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Modernização do agro eleva demanda por energia elétrica no Tocantins e exige infraestrutura mais robusta no campo

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A modernização do agronegócio tem ampliado de forma significativa a demanda por energia elétrica no campo, tornando o insumo um dos pilares da produção rural contemporânea. No Tocantins, a expansão das atividades agrícolas intensivas reforça a necessidade de uma infraestrutura energética mais estável, eficiente e compatível com o avanço tecnológico no setor.

Sistemas de irrigação, armazenagem, secagem de grãos, automação e conectividade passaram a integrar o dia a dia das propriedades, elevando a dependência da energia elétrica e transformando sua gestão em fator estratégico para a competitividade do agro.

Energia elétrica se torna insumo estratégico na produção rural

Com a adoção crescente de tecnologias no campo, a energia elétrica deixou de ser apenas um recurso de apoio e passou a ocupar papel central nas operações agrícolas.

A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, destaca que a evolução do setor está diretamente ligada à capacidade de investimento em inovação e infraestrutura.

“O crescimento do agro tocantinense está diretamente ligado à capacidade de investir em tecnologia, eficiência e inovação. Para que esse avanço continue acontecendo, é fundamental que a infraestrutura acompanhe essa transformação”, afirma.

Consumo energético cresce com irrigação e agroindustrialização

O aumento do uso de sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem e agroindústrias tem alterado o padrão de consumo energético no meio rural, tornando a demanda mais contínua ao longo do ano.

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Segundo a concessionária Energisa Tocantins, o fornecimento de energia no estado cresceu 163% na última década, acompanhando a expansão econômica e a interiorização das atividades produtivas.

Autoleitura ganha espaço entre produtores rurais

Além da expansão da oferta de energia, cresce também a preocupação com a gestão do consumo dentro das propriedades rurais.

Uma das ferramentas que vem ganhando adesão é a autoleitura, autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permite ao próprio consumidor informar mensalmente a leitura do medidor.

A prática ajuda a reduzir distorções na cobrança e permite maior controle do consumo, especialmente em áreas rurais onde a leitura presencial ocorre, em média, a cada três meses.

De acordo com dados da Energisa Tocantins, mais de 160 mil autoleituras foram registradas em 2025, número 25,15% superior ao ano anterior. A expectativa é ultrapassar 200 mil registros em 2026.

Planejamento energético acompanha expansão do agro

Para a concessionária, o perfil de consumo no campo vem se tornando mais constante e menos sazonal, impulsionado pela mecanização, irrigação e avanço da agroindustrialização.

O diretor técnico comercial da Energisa Tocantins, Alberto Cunha, destaca a importância do planejamento conjunto entre setor elétrico e produtores.

“Observamos um consumo mais contínuo e menos sazonal, impulsionado pelo crescimento da irrigação, da agroindustrialização e pela adoção de novas tecnologias nas propriedades rurais”, afirma.

Segundo ele, o diálogo com entidades do setor produtivo é fundamental para antecipar demandas e estruturar investimentos em infraestrutura.

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Energia integra planejamento estratégico das propriedades

Para lideranças do setor produtivo, a energia elétrica passou a ser um componente essencial do planejamento rural, diretamente ligado à eficiência e à expansão da produção.

Caroline Barcellos reforça que o avanço do agro depende da capacidade de adaptação da infraestrutura.

“O agro tocantinense tem mostrado sua capacidade de crescimento e inovação. Para que esse avanço continue acontecendo, é fundamental que a infraestrutura acompanhe essa evolução”, conclui.

Perspectivas apontam para maior integração entre energia e agronegócio

A tendência é que a demanda por energia elétrica no campo continue crescendo nos próximos anos, acompanhando a digitalização e a intensificação produtiva do agronegócio.

Nesse cenário, a integração entre produtores, entidades representativas e concessionárias será determinante para garantir segurança energética, eficiência operacional e suporte ao desenvolvimento do setor no Tocantins.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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