AGRONEGÓCIO
Produção brasileira de algodão deve cair quase 10% na safra 2025/26, aponta Imea
AGRONEGÓCIO
Área plantada será menor, especialmente em Mato Grosso e Bahia
A safra brasileira de algodão 2025/26 deve registrar uma retração significativa, conforme a primeira estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), divulgada na análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (26).
O levantamento indica que a área destinada ao cultivo de algodão será de 2,05 milhões de hectares, o que representa queda de 5,53% em relação à safra anterior. O recuo é atribuído principalmente à redução de área em Mato Grosso e na Bahia, que concentram a maior parte da produção nacional.
Produtividade também deve cair na nova safra
Além da diminuição de área, a produtividade média da pluma também tende a recuar. A projeção do Imea aponta para 124,40 arrobas por hectare, uma queda de 4,70% em comparação ao ciclo 2024/25.
Essa combinação de menor área e menor rendimento por hectare deve impactar diretamente o volume total produzido no país.
Produção nacional deve recuar quase 10%
Com esses ajustes, a produção total de algodão em pluma está estimada em 3,83 milhões de toneladas, o que representa redução de 9,90% frente à safra anterior.
O relatório do Imea ressalta que esse cenário pode pressionar a oferta interna e reduzir o estoque de passagem para o próximo ciclo, o que pode ter reflexos no mercado e nos preços da commodity.
Perspectivas para o setor
A queda nas estimativas reforça o alerta para os produtores e exportadores de algodão, já que a oferta mais restrita tende a influenciar o equilíbrio entre mercado interno e exportações. O comportamento do clima e as condições de mercado nas próximas semanas serão decisivos para confirmar — ou ajustar — as projeções atuais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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