AGRONEGÓCIO
Marcas do Agro Brasileiro Avançam no Mercado Internacional e Apostam em Exportações de Valor Agregado
AGRONEGÓCIO
Exportações do agro impulsionam a balança comercial brasileira
O agronegócio segue como um dos principais motores da economia nacional. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o setor respondeu por 43% das exportações brasileiras em janeiro, somando US$ 10,8 bilhões em vendas externas.
Mas o avanço do agro vai além das commodities tradicionais. Empresas que agregam valor à produção rural — seja por meio da transformação, industrialização ou diferenciação de produtos — têm intensificado suas estratégias para conquistar novos compradores internacionais e fortalecer sua presença global.
Café brasileiro reforça liderança mundial e amplia mercados
O café, símbolo do agronegócio brasileiro, continua a ser destaque nas exportações. O Brasil mantém a posição de maior exportador mundial, com mais de um terço da fatia global de mercado.
A produtora mineira TRIO COFFEE, especializada em cafés especiais, aposta na expansão internacional e na aproximação direta com compradores estrangeiros. O objetivo é ampliar a presença da marca no exterior e consolidar o café brasileiro como referência em qualidade e valor agregado.
“Queremos aumentar o volume de negócios e fortalecer a identidade da marca fora do país”, destaca César Pereira, representante comercial da TRIO COFFEE.
Produtos saudáveis ganham espaço e despertam interesse global
O movimento de internacionalização também se intensifica entre empresas do segmento de alimentos funcionais e saudáveis. A Açaí Fresh, que já exporta para Estados Unidos, Canadá, Portugal e Austrália, vê 2026 como um ano estratégico para consolidar sua expansão global.
O açaí, reconhecido como símbolo nacional, tem se destacado como produto de alto valor agregado e com forte apelo junto ao público internacional.
Durante a Anuga Select Brazil, a empresa apresentará o primeiro creme de açaí do Brasil com 15 gramas de proteína e colágeno, livre de lactose, glúten e conservantes.
“Participar da Anuga é uma oportunidade de ampliar o networking, prospectar compradores internacionais e aumentar nossa presença em novos canais de distribuição”, explica Jean Ferraz, diretor comercial da Açaí Fresh.
Feiras e eventos impulsionam a internacionalização de marcas brasileiras
A Anuga Select Brazil, principal feira da indústria de alimentos e bebidas da América Latina, será realizada entre os dias 7 e 9 de abril, no Distrito Anhembi. O evento deve reunir empresas nacionais e estrangeiras em busca de novas parcerias comerciais e contará com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A expectativa dos organizadores é promover a maior rodada de negócios já registrada em uma feira do setor, conectando marcas brasileiras a importadores e investidores internacionais.
Segundo Polliana Claudino, gerente de projetos da feira, o fortalecimento da integração entre campo e indústria é essencial para o futuro do setor.
“Com o Brasil consolidado como potência agroalimentar, essa conexão será determinante para empresas do varejo, alimentação fora do lar e hotelaria. A Anuga deve pautar os principais debates sobre o crescimento e a internacionalização da indústria alimentícia brasileira”, afirma Claudino.
Campo e indústria unidos na expansão global do agro brasileiro
A crescente presença do Brasil no mercado internacional demonstra a força da integração entre produção agrícola e indústria de alimentos. Com a valorização de produtos de origem e o reconhecimento da qualidade nacional, o país se posiciona de forma estratégica como um dos principais fornecedores de alimentos e ingredientes diferenciados do mundo.
Empresas que investem em inovação, identidade e valor agregado — como a TRIO COFFEE e a Açaí Fresh — exemplificam o novo perfil do agronegócio brasileiro: competitivo, sustentável e cada vez mais global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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