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Restrições da União Europeia acendem alerta para reforço da defesa agropecuária brasileira

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As recentes restrições impostas pela União Europeia a estabelecimentos brasileiros exportadores de produtos de origem animal reacenderam o debate sobre a necessidade de fortalecer a estrutura de defesa agropecuária no Brasil. Na avaliação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o episódio evidencia a importância de ampliar o quadro de Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) e garantir recursos compatíveis com as exigências cada vez mais rigorosas do comércio internacional.

Segundo a entidade, os questionamentos relacionados aos controles sanitários, à rastreabilidade e ao monitoramento de resíduos já vinham sendo apontados em auditorias internacionais realizadas nos últimos anos. Por isso, o sindicato defende investimentos contínuos para preservar a credibilidade do sistema brasileiro de inspeção e certificação agropecuária.

Credibilidade sanitária é fundamental para manter mercados

Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, a presença do Brasil nos mercados mais exigentes do mundo foi construída com base na confiança internacional no sistema de defesa agropecuária nacional.

“O Brasil conquistou espaço nos mercados mais exigentes graças à credibilidade de seu sistema de fiscalização e certificação. Manter essa posição exige investimentos permanentes em auditoria, inspeção, rastreabilidade e controle sanitário”, afirma.

De acordo com a entidade, eventuais embargos ou restrições comerciais não estão relacionados à qualidade dos produtos brasileiros, amplamente reconhecida pelos compradores internacionais, mas à necessidade de comprovar continuamente a eficiência dos mecanismos oficiais de controle sanitário.

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Déficit de auditores preocupa setor

O sindicato alerta que a estrutura de defesa agropecuária enfrenta desafios históricos, especialmente relacionados à insuficiência de servidores e às limitações orçamentárias.

Na avaliação da entidade, a recomposição do quadro de Auditores Fiscais Federais Agropecuários é uma medida estratégica para garantir a capacidade operacional do sistema brasileiro de inspeção e atender às exigências dos parceiros comerciais.

Além disso, o Anffa Sindical considera essencial a existência de orçamento estável e previsível para assegurar a continuidade das ações de fiscalização, certificação e monitoramento sanitário em todo o país.

Perda de mercados gera impactos econômicos relevantes

O presidente da entidade destaca que os investimentos destinados à defesa agropecuária devem ser tratados como estratégicos para a economia nacional.

Segundo ele, o custo para recuperar a confiança de um mercado internacional após restrições comerciais é significativamente superior aos recursos necessários para manter uma estrutura robusta de fiscalização e controle.

“O investimento em defesa agropecuária protege mercados, preserva empregos e fortalece a competitividade do agronegócio brasileiro”, ressalta.

Debate sobre fiscalização ganha força

Outro ponto destacado pelo sindicato é a discussão sobre a redução da participação do Estado nas atividades de fiscalização agropecuária.

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Enquanto alguns segmentos defendem modelos com menor presença da fiscalização oficial, os principais mercados importadores vêm ampliando as exigências relacionadas à certificação sanitária, rastreabilidade e auditorias independentes.

Para o Anffa Sindical, a confiança internacional nos produtos brasileiros está diretamente ligada à existência de controles oficiais sólidos, conduzidos por autoridades públicas com autonomia técnica e capacidade de fiscalização.

Defesa agropecuária é estratégica para o agronegócio

Na avaliação da entidade, o episódio envolvendo as restrições europeias reforça a necessidade de fortalecer o sistema nacional de defesa agropecuária para garantir a manutenção dos mercados já conquistados e abrir novas oportunidades comerciais.

O sindicato destaca que a modernização dos processos de fiscalização tem tornado os procedimentos mais digitais, eficientes e ágeis, sem comprometer o rigor dos controles sanitários.

Para o Anffa Sindical, a combinação entre fiscalização qualificada, rastreabilidade eficiente e certificação confiável continuará sendo um dos principais pilares para sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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