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Safra brasileira de grãos deve atingir recorde de 348,7 milhões de toneladas em 2026, aponta IBGE

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IBGE projeta nova safra recorde para o Brasil em 2026

O Brasil caminha para registrar mais uma safra histórica em 2026. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 348,7 milhões de toneladas, consolidando um dos maiores volumes já registrados pelo país.

A nova estimativa representa crescimento de 0,7% em relação à safra de 2025, equivalente a um avanço de 2,6 milhões de toneladas. Na comparação com março de 2026, o levantamento também apresentou leve alta de 0,1%.

Além do aumento da produção, o país ampliou a área agrícola cultivada. O total estimado para colheita chegou a 83,3 milhões de hectares, avanço de 2,1% frente ao ano anterior.

Soja lidera crescimento e atinge novo recorde histórico

A soja continua sendo o principal motor do agronegócio brasileiro. O IBGE revisou novamente para cima a estimativa da oleaginosa, que deve atingir 174,1 milhões de toneladas em 2026 — novo recorde da série histórica.

O volume representa crescimento de 4,8% sobre a safra anterior, reforçando o protagonismo brasileiro no mercado global da commodity.

O Mato Grosso segue como maior produtor nacional, com previsão de 50,5 milhões de toneladas. Paraná e Rio Grande do Sul também aparecem entre os destaques da produção nacional, com recuperação importante das lavouras gaúchas após problemas climáticos em anos anteriores.

Milho deve perder força, mas mantém produção acima de 138 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho foi estimada em 138,2 milhões de toneladas, registrando retração de 2,5% frente ao ciclo anterior.

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O milho da primeira safra apresentou crescimento relevante, impulsionado principalmente pelo Sul e Sudeste do país. Já a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional, apresentou recuo diante de ajustes climáticos e produtividade menor em importantes estados produtores.

O Mato Grosso continua liderando a safrinha nacional, seguido por Paraná e Goiás.

Café brasileiro alcança maior produção da história

Outro destaque do levantamento do IBGE é o café. A produção brasileira somando arábica e canephora foi estimada em 66,1 milhões de sacas de 60 quilos, o maior volume da série histórica iniciada em 2002.

O crescimento anual chega a 14,9%, sustentado por clima favorável, recuperação da produtividade e investimentos nas lavouras.

O café canephora, especialmente, deve registrar safra recorde em 2026, refletindo o avanço tecnológico no campo e o bom desempenho das áreas produtoras.

Centro-Oeste concentra metade da produção nacional

A Região Centro-Oeste mantém ampla liderança na produção brasileira de grãos, com estimativa de 174,5 milhões de toneladas — equivalente a 50% de toda a safra nacional.

Na sequência aparecem:

  • Sul: 92,1 milhões de toneladas;
  • Sudeste: 30,6 milhões de toneladas;
  • Nordeste: 29,9 milhões de toneladas;
  • Norte: 21,5 milhões de toneladas.

Entre os estados, o Mato Grosso lidera isoladamente, respondendo por 30,9% da produção brasileira de grãos. Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam a lista dos maiores produtores.

Algodão recua, mas Bahia ganha destaque

A produção de algodão herbáceo foi estimada em 9 milhões de toneladas. Apesar da recuperação mensal, o setor ainda apresenta forte retração em relação a 2025, pressionado pela redução de área e produtividade.

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A Bahia ganhou destaque nas revisões positivas do IBGE, consolidando-se como segundo maior produtor nacional da fibra, atrás apenas do Mato Grosso.

Feijão preocupa mercado com redução na oferta

O levantamento também trouxe sinal de alerta para o feijão. A produção brasileira estimada em 2,9 milhões de toneladas apresentou queda tanto em relação ao mês anterior quanto frente à safra passada.

Segundo o IBGE, o mercado começa a demonstrar preocupação com o equilíbrio entre oferta e consumo interno, especialmente diante da redução gradual da produção nos últimos meses.

Trigo segue pressionado por baixa rentabilidade

O trigo brasileiro deve registrar produção de 7,3 milhões de toneladas, queda de 6,8% frente ao ano anterior.

A baixa rentabilidade, somada aos prejuízos climáticos recorrentes no Sul do país, tem reduzido o interesse dos produtores pelo cereal, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor.

Perspectiva para o agronegócio em 2026

Mesmo com desafios climáticos, oscilações de mercado e pressão sobre algumas culturas, o cenário geral do agronegócio brasileiro permanece positivo para 2026.

O avanço da soja, a recuperação do café e a ampliação da área cultivada reforçam o papel do Brasil como uma das maiores potências agrícolas globais, sustentando exportações, geração de renda e crescimento do setor no próximo ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”

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Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.

Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.

O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.

A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.

Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.

Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.

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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .

Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.

Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.

Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.

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Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.

A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.

Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.

O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.

A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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