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Mercado do Milho Enfrenta Baixa Liquidez no Sul, Oscilações na B3 e Reação em Chicago

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O mercado de milho segue dividido entre pressões de oferta no Brasil e movimentos de recuperação no cenário internacional. No Sul do país, a colheita avança e mantém o mercado travado, com negociações pontuais e baixa liquidez, enquanto na Bolsa de Chicago (CBOT) e na B3, os contratos operam com leves oscilações após quedas recentes.

De acordo com análises da TF Agroeconômica e informações do Cepea e ANEC, o setor atravessa um momento de cautela, com estoques elevados, demanda seletiva e ritmo lento nas exportações, ao mesmo tempo em que a recuperação técnica nos contratos futuros indica um possível alívio de preços no curto prazo.

Oferta elevada trava negócios no Sul do Brasil

A colheita do milho segue avançando na região Sul, ampliando a oferta e mantendo o mercado regional com baixa fluidez. A TF Agroeconômica aponta que a cautela dos compradores e o desalinhamento entre pedidas e ofertas têm restringido as negociações.

No Rio Grande do Sul, a disponibilidade crescente limita o ritmo de negócios, que seguem concentrados entre cooperativas e pequenas indústrias. Apesar de uma leve alta semanal nos preços spot, o movimento é pontual e insuficiente para alterar o perfil defensivo do mercado.

A demanda interna segue moderada, as exportações lentas, e os produtores priorizam o avanço da colheita. A safra 2025/26 está próxima da conclusão do plantio, com colheita abaixo do ritmo do ano anterior e alta variabilidade de produtividade devido às chuvas irregulares.

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Em Santa Catarina, o cenário permanece travado pelo descompasso entre vendedores e compradores. As pedidas firmes dos produtores contrastam com as ofertas mais baixas das indústrias, mantendo a liquidez reduzida. Já no Paraná, o mercado segue lento, com forte dispersão de preços regionais e pedidas ainda acima das ofertas industriais.

Em Mato Grosso do Sul, o excesso de milho disponível continua pressionando as cotações. Mesmo com a demanda firme da indústria de bioenergia, o volume ofertado impede uma reação consistente nos preços.

Milho futuro opera com leve baixa em Chicago e no mercado interno

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços futuros do milho abriram a sexta-feira (6) com pequenas variações. Por volta das 10h26 (horário de Brasília), o contrato março/26 era cotado a US$ 4,34/bushel, queda de 1 ponto; maio/26 a US$ 4,42, baixa de 0,50 ponto; julho/26 a US$ 4,48, recuo de 0,50 ponto; e setembro/26 a US$ 4,47, leve alta de 0,25 ponto.

Segundo o portal Successful Farming, investidores aguardam novas informações sobre as vendas de grãos para a China, enquanto o mercado reage a declarações políticas e variações nos prêmios internacionais.

Na Bolsa Brasileira (B3), as cotações também registraram recuos na manhã de sexta-feira. Às 10h35, o contrato março/26 era cotado a R$ 69,85 (-0,36%), maio/26 a R$ 69,72 (-0,57%), julho/26 a R$ 68,25 (-0,20%) e setembro/26 a R$ 67,95 (-0,06%).

Recuperação técnica impulsiona valorização dos contratos

Apesar das variações recentes, o milho apresentou movimento de recuperação na quinta-feira (5), com apoio externo e ajustes técnicos após quedas anteriores.

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Segundo a TF Agroeconômica, os preços na B3 acompanharam a alta observada em Chicago e a leve valorização do dólar, encerrando o dia com ganhos moderados. O contrato março/26 fechou a R$ 70,10, com alta de R$ 0,31 no dia e R$ 1,61 na semana. Já o maio/26 terminou a R$ 70,12, com avanço semanal de R$ 1,99.

No mercado internacional, o milho em Chicago também encerrou em alta, sustentado pelos ganhos da soja e pelo corte de 1 milhão de toneladas na estimativa da safra argentina, o que adicionou suporte aos preços. O contrato março/26 avançou 1,28%, fechando a US$ 4,35/bushel, enquanto o maio/26 subiu 1,37%, a US$ 4,43/bushel.

Consumo interno aquecido e exportações em ritmo menor

Mesmo com o cenário de baixa liquidez, o mercado interno segue sustentado pelo consumo doméstico, especialmente da indústria de ração e do setor de proteína animal.

Por outro lado, as exportações mostram desaceleração. A ANEC estima embarques de 793,3 mil toneladas de milho em fevereiro, volume significativamente menor que as 3,25 milhões de toneladas exportadas em janeiro e abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

O equilíbrio entre oferta doméstica, câmbio e demanda externa será determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas, apontam analistas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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