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Soja ganha força no mercado global com petróleo em alta e avanço das exportações brasileiras

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Negócios com soja se intensificam no Brasil com avanço da colheita

As negociações envolvendo o complexo da soja começam a ganhar maior dinamismo no mercado brasileiro neste período de colheita. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta que o aumento das transações segue o comportamento sazonal típico da entrada da safra, mas também revela a ampliação das relações comerciais com países que historicamente apresentavam menor participação nas compras do produto brasileiro.

Com a nova safra chegando ao mercado, o Brasil concentra grande parte da oferta global neste período do ano. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que o país deverá responder por cerca de 61% da demanda mundial de exportações de soja, reforçando sua posição de principal fornecedor da oleaginosa no mercado internacional.

Além do fator sazonal, o cenário geopolítico internacional pode ampliar ainda mais o interesse pela soja brasileira, sobretudo diante das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.

Conflito no Oriente Médio pressiona mercado de energia e commodities

A escalada das tensões no Oriente Médio tem provocado forte volatilidade no mercado global de energia. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo — tem gerado preocupação entre investidores e operadores do mercado.

Como consequência, os preços do petróleo registraram forte valorização. O barril do Brent crude oil superou a marca de US$ 104, enquanto o West Texas Intermediate ultrapassou US$ 101 por barril, níveis que não eram observados desde 2022.

A alta do petróleo tende a impulsionar o mercado agrícola por dois fatores principais: a migração de investidores para fundos de commodities e o aumento da demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, como o óleo de soja.

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Soja registra valorização na Bolsa de Chicago

O cenário externo favorável contribuiu para a valorização dos contratos futuros da soja negociados na Chicago Board of Trade. O contrato com vencimento em maio voltou a superar a marca de US$ 12 por bushel, alcançando o maior patamar desde 2024.

Durante as negociações mais recentes, os contratos registraram cotações próximas de:

  • US$ 12,15 por bushel para maio
  • US$ 12,27 por bushel para julho

Fundos de investimento também reforçaram o movimento positivo ao atuarem como compradores líquidos de aproximadamente 12 mil contratos de soja, além de posições adicionais em derivados do complexo.

Óleo de soja lidera ganhos no complexo

Entre os produtos derivados da oleaginosa, o destaque ficou para o óleo de soja, que apresentou a maior valorização recente. O contrato com vencimento em maio avançou cerca de US$ 19,40 por tonelada, acumulando ganho semanal superior a 7,6%.

A valorização está associada principalmente a três fatores:

  • alta expressiva do petróleo no mercado internacional;
  • expectativa de maior uso de biodiesel nas misturas obrigatórias;
  • mudanças regulatórias que podem reduzir incentivos para matérias-primas importadas na produção de biocombustíveis.

O farelo de soja também apresentou avanço nas últimas sessões, embora tenha registrado leve recuo no acumulado semanal após movimento de realização de lucros.

Exportações brasileiras seguem em ritmo forte

No comércio exterior, o Brasil mantém forte ritmo de embarques. Projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais indicam que o país poderá exportar aproximadamente 16,09 milhões de toneladas de soja em março.

O volume estimado supera tanto o registrado em fevereiro, quando os embarques somaram cerca de 8,88 milhões de toneladas, quanto o observado no mesmo período do ano passado, de 15,73 milhões de toneladas.

Para o farelo de soja, a estimativa é de 2,49 milhões de toneladas exportadas no mês.

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Logística e custos de frete entram no radar do produtor

O avanço da colheita da soja no Brasil também tem elevado a demanda por transporte rodoviário. Com maior fluxo de caminhões nas estradas, os custos de frete vêm registrando aumento, tendência que pode se intensificar caso os preços do combustível permaneçam elevados.

De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário tem levado muitos produtores a anteciparem vendas da oleaginosa no mercado físico, movimento motivado tanto pela necessidade de liquidez quanto pelo cumprimento de compromissos financeiros.

Política monetária e câmbio influenciam competitividade da soja

No cenário interno, a condução da política monetária pelo Banco Central do Brasil continua sendo acompanhada de perto pelo setor produtivo e pelo mercado financeiro.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamar elevado como parte da estratégia de controle da inflação. Esse ambiente influencia diretamente o comportamento do câmbio, fator determinante para a competitividade da soja brasileira nas exportações.

A variação do dólar frente ao real pode impactar tanto o ritmo das vendas externas quanto a formação dos preços no mercado doméstico.

Perspectivas para o mercado da soja

Analistas apontam que o mercado global da soja deverá seguir sensível a diversos fatores nas próximas semanas, entre eles:

  • evolução dos conflitos no Oriente Médio;
  • comportamento dos preços do petróleo;
  • ritmo da colheita no Brasil;
  • dinâmica das exportações brasileiras;
  • relações comerciais entre China e Estados Unidos.

Mesmo com o avanço da colheita e aumento da oferta global, o conjunto de fatores externos tem sustentado as cotações da oleaginosa no mercado internacional, mantendo um cenário de atenção e possível volatilidade para os preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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