AGRONEGÓCIO
Reabertura do Estreito de Ormuz reduz pressão nos preços, mas cenário global ainda impõe riscos à economia brasileira
AGRONEGÓCIO
Geopolítica alivia mercados, mas riscos permanecem elevados
A reabertura completa do Estreito de Ormuz pelo Irã trouxe alívio imediato aos mercados internacionais, especialmente ao reduzir pressões sobre os preços do petróleo. O anúncio de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano também contribuiu para uma redução temporária das tensões no Oriente Médio.
Apesar desse cenário mais favorável no curto prazo, o ambiente global segue marcado por elevada incerteza. A ausência de um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã, somada às dúvidas sobre o comércio internacional e ao cenário fiscal brasileiro, mantém o nível de risco elevado para investidores e produtores.
Câmbio: valorização do real não altera tendência de alta do dólar
O real apresentou valorização frente ao dólar na última semana, encerrando cotado a R$ 4,99 e figurando entre os melhores desempenhos dentro de uma cesta de moedas emergentes.
No entanto, a expectativa permanece de desvalorização ao longo do tempo. A projeção aponta para um dólar em R$ 5,55 ao final de 2026, influenciado por fatores como:
- Redução do diferencial de juros entre Brasil e exterior
- Possível fortalecimento da moeda americana no cenário global
- Incertezas fiscais domésticas
Esse movimento pode impactar diretamente os custos de produção do agronegócio, especialmente em insumos dolarizados.
Atividade econômica brasileira segue com desempenho irregular
A atividade econômica no Brasil continua oscilando no início de 2026. O IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB, registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação mensal.
Por outro lado, na comparação anual, houve queda de 0,27%, indicando perda de ritmo da economia.
- Desempenho por setores
- Indústria: crescimento de 1,2% na margem
- Serviços: alta de 0,3%
- Agropecuária: avanço de 0,2%
Mesmo com resultados positivos, o crescimento ainda é considerado moderado. A projeção para o PIB em 2026 segue em 1,8%, refletindo:
- Efeitos da política monetária restritiva
- Impactos do fraco desempenho no fim de 2025
- Riscos externos ligados ao cenário geopolítico
Varejo apresenta crescimento moderado e heterogêneo
O comércio varejista brasileiro registrou crescimento gradual em fevereiro, porém abaixo das expectativas do mercado.
- Varejo restrito: alta de 0,6% no mês
- Varejo ampliado: crescimento de 1,0%
Na comparação anual, o desempenho foi mais fraco, com retração no varejo ampliado.
- Destaques positivos
- Combustíveis e lubrificantes
- Artigos farmacêuticos
- Materiais de construção
- Veículos e autopeças
- Segmentos com queda
- Equipamentos de escritório
- Livros e papelaria
- Vestuário e calçados
O avanço das vendas foi registrado em 17 estados, mas ainda sem indicar uma recuperação consistente do consumo.
Setor de serviços perde força, mas permanece em nível elevado
O setor de serviços registrou leve alta de 0,1% em fevereiro, indicando estabilidade após uma sequência de crescimento ao longo de 2025.
Na comparação anual, houve avanço de 0,5%, mantendo uma trajetória positiva, embora com desaceleração.
Segmentos em destaque
- Serviços prestados às famílias
- Informação e comunicação
- Transporte
- Segmentos em retração
- Serviços profissionais e administrativos
Outros serviços
Mesmo com a desaceleração, o setor ainda opera cerca de 20% acima do nível pré-pandemia, sustentado por um mercado de trabalho resiliente e renda em crescimento.
- Política econômica combina estímulos fiscais e cautela monetária
- Medidas fiscais
O governo federal implementou ações para mitigar os efeitos da alta dos combustíveis, incluindo:
- Obrigatoriedade de divulgação de margens de lucro por distribuidoras
- Subvenções ao diesel
- Ajustes no programa Gás do Povo
Além disso, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 prevê superávit primário de 0,5% do PIB.
Política monetária
O Banco Central mantém postura cautelosa diante do cenário internacional. A guerra no Oriente Médio e a elevação das expectativas de inflação dificultam o avanço do ciclo de cortes de juros.
A tendência é que a taxa Selic permaneça em patamar contracionista por um período mais prolongado.
Mercados financeiros: petróleo em alta e desempenho misto nas bolsas
Os mercados refletiram o ambiente de incerteza global:
Petróleo Brent registrou alta
Commodities agrícolas e metálicas tiveram desempenho predominantemente negativo
- Bolsa americana apresentou valorização
- Ibovespa registrou leve queda
No mercado de renda fixa, a curva de juros brasileira apresentou inclinação, indicando maior percepção de risco no longo prazo.
Perspectivas: agronegócio atento ao cenário global e ao câmbio
Apesar do alívio momentâneo proporcionado pela reabertura do Estreito de Ormuz, o cenário segue desafiador.
Os principais fatores de risco incluem:
- Evolução do conflito no Oriente Médio
- Política monetária nos Estados Unidos
- Desaceleração das economias globais
- Sustentabilidade fiscal no Brasil
Para o agronegócio, a combinação entre câmbio, preços de commodities e custos de produção seguirá sendo determinante ao longo de 2026. A expectativa é de crescimento moderado da economia, com maior clareza apenas no segundo semestre do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Piscicultura em viveiros escavados cresce no Brasil com tecnologia de manejo e fortalece produção familiar
A piscicultura brasileira segue em expansão e encontra nos viveiros escavados um dos principais sistemas de produção para pequenos e médios produtores. A adoção de tecnologias de manejo, aliada a práticas de gestão mais eficientes, tem impulsionado a produtividade e reduzido riscos na atividade aquícola.
Em 2024, o Brasil produziu cerca de 968 mil toneladas de peixes cultivados, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). O desempenho reforça o papel da piscicultura familiar, especialmente em sistemas de viveiros escavados, que concentram grande parte da produção nacional.
Tocantins se destaca na produção aquícola com espécies nativas
No recorte regional, o Tocantins registrou aproximadamente 18,1 mil toneladas de peixes cultivados em 2024, também de acordo com a PeixeBR. O estado se destaca pela produção de espécies nativas e pela forte presença de pequenos produtores na cadeia aquícola.
Esse cenário foi tema do programa Prosa Rural, da Embrapa, com base no Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados, reunindo orientações técnicas sobre manejo, produção e organização da atividade no campo.
Viveiros escavados oferecem flexibilidade produtiva ao piscicultor
De acordo com a pesquisadora Ana Paula Rodrigues, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), o principal diferencial dos viveiros escavados é a flexibilidade de intensificação do sistema produtivo.
Segundo ela, o modelo pode ser ajustado conforme a realidade do produtor, variando entre sistemas extensivo, semi-intensivo e intensivo.
No sistema extensivo, há menor uso de ração e maior dependência de alimento natural. Já o intensivo utiliza maior densidade de estocagem e alimentação exclusivamente com ração comercial. O semi-intensivo combina características dos dois modelos e é o mais adotado na prática.
Manejo técnico e gestão elevam eficiência da produção de peixes
O Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados reúne orientações fundamentais para a atividade, incluindo construção de viveiros, qualidade da água, sanidade, alimentação e comercialização.
O material também traz ferramentas de gestão econômica e incentiva a organização coletiva dos produtores como estratégia para fortalecimento da piscicultura familiar.
A adoção de práticas técnicas contribui para reduzir perdas produtivas, melhorar o desempenho dos sistemas e aumentar a eficiência em pequenas propriedades rurais.
Controle alimentar é decisivo para rentabilidade da piscicultura
O manejo da alimentação é considerado um dos pontos mais críticos da atividade. A pesquisadora Ana Paula Rodrigues destaca a importância do controle do estoque de peixes no viveiro para ajuste correto da ração.
Segundo ela, o produtor precisa conhecer com precisão a quantidade e o peso dos animais.
“É muito importante o produtor saber quantos peixes ele tem no viveiro”, afirma a pesquisadora.
O uso de biometrias mensais e tabelas de alimentação permite ajustar a oferta de ração conforme a fase de crescimento dos peixes, garantindo maior eficiência produtiva.
Custos elevados reforçam importância da gestão na piscicultura
De acordo com o supervisor do SENAR, Vicente Neto, a piscicultura deve ser tratada como uma atividade empresarial, com foco em gestão e planejamento.
Ele destaca cinco desafios principais: gestão da atividade, regularização fundiária, organização dos produtores, qualidade da água e manejo alimentar.
A ração pode representar até 90% do custo operacional, o que torna o controle alimentar um fator decisivo para a rentabilidade.
Organização coletiva amplia competitividade dos produtores
A formação de associações entre produtores é apontada como estratégia essencial para fortalecer a piscicultura familiar. A compra coletiva de insumos e a comercialização conjunta aumentam o poder de negociação e reduzem custos.
Segundo Vicente Neto, a falta de regularização fundiária limita o acesso ao crédito rural, enquanto a baixa organização reduz a competitividade no mercado.
O uso de ferramentas técnicas, como o manual da Embrapa, contribui para a profissionalização da atividade e melhora a tomada de decisão no campo.
Tecnologia e planejamento impulsionam piscicultura familiar no Brasil
O programa Prosa Rural reforça que o avanço da piscicultura depende da integração entre tecnologia, gestão e planejamento.
A combinação desses fatores aumenta a eficiência dos sistemas em viveiros escavados, reduz riscos produtivos e melhora a previsibilidade da atividade.
Com a modernização do manejo e o fortalecimento da organização produtiva, a piscicultura familiar se consolida como uma alternativa estratégica de geração de renda e desenvolvimento no meio rural brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
-
AGRONEGÓCIO1 dia atrásII Seminário Apícola do Vale do Aço 2026 fortalece cadeia produtiva do mel em Minas Gerais
-
AGRONEGÓCIO1 dia atrásBalneário do SESC em Bonito (MS) vai a leilão com pagamento facilitado em até seis vezes
-
AGRONEGÓCIO1 dia atrásSoja sobe em Chicago com suporte do farelo, mas mercado segue atento ao clima nos EUA e à demanda por exportação
-
POLÍTICA1 dia atrásJarude cobra prioridade para os Bombeiros e diz que governo está mais preocupado com eleição do que com os problemas do Acre
-
ACRE1 dia atrásDurante Semana do Clima em Londres, Acre avança para garantir valor máximo a seus ativos ambientais e acelerar benefícios à população
-
ESPORTES7 dias atrásColômbia vence Uzbequistão e assume a ponta do Grupo K na Copa do Mundo
-
MP AC1 dia atrásBujari: MPAC recebe visita institucional de representantes da Câmara Municipal
-
POLÍTICA1 dia atrásEdvaldo Magalhães defende convocação integral dos aprovados do Corpo de Bombeiros e critica excesso de burocracia

