73,9%), minério de ferro (+33,7%), carne bovina (+70,5%) e café (+52,9%). A China segue como principal destino dos produtos brasileiros, com alta de 39,1% nas compras, seguida pela Europa (+34,2%).
As importações cresceram de forma moderada (+0,9%), puxadas por combustíveis (+42,9%) e fertilizantes (+25,4%), refletindo a desaceleração gradual da economia doméstica.
União Europeia confirma apoio ao acordo com o Mercosul
Após 25 anos de negociações, os Estados-membros da União Europeia confirmaram apoio ao acordo de livre comércio com o Mercosul, que poderá eliminar até €4 bilhões em tarifas sobre produtos importados do bloco sul-americano.
O pacto prevê tarifa zero para frutas e café e redução gradual de tarifas para carnes, açúcar, etanol e arroz em até dez anos. A assinatura oficial está prevista para os próximos dias, no Paraguai, segundo fontes do Valor Econômico e Estadão.
Mercado global atento a Powell e à economia dos EUA
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho criou 50 mil vagas em dezembro, abaixo das projeções. A taxa de desemprego caiu ligeiramente para 4,4%, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, foi intimado pelo Departamento de Justiça por supostas irregularidades na reforma do prédio da instituição — fato que reacendeu debates sobre a independência do Fed e pressões políticas sobre a política monetária.
O dólar global apresentou valorização moderada, mas o real foi uma das moedas emergentes com melhor desempenho, apreciando 0,71% na semana, cotado a R$ 5,38. O Rabobank projeta que o câmbio encerre 2026 em R$ 5,60, influenciado por incertezas fiscais e políticas.
Cenário macroeconômico: o que esperar de 2026
O Rabobank mantém projeções de crescimento do PIB em 1,6%, Selic a 12,5% ao ano e balança comercial com superávit de US$ 68 bilhões para 2026. A instituição alerta, porém, que o ambiente de incertezas fiscais, geopolíticas e o calendário eleitoral poderão trazer volatilidade aos mercados.
Apesar dos riscos, o banco vê fundamentos sólidos na economia brasileira, com inflação sob controle e posição externa favorável, fatores que devem sustentar o real e o comércio exterior nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Frete agrícola segue pressionado por diesel caro e custos logísticos elevados, aponta Conab
Os custos operacionais do transporte agropecuário continuam sustentando os preços dos fretes em níveis elevados no Brasil. A avaliação consta na edição mais recente do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta o diesel e outros insumos da cadeia logística como os principais fatores de pressão sobre os valores cobrados nas principais rotas de escoamento da produção agrícola.
De acordo com a estatal, embora algumas regiões tenham registrado acomodação dos preços entre março e abril, os fretes permanecem acima dos patamares observados no mesmo período do ano passado, refletindo o impacto dos custos operacionais e da forte movimentação de cargas durante a safra.
Diesel continua sendo o principal fator de sustentação dos fretes
Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o comportamento dos fretes varia de acordo com o estágio da colheita e o fluxo de comercialização dos produtos agrícolas. No entanto, o combustível segue sendo o principal componente na formação dos custos do transporte.
Mesmo com medidas adotadas pelo Governo Federal para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo, como a isenção de tributos federais sobre o diesel e ações para reforçar a oferta do combustível, os custos ainda permanecem elevados em comparação ao ano anterior.
A situação limita quedas mais expressivas nos preços do frete, mesmo em momentos de menor pressão logística.
Mato Grosso mantém fretes elevados com forte demanda de exportação
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, o mercado de transporte rodoviário apresentou estabilidade nas cotações ao longo do último mês.
Apesar da acomodação observada após o pico da colheita da soja, o elevado volume de produção e a continuidade dos embarques destinados ao mercado externo mantiveram uma demanda consistente por caminhões, sustentando os preços em níveis considerados altos para o período.
Cenário semelhante foi registrado em Mato Grosso do Sul, onde o ritmo das exportações continua impulsionando a movimentação logística e preservando os valores praticados nos principais corredores de escoamento.
Goiás registra queda mensal, mas fretes seguem acima de 2025
Em Goiás, a tendência de curto prazo aponta para redução dos preços em algumas rotas de transporte de grãos.
Entretanto, o custo do combustível no estado permanece cerca de 15% superior ao registrado em abril de 2025, fator que mantém os fretes em patamares elevados quando comparados ao ano passado.
A diferença evidencia como o aumento dos custos operacionais continua influenciando diretamente a rentabilidade do transporte agrícola.
Distrito Federal e Paraná enfrentam pressão logística
No Distrito Federal, a Conab identificou aumento nos preços em todas as rotas analisadas.
Embora a colheita da soja perca intensidade ao longo de abril, a demanda por transporte ainda permanece elevada, mantendo pressão sobre os valores dos fretes.
No Paraná, o mercado registrou oscilações pontuais em relação ao mês anterior. A estatal destaca que fatores externos, incluindo instabilidades geopolíticas globais, seguem influenciando os custos logísticos e o comportamento do setor.
Nordeste apresenta cenários distintos entre os estados
Na Bahia, o comportamento dos fretes varia conforme o calendário agrícola das regiões produtoras.
As principais áreas de cultivo de primavera/verão registraram alta nas cotações, enquanto regiões ligadas à safra de outono/inverno apresentaram tendência de queda.
Já no Maranhão, o avanço da colheita da soja intensificou o transporte para exportação e abastecimento do mercado interno. Mesmo assim, a maioria das rotas monitoradas registrou redução nos preços em abril na comparação com março.
O estado enfrentou alta nos combustíveis durante a primeira metade do mês, mas a pressão perdeu força nas semanas seguintes. As políticas de subvenção ao diesel, a redução de tributos federais e o aumento da oferta do combustível ajudaram a conter novas elevações.
No Piauí, o mercado de fretes apresentou aquecimento impulsionado pela expansão das exportações de soja. Apesar da maior demanda por transporte, os preços médios permaneceram estáveis devido à redução do custo do combustível no estado.
São Paulo registra acomodação após forte alta
Em São Paulo, o mercado de fretes agrícolas apresentou leve recuo em abril, após as expressivas altas observadas em março.
O aumento dos embarques para exportação continuou exigindo maior capacidade de transporte, mas as medidas de apoio ao setor de combustíveis contribuíram para aliviar parte da pressão sobre os custos logísticos.
Com isso, as cotações registraram uma acomodação, embora ainda permaneçam em níveis relevantes para o setor.
Logística segue como fator estratégico para a competitividade do agro
A análise da Conab reforça que a logística permanece como um dos principais desafios para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Mesmo diante da desaceleração observada em algumas regiões após o pico da colheita, a combinação entre custos elevados de combustível, demanda consistente por transporte e movimentação intensa dos portos continua sustentando os fretes agrícolas em patamares superiores aos registrados no ano passado.
A expectativa do mercado é que o comportamento dos combustíveis, o ritmo das exportações e o avanço das próximas safras sejam determinantes para a evolução dos custos logísticos nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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