RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Safra 2026/27: risco de El Niño e custos elevados tornam escolha da cultivar decisiva para a soja

Publicados

AGRONEGÓCIO

A definição das cultivares de soja para a safra 2026/27 já movimenta produtores em diversas regiões do Brasil e promete exigir decisões ainda mais estratégicas dentro das propriedades rurais. Em um cenário marcado por preços das commodities pressionados, custos de produção elevados e alta probabilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre, a escolha correta da semente passa a ser fator determinante para a produtividade e a rentabilidade da lavoura.

De acordo com dados do Centro de Previsão Climática (CPC), dos Estados Unidos, existe 98% de probabilidade de formação do fenômeno climático nos próximos meses, aumentando o risco de irregularidade nas chuvas em importantes regiões produtoras do País. Diante desse contexto, especialistas do setor reforçam que o planejamento da safra deve começar pela definição técnica das cultivares.

Segundo Rafael Neubauer, representante comercial da Conceito Sementes, o produtor precisa ampliar os critérios de avaliação antes da compra. Para ele, a escolha não pode se basear apenas no preço da semente.

“O agricultor precisa avaliar materiais adaptados à sua região, com estabilidade produtiva, resistência genética e desempenho validado em diferentes ambientes. Em uma safra mais desafiadora, decisões equivocadas podem comprometer o resultado final da lavoura”, afirma.

Critérios técnicos ganham ainda mais relevância

Entre os principais fatores que devem ser observados na escolha da cultivar estão o grupo de maturação, o zoneamento agrícola, a textura do solo, o histórico da área, a resistência a doenças e nematoides, além da qualidade fisiológica da semente.

Leia Também:  Produção animal cresce no país e amplia oferta de proteína

O grupo de maturação influencia diretamente o ciclo da soja e o comportamento da planta em cada região produtora. Atualmente, existem cultivares mais precoces, com ciclos próximos de 100 dias, e materiais tardios, que podem alcançar cerca de 125 dias entre emergência e colheita. A definição adequada depende do regime de chuvas, altitude, janela da segunda safra e da estratégia operacional da propriedade.

O zoneamento agrícola também aparece como ferramenta essencial para reduzir riscos produtivos e garantir maior segurança ao produtor. Além de orientar quais materiais são mais indicados para cada microrregião, o enquadramento correto impacta diretamente no acesso ao seguro rural e em programas de financiamento.

Outro ponto decisivo é a textura do solo. Em áreas mais argilosas, que apresentam maior retenção de água, o produtor pode trabalhar com ciclos mais ajustados. Já em solos arenosos, mais suscetíveis ao déficit hídrico, cultivares de ciclo médio e tardio tendem a oferecer maior estabilidade produtiva, especialmente em anos de clima irregular.

Histórico da área influencia desempenho da lavoura

Especialistas também destacam que o histórico dos talhões deve ser considerado na tomada de decisão. Áreas com incidência de nematoides, doenças de solo ou ocorrência frequente de estresse hídrico exigem materiais específicos e manejo mais criterioso.

Leia Também:  Regras ambientais entram de vez na conta do agronegócio em 2026

Segundo Neubauer, muitos produtores ainda escolhem variedades com base em resultados pontuais, sem considerar o comportamento da cultivar em diferentes ambientes produtivos.

“Muitas vezes, uma cultivar apresenta excelente desempenho em determinada região, mas perde estabilidade em outros cenários. O produtor precisa buscar materiais consistentes, com validação técnica e segurança agronômica para sua realidade”, explica.

Qualidade fisiológica da semente preocupa mercado

A qualidade das sementes também deve ganhar protagonismo na safra 2026/27. O excesso de chuvas registrado em áreas produtoras de sementes reduziu a disponibilidade de lotes com alto padrão fisiológico, aumentando a preocupação com germinação e vigor.

Embora a legislação brasileira exija mínimo de 80% de germinação para sementes certificadas, empresas do setor trabalham com índices superiores para garantir melhor estabelecimento inicial das plantas no campo.

“A semente é a base da produtividade. Não adianta investir em fertilidade, manejo e tecnologias de proteção se o agricultor inicia a safra com uma cultivar mal posicionada ou com baixa qualidade fisiológica”, ressalta Neubauer.

Com margens mais apertadas e maior risco climático previsto para o próximo ciclo, especialistas reforçam que o sucesso da safra começará, cada vez mais, pela escolha técnica e estratégica das cultivares de soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

Publicados

em

Por

O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

Leia Também:  Frigorífico Santa Lúcia entra em Recuperação Judicial após prejuízos com tempestade e mantém operação em Araguari

Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

Leia Também:  Dólar mantém estabilidade com atenção voltada à inflação no Brasil; Ibovespa abre em leve alta

Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA